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Os segredos de um hacker eleitoral na América Latina

O colombiano Andrés Sepúlveda, que cumpre pena de 10 anos em seu país por violação de dados, espionagem, conspiração para delinquir e uso de software malicioso, disse em entrevista à revista Bloomberg Businessweek que, nos últimos anos, trabalhou como hacker em campanhas eleitorais de nove países: Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador, Colômbia, México, Costa Rica, Guatemala […]

Por Diogo Schelp Atualizado em 30 jul 2020, 23h07 - Publicado em 2 abr 2016, 08h11
Crimes eleitorais

A capa da edição da revista Bloomberg Businessweek que contém a entrevista com Andrés Sepúlveda

O colombiano Andrés Sepúlveda, que cumpre pena de 10 anos em seu país por violação de dados, espionagem, conspiração para delinquir e uso de software malicioso, disse em entrevista à revista Bloomberg Businessweek que, nos últimos anos, trabalhou como hacker em campanhas eleitorais de nove países: Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador, Colômbia, México, Costa Rica, Guatemala e Venezuela. Ele teria sido convidado para atuar na Espanha, mas não aceitou.

Segundo a reportagem, por cerca de 12.000 dólares ao mês, um partido podia contratar Sepúlveda e sua equipe para “hackear smarthphones, falsificar e clonar páginas da internet e enviar emails e mensagens de texto em massa. O pacote premium, ao custo de 20.000 dólares mensais, também incluía uma ampla gama de interceptações digitais, ataque, decodificação e defesa”. Uma verdadeira estrutura de cyberguerra eleitoral.

O trabalho mais complexo, disse Sepúlveda, foi o que ele realizou em 2014 para a campanha do atual presidente do México, Enrique Peña Nieto, do PRI (o Partido Revolucionário Institucional — sim, eu sei, é o nome de partido mais surreal da América Latina). Sua missão consistia em sabotar as campanhas presidenciais dos adversários de Peña Nieto — Andrés Manuel López Obrador, de esquerda, e Josefina Vázquez Mota, de direita –, roubando suas estratégias eleitorais, manipulando as redes sociais e instalando software malicioso nos computadores dos comitês políticos.

Os principais políticos que teriam se beneficiado de seus serviços, e também o governo mexicano, negaram a contratação de Sepúlveda. Fontes da promotoria colombiana consultadas pelo jornal espanhol El País disseram que as acusações de Sepúlveda têm apenas “10%” de credibilidade. Mas não há dúvida de que o ambiente virtual é perfeito para atuações criminosas e para o jogo sujo em campanhas eleitorais. O uso das redes sociais para difamar adversários, como se viu na última campanha presidencial brasileira, é um dos exemplos disso. O acirramento político vivido hoje no Brasil tende a piorar as coisas. Nas próximas eleições municipais, será preciso ficar de olho no que acontece nos porões da internet.

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