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Leon e Nilce, do popularíssimo canal Coisa de Nerd, falam sobre como o nerd ganhou força com o YouTube

Conversei com o popularíssimo casal de youtubers brasileiros Leon Oliveira Martins e Nilce Moretto, dos canais Coisa de Nerd (com acima de 5 milhões de inscritos) e Cadê a Chave? (esse com quase 2 milhões de fãs). Eles são as estrelas de uma nova campanha publicitária do YouTube no Brasil. Veja como ficou um dos […]

Conversei com o popularíssimo casal de youtubers brasileiros Leon Oliveira Martins e Nilce Moretto, dos canais Coisa de Nerd (com acima de 5 milhões de inscritos) e Cadê a Chave? (esse com quase 2 milhões de fãs). Eles são as estrelas de uma nova campanha publicitária do YouTube no Brasil.

Veja como ficou um dos cartazes do YouTube:

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A fama começou para Leon em 2010, quando ele passou a publicar gravações que realizava dos games StarCraft (que ele joga desde 1999, em versões anteriores) e Minecraft, então ainda uma novidade restrita a um nicho de jogadores. A origem de seu canal no YouTube é bem distinta do que costuma ser o usual dentre youtubers – normalmente, adolescentes que querem compartilhar suas experiências cotidianas. No caso de Leon, o início foi, digamos, mais “cabeçudo”.

O impulso de colocar as gravações na internet foi consequente de uma experiência prévia durante um mestrado que realizava na Europa, no qual estudou efeitos culturais de Call of Duty, a popular linha de jogos de tiro em primeira pessoa. “Numa parte de meus estudos, deparei-me com a necessidade de filmar minhas partidas e narrar o que fazia no game”, recordou Leon. “Daí nasceu o formato que depois adotei no YouTube”.

Daí em diante, o carisma de Leon conquistou legiões de fãs. Depois, Nilce, sua esposa, passou a colaborar. “De início, fazia o estilo ‘espectador’, aprendendo sobre os games”, lembrou a youtuber, formada em jornalismo. “Só que logo comecei a aprimorar minhas habilidades e já venci o Leon várias vezes nas disputas”. Hoje, quase todos os vídeos são protagonizados por ambos.

Confira o rápida papo que tive com o casal, que destacou como canais “nerds”, a exemplo dos dois tocados pela dupla, ajudaram a dar nova cara à cultura de games, quadrinhos e afins.

Em minha juventude, nerds, como eu, sofriam na mão dos valentões. Hoje, a cultura dos quadrinhos, dos games e afins ganhou fortes representantes, como vocês do Coisa de Nerd. O que mudou?
Leon – Ser nerd agora está na moda. Isso porque, o gosto pelas coisas desse gênero se tornou mainstream. Quem não conhece, hoje, Star Wars, Star Trek ou animes? Não são mais referências de nicho, mas, sim, elementos centrais da sociedade. Com isso, foi natural que o nerd deixasse de ser estigmatizado.
Nilce – Acredito que há aí também uma questão geracional. Os jovens de antigamente cresceram com o gosto nerd e, agora, são adultos bem-sucedidos. Levamos essa cultura conosco.

Mas será que as crianças nerds continuam a sofrer com bullying, ou não?
Nilce – O nerd está em evidência. Ele não é mais o excluído.
Leon – Isso mesmo. E acrescento: a internet ajudou a propagar essa cultura. Uma que não era bem representada, por exemplo, pela TV, que tinha suas restrições de conteúdo, não podia mencionar alguns temas por entrar em conflito com questões de direitos autorais e por aí vai. No YouTube, não há essas restrições.
Nilce – Sim, a internet fortaleceu o tema. Agora, a TV passou a, por isso, rever sua programação para tratar o nerd de forma mais positiva, também. Lembro que, no passado, os filmes que eram transmitidos na televisão costumavam exibir a figura do nerd sempre como um cara feio e desengonçado. Não é mais assim. A internet tem demolido esse estereótipo.

É para destacar esse, digamos, poder nerd que o YouTube os escolheu para serem os rostos da nova campanha publicitária do site, no Brasil?
Nilce – Reforçamos, sim, essa nova imagem. Mostramos que há outros elementos, além do game, na cultura nerd. Existe muita diversidade nesse meio. Isso é representado, inclusive, pelo fato de sermos um casal que joga videogame, que gosta junto de se entreter com os produtos desse meio. Quebramos o tabu ao nos distanciar do estereótipo que se tem de um jogador de videogame. Até por eu ser mulher. Represento 40% dos gamers, que são meninas. Só que sei que ainda há resistência à nossa entrada nesse meio. Tem até uma questão territorialista, do nerd que sofre um pouco para receber os diferentes dele em seu espaço de convivência.
Leon – Contudo, nem acho mais que a batalha para inserir a mulher nesse meio seja uma prioridade. Isso porque, já está inserida. Tem reações negativas, mas essas são isoladas. No geral, a mulher é bem-recebida, sim, dentre os novos gamers. Na campanha, representamos essa diversidade.

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