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Espécies invasoras ameaçam a biodiversidade da costa brasileira

Identificado recentemente, o peixe-leão se junta ao coral-sol no time de pragas marinhas introduzidas no Brasil por ação humana

Por Nathan Fernandes Atualizado em 6 jul 2021, 13h16 - Publicado em 23 jun 2021, 09h26

As águas marinhas estão sendo invadidas por formas de vida que não são bem-vindas. Um estudo publicado na revista Biological Invasions mostra o que muitos já temiam: indivíduos da espécie conhecida como peixe-leão chegaram à costa brasileira. Apesar de impressionar pela coloração e os espinhos suntuosos, o peixe de cerca de 30 centímetros, comum em aquários, vem destruindo a biodiversidade do Atlântico.

Natural do Indo-Pacífico, o peixe-leão chegou à Flórida e ao Caribe no início dos anos 2000, através de ação humana. “As pessoas criam um peixe no aquário e ele cresce demais, ou elas se mudam de casa, e acabam jogando o animal no mar. É preciso saber, no entanto, que a gente só pode depositar no mar espécies que são nativas daquela região”, alertou o pesquisador associado da australiana Universidade Charles Darwin, Osmar Luiz, e primeiro autor do estudo. 

Vindo do Caribe e encontrado próximo à foz do rio Amazonas e na ilha de Fernando de Noronha, o peixe-leão se reproduz a uma velocidade espantosa e, por não ser um predador conhecido, tem facilidade em conseguir suas presas, o que acaba ameaçando toda a fauna marinha. Como afirmou o biólogo Luiz Rocha, da Academia de Ciências da Califórnia e coautor do estudo, o impacto é sempre maior quanto menor for a população nativa. “Se o peixe-leão chegar ao Arquipélago São Pedro e São Paulo, por exemplo, eles podem causar a extinção global de algumas espécies que só ocorrem lá”, disse. 

O peixe-leão se junta a outro ser que preocupa os pesquisadores há tempos: o coral-sol, uma praga que compete e leva as espécies nativas à morte. “Atualmente, as duas espécies que foram introduzidas no Brasil estão distribuídas de forma descontínua ao longo da costa, desde Fortaleza até Santa Catarina. Elas ocorrem principalmente em ilhas e substratos artificiais, como naufrágios e estruturas associadas à exploração de gás e petróleo, mas também são registradas em costões rochosos de regiões costeiras”, afirmaram a bióloga Kátia Capel, do Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP, e o oceanógrafo Marcelo Kitahara, professor do Departamento de Ciências do Mar (DCMar) da UNIFESP. Segundo os pesquisadores, os corais-sol foram acidentalmente introduzidos na costa brasileira no final da década de 1980, através das plataformas de petróleo. 

Apesar de não ser a causa direta das invasões, a variação de temperatura do planeta agravada pela crise climática tende a favorecer as espécies invasoras. “O coral-sol, por exemplo, é mais resistente à mudança do clima do que os corais nativos, então enquanto os nativos diminuem, o coral-sol é favorecido”, apontou Rocha. 

Além da conscientização sobre o problema, a captura destas espécies é essencial para diminuir seu avanço. “Estas não são as primeiras e tampouco serão as últimas espécies exóticas a se estabelecerem no litoral do Brasil, demandando assim a implementação e, em alguns casos, continuação de políticas públicas para monitoramento e detecção precoce destas espécies, além de maior fiscalização no que diz respeito a águas de lastro e incrustações em embarcações”, disseram Capel e Kitahara. 

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