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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Conheça a ‘PASC’, conjunto de doenças resultado das sequelas pós-Covid

Pesquisas revelam que conjunto de sintomas em pacientes que se curaram da Covid pode chegar a 200

Por Laryssa Borges Atualizado em 26 fev 2021, 10h55 - Publicado em 25 fev 2021, 11h17

25 de fevereiro, 8h03: Por longos meses, quando o pior da pandemia estiver ficado para trás e começarmos a aprender a viver com o insustentável passivo de quase 2,5 milhões de mortos por Covid-19 no mundo, uma nova condição clínica nos será uma incômoda companhia. Ela foi batizada por cientistas americanos como PASC (Post Acute-Sequelae of Sars-CoV-2), sigla para, em tradução livre, descrever “Sequelas Agudas do Pós-Covid”, um conjunto de quadros de saúde detectado em muitos pacientes que se curaram da infecção, mas cujas vidas ainda não voltaram ao normal. Essas pessoas estão sendo chamadas de “transportadores de longa duração” por carregarem efeitos da doença mesmo depois de oficialmente curadas. Elas apresentam, na maioria das vezes, fadiga, falta de ar, confusão mental, distúrbios de sono, febre, sintomas gastrointestinais, ansiedade e depressão.

Um importante estudo do NIH, a agência nacional de pesquisa médica dos Estados Unidos, começará nesta semana para entender os quadros de PASC, descobrir fatores que levam os sintomas a se desenvolverem de leves a verdadeiramente incapacitantes e tentar medir quantos sobreviventes da Covid podem ser afetados, se há grupos mais vulneráveis e se existem causas subjacentes que permitem que os efeitos persistam por longo prazo. Em muitos casos, situações como esta estão sendo chamadas de “Covid longa”.

Uma pesquisa com mais de 3.700 pacientes curados da doença em 56 países mostra que metade deles não consegue trabalhar normalmente seis meses após desenvolverem a PASC. Outra, esta realizada em parceria com a University College, em Londres, define a síndrome dos sintomas pós-Covid como um quadro clínico que reúne mais de 200 sintomas. Apesar dos dois ensaios não terem diferenciado adultos que poderiam ter uma outra doença desencadeadora do que chamamos de Covid longa, foram relatadas sequelas com duração de seis meses ou mais e interferências diretas em funções cognitivas, perda de memória e incapacidade de seguir atividades cotidianas, como tomar decisões ou dirigir.

Entender melhor a PASC é importante porque esta condição pode se tornar um novo problema de saúde pública. É que registros de cientistas mostram que ela ocorre mesmo em pacientes que tiveram quadros leves de Covid e que não precisaram de hospitalização. Vencer a Covid pode ser um passado que efetivamente demore a passar.

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