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Não é só o Facebook que infla resultados (ou seja, manipula dados) para vender mais anúncios

A notícia: o Facebook infla informações, a exemplo do tempo médio de visualização de anúncios, antes de passá-las a clientes. Após o jornal americano The Wall Street Journal divulgar a falácia, a empresa admitiu o que dizem ser um “erro de cálculo”. A companhia de Mark Zuckerberg tentou colocar a culpa em seus algoritmos. Agora, […]

A notícia: o Facebook infla informações, a exemplo do tempo médio de visualização de anúncios, antes de passá-las a clientes. Após o jornal americano The Wall Street Journal divulgar a falácia, a empresa admitiu o que dizem ser um “erro de cálculo”. A companhia de Mark Zuckerberg tentou colocar a culpa em seus algoritmos. Agora, o fato é que a preocupação não deveria estar voltada apenas ao Facebook. Mas, sim, a todo o Vale do Silício. Afirmo: é muito comum a manipulação, mesmo que não intencional, de dados na indústria digital, normalmente como forma de atrair anunciantes a sites, a exemplo das redes sociais, das páginas de vídeos e dos buscadores.

A prática afeta, principalmente, as maiores do setor, a exemplo do Instagram, do Twitter, dentre outros. Comecemos pelo Instagram. Em dezembro de 2014, o aplicativo, de propriedade do Facebook, anunciou uma caça a seguidores falsos em contas de usuários. Os principais alvos eram as celebridades online, como as blogueiras de moda que tanto usufruem do app. Contudo, no fim, sobrou pra todo mundo. Até para famosos de primeiro calibre, como o cantor canadense Justin Bieber – após o Instagram dar início à exclusão de seguidores falsos, o músico viu “sumir” 3,5 milhões de seus fãs.

O que isso tem a ver com manipular dados para exibir aos anunciantes?
É simples. Um dos grandes chamarizes do Instagram é justamente a quantidade de fãs que seguem seus ídolos por meio dessa rede social. Logo, entre 2010 e 2014, a então startup desprezou como muitos dos famosos maquiavam dados para vender posts a anunciantes. Indo além, o Instagram se beneficiava dessas informações fakes (pra utilizar o linguajar online) para fazer publicidade de si mesmo a, por exemplo, investidores e jornalistas. Para piorar, mesmo que há dois anos a companhia tenha anunciado que combateria a prática imoral, o fato é que ela ainda ocorre com enorme frequência – é muito fácil comprar seguidores falsos pela internet. Hoje, que o Instagram aceita os ads (olha o linguajar aí, novamente), esse tipo de tática pode acabar por lubridiar anunciantes.

Também é repleto de fakes o Twitter. No caso da rede social dos 140 caracteres (que, aliás, está em leilão no mercado), a lógica é parecida com a do Instagram – falarmos que temos X+Y (o Y aqui representa os fakes) de usuários, é melhor que só X.

Como disse, a prática é comum. Ao se falar com profissionais de vendas de todas essas gigantes – e incluo aí outras, como as donas de sites de busca, de vídeos ou mesmo páginas mequetrefes de notícias –, é comum eles apresentarem resultados assombrosos para anúncios. Como exemplo, se tornou usual dizerem que o nível de “atenção” para os anúncios supera 100%, 200%, 300%, em contas dificílimas de compreender para quem não é funcionário dessas empresas. O que seria essa “atenção”? Um dos fatores que levam em cálculo, por exemplo, é a quantidade de pessoas que não conheciam uma marca antes de clicar no anúncio dela em uma rede social.

Exemplo fictício, mas que se reflete na realidade:
Se a fabricante Bolinhas resolve colocar seu anúncio num site, é claro que ela quer que clientes que nunca ouviram falar dos sorvetes que ela faz passem a se interessar pela marca. Certo? Agora, imaginemos que Bolinhas é brasileira, e só atua no país. Porém, sua publicidade é exibida por uma companhia de alcance mundial, dona de uma rede social. Se o anúncio for veiculado, digamos, no México, ou na França, ou nos EUA, é esperado que quem viu nunca tenha ouvido falar de Bolinhas. Pronto, aí tá o resultado inflado: contam-se esses gringos como os que deram “atenção” de 100%, 200%, à publicidade.

Por que isso ocorre?
A resposta é muito, muito, simples. As gigantes das redes sociais, dos apps, dos sites de busca – falo de todas aqui, como Apple, Google, Facebook –, sempre se encarregaram de, por si, fornecer seus resultados com anúncios. Para tal, utilizam algoritmos próprios, feitos em casa, para realizar as contas automaticamente. Qual é o problema disso? É natural que um programa desenvolvido pela própria empresa tende a beneficiá-la. Afinal, nenhum algoritmo é neutro, como já disse antes.

Qual seria a solução?
A pedida há muito tempo por agências de publicidade, anunciantes e parceiros dessas empresas: as informações podiam ser coletadas, checadas, avaliadas e divulgadas por terceiros, a exemplo de auditorias ou agências de Big Data, não pela própria empresa.

Agora, será que uma mudança assim seria interessante pro Facebook, por exemplo?

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  1. Comentado por:

    Neoliberal

    Eu não tenho rede social, simples assim, e uso ad-blocker…
    Jamais cadastro o meu email no celular, uso somente Webmail com https…
    Não imagino consultar emails no fim de semana.
    Meu Whats… raramente toca.
    Se recebo email “direcionado” imediatamente cadastro nas listas antispam, Como dnsbl e spamcop.
    Não admito correspondencias impressas, simplesmente as devolvo aos correios.
    Não preciso de incomodação… prefiro correr ao lado de meus filhos… estes no patinete.
    E a vida segue.

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  2. Comentado por:

    ernani

    Você se esquece do TRIPADVISOR. Eles vivem de anúncios, e o pior: ao mesmo tempo em que eles recebem avaliações, pontuam e CLASSIFICAM os estabelecimentos relacionados em seu domínio (à revelia destes – não há qualquer consulta ou qualquer tipo de contrato para uso do nome comercial dos estabelecimentos), o Site oferece serviço COMISSIONADO para estes mesmos estabelecimentos. através de reservas de hotéis, pousadas e restaurantes. A classificação é totalmente feita através de regras do próprio Site, que são obscuras e não reveladas quando eventualmente questionadas por estabelecimentos idôneos. Não há nada mais imoral e anti-ético do que esta prática. E além de oferecer estes serviços comissionados, o Site também vende espaço publicitário para este mesmos estabelecimentos. E AS AVALIAÇÕES SÃO FEITAS DE FORMA ANÔNIMA! NÃO HÁ A EXIGÊNCIA DE QUALQUER IDENTIFICAÇÃO PÚBLICA NO SITE DO ‘AVALIADOR’. Situação análoga acontece com o Reclame Aqui. Ao mesmo tempo em que este Site recebe reclamações contra empresas e as classifica em função da eficiência com que estas resolvem os problemas dos consumidores, o Site pertence a UMA CONSULTORIA CUJO PRINCIPAL FOCO É PRECISAMENTE PRESTAR SERVIÇOS NA ÁREA DE ATENDIMENTO AO CLIENTE. BINGO! Poderíamos imaginar o seguinte: ‘use os nossos serviços de consultoria e quem sabe sua posição no ‘ranking’ irá melhorar!’. É como se o Procon também oferecesse serviços remunerados para os cidadãos que lá vão para fazer suas reclamações. Dá para imaginar?
    O que tudo isto tem a nos dizer? A Internet, através dos Gigantes que a dominam, tentam enganar a todos se escondendo através do manto da filantropia e da GRATUIDADE.. Todos, desde o Zucherberg, passando pelo Whatsapp, pelo Tripadviosor ou pelo nacional Reclame Aqui, vieram ao mundo para fazer o bem à Humanidade, como nunca antes na história do mundo (isto é um plágio…). E com isto as vidas das pessoas, as empresas, e mesmo o Estado de Direito, são cada vez mias controlados por estes gigantes da Internet. Há em curso uma privatização do Estado. Situação emblemática foi quando a ex-presidente foi fotografada ao lado do Zucherberg, e vestindo a camisa do Facebook. Mas quem pode ser contra isto? Afinal, Sites como este são ‘gratuitos e sempre serão’. Cujos donos são os bilionários do Mundo. Eu gostaria de saber qual é a mágica deles.

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  3. Comentado por:

    Carlos Neto

    Ernani, o norte discute esse problema. E os juros negativos em parte do mundo talvez já sejam reflexo disso e de uma maior conscientização das pessoas acerca do quem vem a ser a economia. Para nós aqui, no Bananistão, por ora, nos resta lutar para em um primeiro momento libertar o estado das mãos dos bandidos e, depois, se tudo der certo, entramos na dança com eles.

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