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“Fica combinado assim” e outras seis notas de Carlos Brickmann

E pensar que Temer, talvez por não ter informações sobre Joesley, o considerava tão boa gente que o recebia em casa, sozinho, para prosear, trocar ideias!

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann

Aldemir Bendine, na Polícia Federal, disse que entrou no Banco do Brasil como office-boy. Saiu de lá como presidente, para assumir a Presidência da Petrobras. Está preso como suspeito de corrupção no Banco do Brasil e na Petrobras. Bendine disse também que é um homem honrado.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recebeu R$ 217 milhões da JBS, segundo disse, como pagamento por trabalho realizado quatro anos antes. Talvez, claro, tenha esquecido de fazer a cobrança; e, é claro, a JBS é que deve tê-lo lembrado do caso, pois fazia questão de não ficar devendo.

Michel Temer divulgou nota, segunda-feira, chamando seu delator de “o bandido Joesley Batista”, chefe de quadrilha e “meliante da Friboi”. E pensar que Temer, talvez por não ter informações sobre ele, o considerava tão boa gente que o recebia em casa, sozinho, para prosear, trocar ideias!

Já Joesley publicou artigo se queixando de que, de uma hora para outra, deixou de ser tratado como “maior produtor de proteína animal do mundo” e passou a “bandido confesso”, entre outras “expressões desrespeitosas”. E só porque confessou ter comprado políticos e autoridades para favorecê-lo.

Nesta terça, saiu a medida provisória que perdoa a dívida dos produtores rurais com a Previdência. Mas, claro, isso não tem nada a ver com os votos da bancada ruralista, hoje, no processo contra Temer. Pura coincidência.

Orson Welles filmou, no Brasil, É tudo verdade. Não concluiu o filme.

 

Então, tá

As pesquisas de terça-feira revelaram que ainda havia muitos indecisos: votar contra Temer ou não? Por exemplo, no DEM, partido aliado a Temer, 21 deputados de uma bancada de 29 se declaravam indecisos. Eles não iriam mentir, não é? Não conseguiam chegar a uma conclusão, na véspera da votação, depois de três meses de debates sobre o tema. É que, até a hora de votar, ainda podiam ser convencidos a apoiar um presidente com a caneta cheia de tinta, pronta para assinar medidas favoráveis á população.

 

Olhando o futuro

Embora no Brasil o passado seja imprevisível, o futuro pode ser visto com alguma facilidade. Por exemplo, nesta noite de quarta não haverá uma derrota de Temer. Quem quiser autorizar a abertura de inquérito pelo STF a respeito do presidente precisará reunir 342 votos. Menos do que isso, pode ser até 341 a zero, o pedido será rejeitado. O que pode acontecer: conforme garantiu o presidente da Câmara, a sessão só será aberta se 342 deputados estiverem presentes. Se não houver esse número, a questão será decidida em outra data. Temer terá empatado. Aberta a sessão, Temer terá ganho o jogo. Pode ser um número pequeno, mas a autorização estará negada. E uma grande vantagem, além de negar o pedido, será uma demonstração de força política de Temer: se, só com 5% dos eleitores a seu lado, ele tem essa maioria, imagine se fizer as reformas e reduzir mesmo as despesas.

 

Do avesso

Há algumas verdades em que é difícil acreditar. E algumas verdades consolidadas, em que todos acreditam, nem sempre são tão verdadeiras. Por exemplo, aquela clássica, de que a educação resolve todos os problemas.

O ótimo site jurídico Espaço Vital levantou uma pérola: a de que há algo em comum entre Emílio Odebrecht, Marcelo Odebrecht, César Mata Pires (OAS), Antônio Carlos Mata Pires (OAS), Ricardo Pessoa (UTC), o marqueteiro João Santana, Geddel Vieira Lima. Todos– alguns em épocas variadas, outros simultaneamente – foram alunos de uma das escolas mais conceituadas de Salvador, o Colégio Marista. Os Irmãos Maristas (ordem católica fundada por São Marcelino Champagnat) são reconhecidos em todo o Brasil como criadores de grandes escolas.

 

Lugar certo

Bolsonaro escolhe o PEN, Partido Ecológico Nacional, para disputar a Presidência da República em 2018. Não estranhem a escolha: Bolsonaro há muito tempo é ecológico. Adora o verde. O verde-oliva das fardas.

 

Banditismo escancarado

Um site de nome inocente publica na Internet notas favoráveis ao PCC, Primeiro Comando da Capital, uma das maiores facções do crime organizado do país. Publica também documentos do PCC, louva suas ações, destaca a disciplina que impõe, faz pouco do combate oficial ao crime organizado – e está agora sob investigação do Ministério Público, informa o repórter Cláudio Tognolli, em bela reportagem, documentadíssima. E preocupante: aonde vamos parar?

 

O literato

Lula, em entrevista à Rádio Tiradentes, de Manaus, Amazonas, disse:

“A palavra propina foi inventada por empresários e pelo Ministério Público para tentar culpar os políticos”.

Muitos dos quais gostaram da palavra e não querem viver sem ela.

Comentários
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  1. Juca Leiteiro

    Se é para o bem geral da nação, diga ao povo que saio. Quem sai do banco de reserva para ser titular de um governo impinchado, corrupto e incompetente que apoiava e é flagrado e delatado por “comparsa” de bate papos, que roubou 9 bilhões dos cofres públicos e troca 10 ministros para escapar de processo, deveria renunciar imediatamente. Falta moral, falta legitimidade, falta confiança, falta vergonha na cara…

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  2. Marcos Antonio de Assis

    A Maldição Brasilis.
    Governando, na Terra Brasilis, Dilma Pedaleira, sofria com forças ocultas, que agiam nas caladas das noites. Impedida de governar, por sucessivos erros, essas forças do obscuro arrancaram-lhe do “Poder”.
    Em seu lugar assume o tinhoso transilvânico, mestre das articulações e das traições, com sua sede de “Poder” e de almas. Ele lança leis para deixar a população mais submissa e enfraquecida, e nessa empreitada ele conta com seus fiéis carrapatos, que se alimentam diretamente do sangue do saco do tinhoso, o infame Carnísio Perondi, o gorduroso Carlonhudos Marunfumo , o hitheliano Romênio Chupá, além do bichinho de estimação, gato angorá.
    Em uma madrugada, fria ele recebe um de seus fornecedores em sua cripta. Esse fornecedor sabendo que o tinhoso é o mestre das traições resolveu prevenir-se, registrando tal aparição transilvânica, caso contrário, devido ao seu grande poder, ninguém acreditaria.
    Janot Van Helsing, munido de tais registros, entra em uma luta épica, contra essas forças ocultas e descobre que já havia diversos vassalos a serviço do mal… essa luta ainda continua, e nesse momento, junto com seus carrapatos, ele lança seu olhar hipnotizador com poder de cifrões , na tentativa de trazer para o lado obscuro pelo menos 172 deputados zumbis, que provavelmente serão jogados ao povo, para que se satisfaça uma crença, que é chamada de ” Democracia”.

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