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O espetáculo da canalhice não pode parar

Foi aprovada por 80 votos a resolução da ONU que expressa “profunda preocupação” com as violações dos direitos humanos promovidas pelo governo do Irã, critica a pena de morte e rejeita a violência contra a mulher. Trata-se de mais uma tentativa de salvar Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada — e de colocar o regime […]

Foi aprovada por 80 votos a resolução da ONU que expressa “profunda preocupação” com as violações dos direitos humanos promovidas pelo governo do Irã, critica a pena de morte e rejeita a violência contra a mulher. Trata-se de mais uma tentativa de salvar Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada — e de colocar o regime dos aiatolás no caminho que leva para longe da Idade da Pedra. Sobre o caso Sakineh, não tenho muito a acrescentar ao texto republicado neste sábado na seção Vale Reprise.

Os 44 países que votaram contra a resolução se tornaram comparsas confessos de uma ignomínia assim justificada pelo embaixador iraniano, Mohammad-Javad Larijani:”O apedrejamento significa que você deve fazer alguns atos, jogando um certo número de pedras, de uma forma especial, nos olhos de uma pessoa. Apedrejamento é uma punição menor que a execução, porque existe a chance de sobreviver. Mais de 50% das pessoas podem não morrer”. Como optou pela abstenção, o governo brasileiro acha que a argumentação faz sentido. Por omissão, transformou-se em cúmplice do horror.

“A maneira pela qual algumas situações de direitos humanos são destacadas, enquanto outras não, serve apenas para reforçar que questões de direitos humanos são tratadas de forma seletiva e politizada”, miou em nome do Itamaraty o diplomata Alan Sellos. “Eu, pessoalmente, sou contra, mas não posso dizer a quem tem isso na sua cultura que seja contra”, emendou o ministro da Defesa e comerciante de aviões Nelson Jobim. No caso do Irã, o jurista de araque só autoriza discurseiras federais a favor da bomba atômica e de eleições fraudadas. Haja cinismo.

Jobim e o resto da turma sabem que a falsa neutralidade só reafirmou que o presidente Lula não hesita em envergonhar a nação para curvar-se à vontade do companheiro Mahmoud Ahmadinejad. A política externa da cafajestagem ao menos é coerente. Tão coerente, aliás, quanto o silêncio dos líderes oposicionistas, que entre uma e outra derrota eleitoral mergulham no recesso de quatro anos. Como está em férias, a oposição oficial não vocalizou — de novo — a indignação do país que presta com mais um ultrajante tapa na cara da nação.

“Acho o apedrejamento uma barbárie”, recitou Dilma Rousseff logo depois de eleita. Como não deu um pio sobre a abstenção pusilânime, ou não acha nada ou o que acha não tem importância. Dilma tem murmurado que gostaria de instalar uma mulher no Ministério das Relações Exteriores. Se a execução de Sakineh não ocorrer até o fim deste ano, a Era da Mediocridade vai produzir outro espanto: o apoio do Brasil às forças da escuridão será formalizado por uma mulher na Presidência da República e outra na chefia do Itamaraty.

O espetáculo da canalhice não pode parar.

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  1. Comentado por:

    Paulo Bentes

    Ah,sim,agora fiquei até mais tranquilo sabendo que apenas vão cegar a sra. condenada ao apedrejamento e que suas chances de sobreviver são de 50%.Com isso esse grande apedeuta e seu anão de jardim do Itamaraty devem dormir mais tranquilo.
    Ironias a parte não deve causar espanto a posição deste governo em relação a execuções e outras violações de direitos humanos,pois veladamente aqui mesmo com a morte de Toninho do Pt e de Celso Daniel esse partido oligofrenico vem fazendo a mesma coisa e se apoia o direito de Fidel de matar 100 mil cubanos,pq vai se importar com uma iraniana;É sim coerente a posição desse esquerdopatas,pois uma rápida olhada em sua história(Cuba,FARCS,etcc….) nos leva a compreender a “coerência” desse partido que governa esse país de tolos

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  2. Comentado por:

    V.H.

    Os petistas são doentes o dificl é convencer às pessoas disso.

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  3. Comentado por:

    Maria Aparecida

    Para os petistas o FHC é o culpado por tudo de mal que ocorreu,ocorre e ocorrera no Brasil.No plano internacional o grande vilão é os EUA.Vamos encarar a verdade o Irã não respeita os direitos humanos,financia terroristas,frauda eleições,não é um país democrata.Manter relações diplomaticas com este país é uma vergonha.Não há justificativa para matar uma mulher por apedrejamento.Como a presidente eleita vai conseguir apertar a mão de
    Ahmadinejad sabendo que ele não respeita os diretos das mulheres?O Itamarati passou 8 anos dando vexame,e o pior é que é bem capaz de passar mais 4 fazendo a mesma coisa.

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  4. Comentado por:

    anon de azevedo

    Obviamente quem mora no Ira nao ‘e uma pessoa humana como Zelaya(pessoa doida-varrida) ou Chavez(pessoa cavalon) e portanto nao merece a atencao dos nossos cracks(da droga) do itamaraty.-Em tempo o nosso Churchill silenciou em relacao a Coreia do Norte tambem,Winston Lula da Silva ‘e outro crack(51 em gel) da diplomacia internacional.

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  5. Comentado por:

    Gilmr

    Para o petralha: Renato de Minas
    “Eita judiciário bom sô”.
    Assassina duas vezes. Primeiro mata a pobre por enforcamento e depois mata novamente por apedrejamento.
    Um pouco de discerimento, só um pouquinho, já ajudaria a clarear tal estado de conturbação mental.

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  6. Comentado por:

    Gilmr

    Em tempo… “discernimento”.

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  7. Comentado por:

    Francis Canno

    O pensamento do ministro da Defesa,-“Eu, pessoalmente, sou contra, mas não posso dizer a quem tem isso na sua cultura que seja contra” – coincide com uma certa tendência principalmente dos ditos “progressistas” de submissão e admiração por costumes primitivos e exóticos. Devem achar válido até mesmo o canibalismo, mesmo sendo contra, claro. O aborto é válido, mas pessoalmente são contra, claro. Já a cultura, as tradições e os preceitos católicas são obscurantistas e inaceitáveis, claro. Claro mesmo? Na minha opinião tudo está ficando cada vez mais escuro. Sem ofensas, como diz minha neta.

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  8. Comentado por:

    Pedrinho Silva

    $*&&%###&&%
    Volte quando passar o chilique, pedrinho. Estou sem tempo para imbecis com ataques de nervos.

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