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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Variantes do coronavírus preocupam por serem mais transmissíveis

Estudo indica que vacina de Oxford é menos eficaz contra a cepa sul-africana

Por Laryssa Borges Atualizado em 11 fev 2021, 10h02 - Publicado em 7 fev 2021, 12h47

7 de fevereiro, 10h36: Temos de estar preocupados com as novas variantes do coronavírus. Um estudo da Universidade de Witwatersrand, da África do Sul, e da Universidade de Oxford com 2.026 pessoas mostrou que a Covishield, vacina desenvolvida pela parceria Oxford/AstraZeneca, tem sua eficácia importantemente reduzida contra a cepa sul-africana em casos leves e moderados. O ensaio clínico, randomizado e com utilização de placebo em metade dos voluntários, confirma o temor das farmacêuticas de que seus imunizantes produzidos para fazer frente à pandemia podem ter efeitos restritos contra essas mutações. A AstraZeneca disse que não foi possível avaliar se o antígeno protege bem contra quadros graves da doença e internações porque os voluntários testados eram majoritariamente jovens e saudáveis. Novos estudos científicos terão de ser feitos, mas o sinal de alerta está dado.

Outras vacinas, como a da Janssen, da qual sou voluntária, e a Novavax, também se mostraram menos eficazes contra a variante sul-africana, mas ainda importantes para controlar internações e mortes de pacientes infectados pela mutação que os cientistas chamaram de B1351. A da Janssen teve 57% de eficácia diante desta cepa, e a Novavax, que testou um grupo bem limitado de voluntários, atingiu apenas 49% de proteção.

Três variantes são até agora as consideradas mais preocupantes pelos cientistas por terem indicativos de que são mais transmissíveis. Vamos à sopa de letrinhas: a B1351 (sul-africana), a P1 (encontrada em Manaus) e a B117 (do Reino Unido). A alta capacidade de transmissão delas significa que, se não forem contidas rapidamente, provocarão colapsos sucessivos no sistema de saúde, como vimos recentemente no Amazonas, e darão força à pandemia, impedindo o mundo de voltar ao normal.

A melhor forma de controlarmos o alastramento das novas cepas é vacinando o mais rápido possível o maior número de pessoas com as vacinas hoje disponíveis. Não podemos dar voz a negacionistas que afirmam “esperar” por um imunizante melhor ou de dose única nem imaginar que, ao contaminar cada vez mais rápido um grande número de brasileiros, as novas variantes estarão contribuindo para atingirmos a tão sonhada imunidade coletiva. Cada dia de hesitação é um dia perdido no enfrentamento do vírus que já matou mais de 230.000 brasileiros.

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