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As buscas mais populares do Google mostram como 2018 foi atípico

E que só duas coisas continuaram normais no Brasil: reality shows e futebol

Todo ano parece intenso. Porém, uma tradição de dezembro costuma aparecer como forma de provar como pouquíssimo se muda em nosso mundo: a lista das buscas mais populares no Google. Em 2018, no entanto, o ranking foi bem distinto, apresentando resultados que, desta vez, realmente comprovam que este tem sido um ano único.

Usualmente as buscas mais populares no Google Brasil não variam muito, em suas temáticas, de um ano para o outro. No topo sempre aparece o Big Brother, algum outro reality show que fez barulho, nomes de celebridades envolvidas em polêmicas, assuntos futebolísticos, filmes e séries pop, clipes musicais (usualmente de funk, sertanejo e gêneros coligados) que bombaram no YouTube, a procura por um novo modelo de iPhone (que tem todo ano!) e, nas categorias “O que é…?” e “Por que…?”, dúvidas comezinhas como “O que é pangolim?” e “Por que Pedro Bial saiu do BBB?”.

Em 2018, foi bem distinto. As perguntas mais lançadas no Google, por exemplo, indicam o clima de polarização, radicalização, temor, que contaminou o país. Como exibem as quatro questões que lideram o ranking de “O que é…?”:
1º O que é fascismo?
2º O que é intervenção militar?
3º (única mais, digamos, inocente) O que é lúpulo?
4º O que é Ursal?
Assim como o mesmo cenário fica evidente nas duas primeiras da lista de “Por que…?”:
1º Por que a guerra na Síria?
2º Por que votar no Bolsonaro?

Compare com 2017. No ano anterior, os quatro primeiros em “O que é…?” foram:
1º O que é pangolim?
2º O que é Sarahah?
3º O que é TBT?
4º O que é um ábaco?
Já em “Por que…?”, os dois líderes de 2017:
1º Por que o Brasil não está na Copa das Confederações?
2º Por que Zeca (personagem de uma novela) vai ser preso?

Nota-se ainda, em 2018, outras distinções. Como a maior procura por assuntos políticos, mesmo os não ligados às eleições. A exemplo das buscas por “Greve dos caminhoneiros”. E ainda o interesse por crimes que comoveram o pais, como por informações do “Caso Vitória”.

Até mesmo a curiosidade por novos modelos de iPhone não permaneceu entre 2017 e 2018. Neste ano os brasileiros pesquisaram mais acerca do celular Motorola One.

Só se mantiveram constantes na lista os clipes musicais, o interesse por times de futebol e a presença (mas mais embaixo no ranking) dos reality shows.

O Google envia, sempre nesta época, há um bom tempo, essa lista de “buscas mais populares”. É praxe. Ano após ano ela, a tal lista, trazia-me sossego. Mesmo que os últimos 12 meses estivessem um caos e parecessem anormais, o ranking vinha como um alento – a prova máxima de que, de fato, nada muda de substancial de um Ano Novo a outro Ano Novo.

Nesta passagem de 2018 para 2019, contudo, a sensação é outra. Nem a lista do Google traz a sensação de normalidade. Pelo contrário, ela só comprova como temos mais dúvidas do que certezas acerca do futuro do Brasil.

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