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Nelson Motta: Padrinhos e afilhados

Só o concurso público pode selecionar os melhores e dar verdadeira independência ao Tribunal de Contas do Estado

Publicado no Globo

Não foi surpresa para esta coluna a prisão de cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, e a condução coercitiva do chefão da Alerj, Jorge Picciani, velhos conhecidos das rodas de malandragem oficial carioca. Para ser conselheiro, não é preciso saber nada, nem ter conhecimentos de Administração Pública, Direito ou Contabilidade, mas de um padrinho, a quem fica devendo a vida inteira.

É uma boca rica, vitalícia, com salário de mais de R$ 30 mil, carro com motorista, viagens, penduricalhos que aumentam o salário, incontáveis “oportunidades de negócios”, foro privilegiado, impunidade garantida, para gente de confiança de Marcello Alencar e de Sérgio Cabral, que os nomearam com a cumplicidade da Alerj de Picciani, que os aprovou.

E depois são eles que vão julgar, aprovar ou reprovar as contas dos seus padrinhos? Não podia mesmo dar certo. Espanta é ter durado tanto tempo. Agora a tsunami se encaminha para o lodaçal da Alerj e para os tribunais superiores do estado. Ratos togados em polvorosa.

Alguns são vagabundos, outros incompetentes sem escrúpulos, outros bandidos mesmo, e assim será enquanto forem nomeados pelo governador e a Alerj. Só o concurso publico pode selecionar os mais preparados e dar verdadeira independência e algum sentido ao Tribunal de Contas do Estado. O resto é conversa mole e ineficiência, com consequências nefastas para as contas públicas e para os contribuintes que as pagam.

Juízes de primeira instância só entram por concurso, um dos mais difíceis das carreiras de Estado. Nas promoções para tribunais superiores, até chegar ao Supremo Tribunal Federal, é fundamental o apoio, digamos, político, para crescer, superando experiência, excelência e eficiência profissionais. Mas, naturalmente, não vem de graça.

Mas não gera conflito de interesses? Gera, mas ninguém liga. Por exemplo, o ministro Dias Toffoli serviu durante anos ao PT e à Casa Civil de José Dirceu, que o indicou e apoiou decisivamente para o STF, mas se julgou apto e insuspeito para julgar Dirceu no mensalão, e absolvê-lo. Ninguém no plenário reclamou.

Comentários
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  1. Paulo Cesar Martins

    ISSO Nelson Motta! Precisamos exatamente disso, quem tem o “microfone” nas mãos, sendo honesto, tem a obrigação de expor as entranhas dessas organizações, que tem o objetivo de ROUBAR, em cada poder , um puxadinho, pra botar o boi na sombra.

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  2. Sergio Cihgral

    Vendo a cena onde este cidadão discursa na ALERJ, vem à memória as cenas finais do filme Tropa de Elite2, onde o personagem “Coronel Nascimento” faz declarações comprovadamente verdadeiras acerca dos frequentadores desta Assembleia… Mas a era pós moderna não suporta a verdade; então, viva a pós verdade; viva o caos…

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  3. Carlos Henrique

    muito bom…gostei…

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  4. Getulio Carvalho

    Até Bacanal Tem Limite: Ou A Implosão Prevista Até Por Deficientes Visuais
    Eis mais um diagnóstico da esbórnia política vigente. Quem dirá que essa corrupção cavalar é epidêmica? Epidemia é a de febre amarela. Quem insistirá em afirmar que é endêmica? Endêmico é dengue.
    Por tratar-se de orgia planejada na cúpula governamental, executada em escala industrial e quase sempre impune, o correto do ponto de vista da Ciência Política e da Administração Pública é classificar tal fenômeno como corrupção sistêmica. Facilitada pelo aparelhamento sistemático do Estado obeso por bandidos fantasiados de políticos, a ladroagem sistêmica é cultivada por próceres tanto dos partidos da situação quanto por lideranças das legendas tidas como de Oposição, todos devotos ardentes da prescrição dos crimes mais hediondos contra o bolso do cidadão, o qual é forçado a pagar tributos de porte europeu por bens e serviços públicos de qualidade moçambicana.

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  5. Marco Antonio Costa

    Tem que mudar a lei:
    Quem for condenado por roubo do dinheiro público NUNCA MAIS poderá se candidatar para qualquer cargo público.

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  6. hildo molina

    ninguem reclama quando algum do bando encastelado julga um bandido porque todos eles tem um elenco de chefes e nunca se sabe quando será sua vez de pagar essa rica vida de nababo.

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