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A incrível história da fuga de Edward Snowden

Edward Snowden, vale relembrar, é aquele ex-espião americano que, em 2013, fez o maior vazamento de todos os tempos de informações sigilosas dos serviços secretos americanos, e que hoje vive no exílio na Rússia. Snowden era um analista de inteligência terceirizado a serviço da NSA (National Security Agency, a Agência Nacional de Segurança). Os documentos divulgados […]

Edward Snowden

O ex-espião escapou de Hong Kong em um avião com destino a Moscou

Edward Snowden, vale relembrar, é aquele ex-espião americano que, em 2013, fez o maior vazamento de todos os tempos de informações sigilosas dos serviços secretos americanos, e que hoje vive no exílio na Rússia. Snowden era um analista de inteligência terceirizado a serviço da NSA (National Security Agency, a Agência Nacional de Segurança). Os documentos divulgados por ele revelaram ao mundo o alcance da espionagem americana, que violava a privacidade não só de cidadãos e líderes estrangeiros, mas também de americanos comuns.

Antes que o conteúdo dos documentos começasse a sair na imprensa mundial, Snowden, então com 29 anos, fugiu para Hong Kong em maio daquele ano. Ele sabia que logo as autoridades descobririam quem havia feito o vazamento. Em junho, ele revelou publicamente sua identidade. Apesar de ter pedido o status de refugiado em um escritório da ONU em Hong Kong (não podia pedir esse status ao governo local, porque seu passaporte e visto ainda eram válidos), Snowden temia ser preso e extraditado a pedido da Justiça americana. Por isso, com a ajuda dos seus advogados canadenses, Snowden desapareceu por duas semanas. Reapareceu em um voo da Aeroflot com destino a Moscou, no dia 23 de junho. Como ele conseguiu ficar fora do radar do mais poderoso serviço de inteligência do mundo até esta data ainda era um mistério.

Uma reportagem do jornal canadense National Post finalmente conta o que aconteceu nesse intervalo de tempo. Basicamente, Snowden ficou escondido nas piores favelas de Hong Kong, na casa de refugiados que aguardam aprovação de seus pedidos de asilo pelo governo local. As pessoas que o acolheram não tiveram muita escolha. Elas cederam ao americano a única cama que possuíam e saíam para comprar hambúrguer do McDonalds e equipamentos eletrônicos para ele — ou seja, corriam risco — não porque acreditassem nas causas da transparência governamental e do direito à privacidade, mas porque dependiam do advogado de Snowden, Robert Tibbo, para conseguirem o reconhecimento como refugiados. Afinal, Tibbo, que presta assistência a refugiados por meio de uma ong, era advogado também de todos eles.

São pessoas como Supun, de Sri Lanka, que desde 2005 espera pelo status de asilado e que dividiu o seu pequeno apartamento, onde vivia com a mulher e a filha de 1 ano, com Snowden. Ou a filipina Vanessa, então com 46 anos, que não tinha a menor ideia de quem Snowden era. “Não me explicaram nada: apenas que ele precisava de ajuda e de segurança e que eu não falasse com ninguém.” Quando ela reconheceu sua foto no jornal, ficou muito incomodada, mas agarrou-se à convicção de que Tibbo não a colocaria em uma situação de perigo.

A última parada de Snowden foi a casa do sócio de seu advogado. De lá, partiu para o aeroporto com mais de uma dúzia de passagens compradas para destinos diferentes, para confundir as autoridades. Snowden entrou na sala de embarque acompanhado de uma funcionária do Wikileaks, a organização de Julian Assange, o australiano que comandou outro grande vazamento de informações secretas do governo americano e que hoje vive refugiado na embaixada do Equador, em Londres (para evitar a extradição para responder a um processo por assédio sexual na Suécia). Sarah Harrison, a funcionária do Wikileaks, e Snowden posaram de casal em férias e conseguiram embarcar para Moscou. O passaporte do americano foi revogado quando ele estava no ar. Por isso, quando chegou à Rússia, não pode passar pela imigração, algo que só ocorreu um mês depois, quando o governo de Vladimir Putin, sem grandes surpresas, concedeu-lhe asilo temporário. Nesse período, ele ficou no limbo da sala de embarque, como Tom Hanks no filme O Terminal.

Snowden vive em Moscou com sua namorada, uma ex-dançarina de pole dance com quem está desde o tempo em que copiava, escondido, arquivos secretos do governo americano para divulgá-los para o mundo.

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  1. Comentado por:

    Eduardo De Mello

    Bom dia Diogo Schelp, quando se fala em “a boa e velha reportagem”, devería-se ter citado que “as piores favelas de Hong Kong” são incomparáveis com as favelas no Brasil. Vivi por muitos anos em Kowloon e apesar de ainda se ver residências e prédios modestos, o cidadão de Hong Kong usufrue de um sistema médico, educacional e infra estrutura social incomparável com a miséria/favela encontrada no Brasil. Houve exagero e falta de conhecimento em sua boa e velha reportagem. Abraços.

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  2. Comentado por:

    Jorge Martins

    Ele conhece bem a amplitude de ação e as possibilidades da agência em que trabalhou. Ninguém melhor para saber se esconder dela.

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  3. Comentado por:

    Diogo Schelp

    Em nenhum momento eu disse que as favelas de Hong Kong eram piores do que as do Brasil.

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