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‘O mundo fora daqui’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, voltou a defender a tese favorita (e derrotada no Supremo) do alto comando petista: a de que o Mensalão foi “apenas a prática de Caixa Dois, e não desvio de dinheiro público, como restou provado no julgamento”. O ministro se […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 05h20 - Publicado em 25 set 2013, 01h23

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, voltou a defender a tese favorita (e derrotada no Supremo) do alto comando petista: a de que o Mensalão foi “apenas a prática de Caixa Dois, e não desvio de dinheiro público, como restou provado no julgamento”. O ministro se engana: o STF apurou o desvio de R$ 170 milhões, em valor não atualizado, e o suborno de parlamentares para que votassem com o Governo. Mas este é só um equívoco; o importante é que Gilberto Carvalho, alto dirigente do partido, influente integrante do Governo, acha que Caixa Dois é crime menor, ou nem crime é.

Nos Estados Unidos, o ex-deputado democrata Jesse Louis Jackson Jr., filho de um herói da luta pelos Direitos Civis, o pastor Jesse Jackson, foi condenado em agosto último a 30 meses de prisão, em regime fechado (já está preso), por ter abastecido o Caixa Dois de sua campanha com US$ 750 mil ─ pouco menos de dois milhões de reais. Seus bens estão sendo leiloados para que o dinheiro irregular seja devolvido aos cofres públicos.

O deputado israelense Omri Sharon, filho de um herói nacional, o general e ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, comandou o Caixa Dois de uma campanha de seu pai. Foi julgado e condenado a nove meses de prisão, com perda de mandato e multa equivalente a US$ 64 mil ─ cerca de R$ 150 mil. O pai, inconsciente desde que sofreu um derrame cerebral, não pôde ser julgado.

Convenhamos: que falta faz o ministro Gilberto Carvalho em outros países!

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Todos os enrolados…
A ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, Gleisi Hoffmann, provável candidata do PT ao Governo do Paraná, vê outro de seus assessores envolvido em escândalo: depois de Eduardo Gaievski, preso em Curitiba sob a acusação de pedofilia, agora é Idaílson Macedo, acusado pela Polícia Federal de corromper prefeitos para atrair investimentos dos fundos de pensão municipais, algo como R$ 300 milhões.

Chamam a atenção as jovens encarregadas de atrair os prefeitos, muitas integrantes do elenco de Jeanny Mary Corner, empresária brasiliense do ramo de entretenimento sexual. Idaílson, do PT de Goiás, é funcionário do Ministério de Relações Institucionais, de Ideli Salvatti, mas foi indicado por Gleisi.

…de Gleisi Hoffmann
Além dos acusados de pedofilia e de corrupção, há mais gente ligada a Gleisi Hoffmann enfrentando problemas. Luiz Antônio Tauffer, subchefe de Monitoramento da Casa Civil, furou um bloqueio policial em Brasília e teve a carteira de motorista cassada (por que furou o bloqueio? Ah, deixa pra lá).

E há Carlos Carboni, antigo chefe de Gabinete de Gleisi, hoje coordenador de sua campanha ao Governo do Paraná. Carboni é casado com Lucimar Carboni, cuja empresa assessora prefeituras paranaenses que buscam verbas em Brasília. Era uma situação esquisita, o marido de um lado do balcão, a esposa do outro. Ele então trocou de cargo. Mas a Consultoria e Assessoria Empresarial Carboni continua funcionando no mesmo setor. E o marido da dona, embora fora do Ministério, ficou até mais forte junto da ministra, como seu chefe de campanha.

Voa, dinheiro, voa! 
Para que serve um helicóptero? Depende: o Bell 412 azul e amarelo comprado novinho em setembro de 2010, por R$ 14 milhões, serve para ficar em terra, paradinho. As equipes da Polícia Federal, que ele deveria transportar, que se virem para chegar ao destino. Voltemos ao começo: o helicóptero voou entre março e outubro de 2012. Então, por falta de contrato de manutenção, parou, e está em terra até hoje. Só isso? Não, que aí seria barato demais: o Governo pagou o treinamento de quatro pilotos, durante dois meses, nos Estados Unidos. Como o helicóptero estava parado, não puderam renovar a licença de pilotagem no Brasil.

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O helicóptero ultrapassou, em janeiro último, o prazo de inspeção, e a ANAC, Agência Nacional de Aviação Civil, suspendeu seu Certificado de Aeronavegabilidade.

Resumindo: o helicóptero não voa porque não tem contrato de manutenção, a inspeção está vencida e não conta com piloto habilitado. Os pilotos não estão habilitados porque o helicóptero não voa. E você, caro leitor, paga a conta sem ter o serviço, porque o Governo não consegue desmanchar este nó.

Compra, dinheiro, compra! 
O vereador Nabil Bonduki, do PT paulistano, é o autor do projeto da Bolsa Blog, que tramita na Câmara Municipal. Por ele, a Prefeitura dará R$ 70 mil do seu, do meu, do nosso dinheiro a “projetos de mídia independente”. Tudo a fundo perdido: R$ 70 mil para cada projeto, que com dinheiro alheio a Prefeitura não vai regular micharia. Os projetos, claro, serão aprovados por uma comissão. Quem forma a comissão? Quatro pessoas indicadas pela Administração petista e quatro indicados por “movimentos sociais” ─ talvez até haja algum que não seja petista. Os projetos aprovados não poderão ter finalidade lucrativa.

Traduzindo, de alguma forma vão ter de arrumar mais dinheiro público para sobreviver.

Mexe-mexe
Paulinho da Força (Solidariedade) deu um pula-pula de presente ao deputado Arlindo Chinaglia (PT). Será convite para pular o muro e buscar nova legenda?

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