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A multidão que devora verbas na Casa do Espanto e o espantoso verão de Collor

JÚLIA RODRIGUES O senador Fernando Collor é um workaholic que não para de trabalhar sequer em dia de folga e, no período de férias, fica ainda mais hiperativo. Essa é a explicação oferecida pelos assessores do representante de Alagoas na Casa do Espanto para a espetacular gastança do verão. Os que conhecem a biografia do […]

JÚLIA RODRIGUES

O senador Fernando Collor é um workaholic que não para de trabalhar sequer em dia de folga e, no período de férias, fica ainda mais hiperativo. Essa é a explicação oferecida pelos assessores do representante de Alagoas na Casa do Espanto para a espetacular gastança do verão. Os que conhecem a biografia do ex-presidente não enxergam nada de novo. O que andou fazendo o parlamentar do PTB só comprova que Collor continua o mesmo.

Em janeiro, durante o recesso parlamentar, Collor torrou R$30.850,93 da verba indenizatória em alimentação e combustível. Quatro notas fiscais emitidas por um restaurante de Brasilia chamado  Kishimoto Ltda ─ ou Boka Loka, como preferem os fregueses assíduos ─ somam R$3.530. Os R$27.320 restantes contemplaram um único posto de combustível, também localizado na Capital Federal. Intrigado com as cifras, o jornalista Lauro Jardim, de VEJA, quis saber o que houve. O senador trabalhou muito em janeiro, informou a assessoria.

A julgar pela bolada, trabalhou muito mais que os 40 senadores que não tocaram na verba indenizatória nos primeiros 30 dias ano. Nem por isso Collor descansou em fevereiro. Esforçou-se mais ainda e subiu a marca de janeiro para R$ 38.843, dos quais R$ 23.471 aumentaram o faturamento do mesmo posto e do mesmo Boka Loka. Calculando-se em R$ 2,70 o valor do litro de gasolina, o senador alagoano consumiu 10.111 litros de combustível, suficientes para 80.888 quilômetros em apenas um mês, ou 2.609 quilômetros por dia. Esse oceano de combustível lhe permitiria fazer 42 viagens de carro entre Maceió e Brasília, ou 10 entre o Oiapoque e o Chuí.

O ritmo extraordinariamente intenso é favorecido (ou dificultado) por 54 assessores. Se respeitasse as normas internas do Senado, o ex-presidente teria direito a 12 funcionários: cinco assessores técnicos, seis secretários parlamentares e um motorista. Ele acha que precisa de muito mais. Só para suprir com talões de vale-refeição essa multidão são necessários R$34.452 por mês, que cairiam para R$ 7.656 se o patrão não atropelasse o limite legal.

São números impressionantes, mas não bastam para superar o recorde estabelecido por Ivo Cassol, do PP de Rondônia: 67 assessores. A performance do ex-presidente Collor e a marca estabelecida pelo ex-governador Cassol se destacam na lista de façanhas arroladas na reportagem publicada pelo Globo nesta segunda-feira. Por exemplo: somados, os 2.505 funcionários comissionados à disposição dos 81 pais-da-pátria devoram R$ 19 milhões por ano apenas no item vale-refeição ─ R$ 11,7 milhões a mais do que seria gasto se o limite de 12 cabeças por senador não fosse uma peça de ficção.

Quase tudo parece ficção na Casa do Espanto. Mas a gastança é real. Financiada, como todas as despesas produzidas pelos três Poderes, por milhões de brasileiros que pagam impostos.

Comentários
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  1. Comentado por:

    Razumikhin

    Como disse a assessoria de FCdeMelo, ele é um workaholic. Pois bem, as despesas em excesso são somente para pagar os remédios tranquilizantes.

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  2. Comentado por:

    Oscar Antunes Pimentel Dantas

    A Imprensa precisa fazer campanha urgente para acabar com esse tal de Senado. Sódão despesas e nada produzem para a Nação.

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  3. Comentado por:

    CarmemK

    A reportagem da Folha de hoje (28/03) ilustra um pouco mais a gastança, além de demonstrar o quanto podem ser isentos estes Tribunais quando se trata de julgar ações dos órgãos em questão:
    ” A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil pagarão as despesas de um evento festivo do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS) na segunda-feira, no Theatro Municipal de São Paulo.
    A informação está em reportagem de Frederico Vasconcelos, publicada na Folha desta quarta-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
    Pelo evento, a Caixa desembolsará R$ 150 mil e o Banco do Brasil, R$ 75 mil.
    O presidente da Ajufesp (Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul), Ricardo Rezende, diz que o TRF-3 deveria ter verbas para solenidades “para não depender do auxílio de outras entidades” e que “a celebração da posse” é comum nas instâncias da República.
    O TRF-3 informou que, como a posse ocorreu na véspera do Carnaval, optou por realizar o evento comemorativo em outro prédio, ‘sem dispêndio de recursos públicos’.”
    Leia a reportagem completa na Folha desta quarta-feira, que já está nas bancas.

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  4. Comentado por:

    Ricardo

    Uma vez ladrão,sempre ladrão.né Collor?

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  5. Comentado por:

    Rita Zambelli

    Meu Deus! Isso da nauzeas ao ler! O que sera que o Brasil fez para merecer esse cancro?
    Sera que um dia teremos um politico honesto em nosso governo?

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  6. Comentado por:

    forapetralhada

    Por esse mesmo crime 9 vereadores foram presos e cassados no município de Fronteira MG

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  7. Comentado por:

    luis renato

    Esse cara continua louco e corrupto. Só matando. Pulha!

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  8. Comentado por:

    eufrazio

    Quero parabenizar e desejar o que há de melhor na vida aos jornalistas da VEJA pela coragem, bravura e pela empatia que os mesmos têm com o povo – BEM INTENCIONADO – deste país, que um dia deixará de ser sofrido para ser livre. Vamos lá gente boa! Estamos com voces e fiquem conosco!

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  9. Comentado por:

    cidadão comunizado pelo PT

    Elle foi derrubado da presidência, principalmente, pelo PT seu inimigo na época, hoje, lambe o traseiro de petistas. Como presidente confiscou o dinheiro dos brasileiros comuns…naquela época mandou recolher milhares de automóveis do governo com a intenção de ser austero no uso do dinheiro público. O seu tesoureiro foi acusado de caixa 2 com míseros 5 milhões de dólares no Uruguai. Elle deve pensar o seguinte: os petralhas são muito melhores e merecem ser bajulados, porque desviaram BILHÕES e ainda, não devolveram aos cofres públicos, nada!!!! O seu maior erro na vida foi não ser petista. DEZ ANOS no poder, os petistas colocam propaganda paga com dinheiro público nas TVs sobre a redução de tarifas de energia, se dando ao cruel requinte de afirmar na mesma propaganda que o BRASIL tem uma das maiores tarifas de energia do mundo. Pior, o governador da Cabralândia confederada, ao mesmo tempo da propaganda petista, anuncia aumento de 15% em dezembro/2012. Ella foi um presidente-burro mesmo…

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