Blogs e Colunistas

Ronaldinho Gaúcho

25/05/2013

às 17:00 \ Tema Livre

MESSI — Quero ser gigante

"Sempre disse que quero ganhar tudo com o Barcelona e com a Argentina, e o Mundial é algo que sonho ganhar" (Foto: Domenico Dolce)

"Sempre disse que quero ganhar tudo com o Barcelona e com a Argentina, e o Mundial é algo que sonho ganhar" (Foto: Domenico Dolce)

Reportagem de Ismael dos Anjos, publicada em edição impressa da revista Alfa

QUERO SER GIGANTE

Apenas mais um gênio ou um novo mito do futebol? O melhor jogador do mundo faz planos para responder a essa pergunta na Copa de 2014: “Não é só o Brasil que deseja ser campeão”

Foram cerca de quatro horas de sessão para que Lionel Andrés Messi tatuasse na perna esquerda, aquela responsável por mais de 60% dos seus gols, as mãos rechonchudas do seu filho, Thiago Messi Roccuzzo, nascido em novembro do ano passado.

O desenho não tem mais do que 15 centímetros de altura, uns 8 de comprimento, no máximo, mas há ali certa poesia, o instantâneo de tudo que ele alcançou até agora – a biografia de um jogador de futebol resumida em uma perna, marcada por gols dignos de videogame, dribles impressionantes, elogios sem fim, prêmios, marcas de botinadas dos adversários, e agora em uma tatuagem do seu filho.

Essa história, no entanto, ainda tem capítulos a serem escritos, um final aberto, uma incógnita. Quando Thiago crescer e tiver uma noção melhor de quem é seu pai, seu conto de ninar favorito pode ser este, a do jogador baixinho, nascido em Rosário, que se tornou o maior artilheiro da história de seu clube, superou o recorde de redes balançadas em uma mesma edição do Campeonato Espanhol, com 50, e da Liga dos Campeões, com 14 gols.

Ou pode ser a de um jogador ainda maior. A fábula de um mito.

 

As mãos do filhote na perna contam outro capítulo da história ainda inacabada de Messi (Foto: Juan Mabromata / AFP)

As mãos do filhote na perna contam outro capítulo da história ainda inacabada de Messi (Foto: Juan Mabromata / AFP)

Pelos próximos 14 meses, até a final da Copa do Mundo do Brasil no Estádio do Maracanã, lá pelas 18 horas do dia 13 de julho de 2014, Messi pode desenhar novos rumos para a sua perna esquerda e definir essa história de ninar para Thiago – será ele um jogador espetacular, como Johan Cruijff e Zico, ou uma lenda, um alienígena da bola, como Pelé e Maradona?

“Sempre disse que quero ganhar tudo com o Barcelona e com a Argentina, e o Mundial é algo que sonho ganhar”, disse ele em entrevista exclusiva para a Alfa.

Será a terceira tentativa de Messi, agora líder absoluto da seleção alviceleste, de levar seu país ao topo do futebol mundial. “A diferença é que muitos de nós chegamos com mais experiência para competir, e isso é algo a mais. Temos bastante clareza de que o Brasil joga em casa e tentará ficar com esse prêmio. Mas não é só o Brasil que o deseja, e faremos todo o possível para sermos campeões.”

Mais maduro, menos tímido, mais seguro de si e ainda mais genial com a bola nos pés, Messi parece pronto para assumir esse papel.

Para o fanático torcedor brasileiro, esta reportagem não tem muitas boas notícias, sejamos sinceros logo de início. Messi é um jogador melhor hoje do que era ontem, e isso se repete desde seus 16 anos de idade, quando debutou em um amistoso contra o Porto, na inauguração do Estádio do Dragão, em novembro de 2003.

Um jogador criado para ser genial desde a infância, quando saiu da Argentina para jogar no Barcelona (Foto: Barcelona)

Um jogador criado para ser genial desde a infância, quando saiu da Argentina para jogar no Barcelona (Foto: Barcelona)

E, nesta escalada, promete chegar tinindo à estreia da Argentina na Copa do Mundo para tentar virar lenda. “Seu futebol mudou muito pouco, mas ele cresceu muitíssimo”, diz Ivan San Antonio, jornalista responsável pela cobertura do Barcelona no jornal catalão Sport.

Principal jogador de uma geração de craques, como Cristiano Ronaldo, Zlatan Ibrahimovic e Falcao García, o baixinho chamava a atenção desde as categorias de base. Para San Antonio, Messi joga, hoje, como jogava quando era juvenil.

A diferença é que está absurdamente mais seguro, assumindo confortavelmente o papel de craque. “Seu futebol era espetacular com 13, 14, 15, 16, 20, assim como é agora, com 25 anos de idade”, conta. “Me lembro de que, quando ele era juvenil, era um desastre na zona de imprensa. Todas as respostas eram monossilábicas: `Sí. No. Sí. No’. Com 15 anos, você pode até ser um grande futebolista, mas não uma pessoa madura. Mais velho, ele formou uma personalidade, assumiu sua responsabilidade dentro da equipe e, hoje, sabe que é seu líder.”

Números não faltam para botar medo até no mais otimista dos brasileiros.

Coletivamente, La Pulga, como é chamado carinhosamente pelos argentinos, conquistou três Ligas dos Campeões da Europa, dois Mundiais de Clubes, seis campeonatos espanhóis e uma medalha de ouro com a Argentina nas Olimpíadas de Pequim.

Com as vitórias – e o tempo -, o garoto tímido de 15 anos deu lugar a um homem de 25, que, mesmo com poucas palavras, se converteu em um capitão natural e um pai de família que já pensa em legado e posteridade. “A timidez é uma situação do próprio crescimento”, explica Messi. “Ainda que, muitas vezes, se confunda o respeito com a timidez. De toda maneira, isso nunca foi problema para mim.”

 

Com o filho, o pequeno Thiago: Messi está mais experiente, e hoje é um pai de família (Foto: Chroma Press)

Com o filho, o pequeno Thiago: Messi está mais experiente, e hoje é um pai de família (Foto: Chroma Press)

Esse novo Messi, mais maduro e seguro, pode ser visto não apenas nos jogos de futebol. Garoto-propaganda de marcas como Adidas, Procter & Gamble e até Herbalife, o bom moço já amealhou, em oito anos de carreira, uma fortuna de mais de R$ 400 milhões, entre salários, contratos de patrocínio e bonificações.

Um dos parceiros comerciais mais ativos de Messi, a grife italiana Dolce & Gabbana viu na paixão que o jogador desperta nos estádios uma forma de ultrapassar as passarelas. “Ele é o novo ícone da atualidade. É jovem e conhecido no mundo inteiro, mas é um cara simples, com valores fortes e tradicionais”, diz Stefano Gabbana.

É da marca, por exemplo, o smoking negro de bolinhas brancas que Messi vestiu para receber o prêmio de melhor do mundo da Fifa em janeiro. “Mesmo tão novo, ele tem uma noção clara sobre quem é, o que faz e o que representa”, explica Domenico Dolce, responsável pelos cliques do jogador em um hotel em Barcelona, que ainda garante: o modelo foi escolha do próprio Messi. “Para nós, isso significa ter personalidade.”

“AFETO DOS ARGENTINOS”

 

"A timidez é uma situação do próprio crescimento. De toda maneira, isso nunca foi problema para mim" (Foto: Domenico Dolce)

"A timidez é uma situação do próprio crescimento. De toda maneira, isso nunca foi problema para mim" (Foto: Domenico Dolce)

O último desafio de Messi foi conquistar os seus compatriotas, que sempre olharam com dúvidas para o jogador por ele ter partido tão cedo para a Espanha (em busca de uma chance no futebol e de um tratamento para a deficiência hormonal de crescimento que apresentava aos 13 anos de idade) e por não repetir o futebol vitorioso do Barcelona.

Em La Plata, na província de Buenos Aires, torcedores chegaram a pichar os muros da cidade em 2009: “Messi não é argentino”. Nessa relação tão complicada como um tango, os jornais argentinos criticavam as atuações e até o fato de ele não cantar o hino nacional. Mas, no ano passado, o meia-atacante ganhou de vez o respeito em seu país.

Com 12 gols marcados – três deles apenas contra o Brasil -, o camisa 10 igualou em um só ano o recorde de tentos que Gabriel Batistuta havia estabelecido em 1998, e ajudou a colocar uma renovada seleção azul e branca no topo das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo.

“É a realização de um desejo, pois todos nós queremos ser bem tratados pelo nosso povo”, diz Messi. “Eu me sinto querido pelas pessoas de Barcelona, mas me faltava o afeto dos argentinos.”

 

No Barcelona, com o tutor Ronaldinho Gaúcho (Foto: Luis Gene / AFP)

No Barcelona, com o tutor Ronaldinho Gaúcho (Foto: Luis Gene / AFP)

Adaptado ao protagonismo, Lionel Messi também tomou para si a faixa de capitão do elenco comandado por Alejandro Sabella e assumiu de bom grado o encargo de líder futebolístico do país. “A seleção não é uma coisa em que você coloca a camisa e já sabe como jogar, em qualquer lugar. Tem jogos nas eliminatórias que são muito difíceis pelas circunstâncias”, afirma o ex-jogador e comentarista Juan Pablo Sorín, ídolo dos argentinos e capitão de Messi durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

“O mais admirável de Messi não é seu talento, sua velocidade com a bola e a história de ser um jogador de Playstation. Para mim, o ponto fundamental é que ele é um cara que vai se superando, incluindo aí a dificuldade de não jogar tudo o que podia pela seleção. Depois de eu ter sofrido em minha época com brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho, fico feliz de ter visto crescer esse pedaço de jogador e de ter um argentino, com a humildade que ele tem e o tipo de pessoa que ele é, como o melhor do mundo”, completa Sorín.

DE FRENTE PARA O GOL

 

Na seleção argentina, disputando a bola com Neymar -- "Me faltava o afeto dos argentinos" (Foto: Rich Schultz / Getty Images)

Na seleção argentina, disputando a bola com Neymar -- "Me faltava o afeto dos argentinos" (Foto: Rich Schultz / Getty Images)

Com duas participações em mundiais de seleções, Messi chega à Copa do Mundo com a melhor chance da carreira para levantar a taça mais cobiçada do mundo.

Se alguém tem que estar preocupado, é Luiz Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira desde novembro do ano passado. Felipão tem nas costas o peso de comandar o escrete canarinho em casa, em um país pouquíssimo tolerante com fracassos – não ser campeão do mundo aqui, talvez caindo para a Argentina, vai ser pior, muito pior, do que o Maracanazo de 16 de julho de 1950, quando o Brasil perdeu a final da Copa para o Uruguai por 2 a 1.

Mas o técnico não parece perder noites pensando em Messi. “Vejo a vontade de ganhar uma Copa como uma situação normal de um atleta que joga em uma excelente seleção — que já foi campeã do mundo — e tem excelentes jogadores ao lado. Se o jogador disser que `vou lá, mas não vou ganhar’, não tem nem que ser convocado”, diz Felipão.

“Mas, para uma seleção ser campeã do mundo, não pode depender de um só jogador. Neste momento, a Argentina é uma equipe muito homogênea. Atenção especial só merecem os jogadores da nossa seleção que, por acaso, não tiverem essa mesma gana. Aí, sim, a gente pode ficar preocupado.”

 

Juan Pablo Sorín: "O mais admirável de Messi não é seu talento, sua velocidade com a bola e a história de ser um jogador de Playstation. Para mim, o ponto fundamental é que ele é um cara que vai se superando, incluindo aí a dificuldade de não jogar tudo o que podia pela seleção"  (Foto: Domenico Dolce)

Ronaldinho Gaúcho: "Messi preocupa toda seleção e todo time que vão jogar contra ele, porque é o melhor do mundo" (Foto: Domenico Dolce)

Autor da assistências para o primeiro gol de Messi – em um jogo contra o Albacete, em maio de 2005 -, Ronaldinho Gaúcho, atualmente no Atlético-MG, lembra o apoio aos primeiros passos do argentino como profissional. “Como chegou muito novo, sempre procurei fazê-lo se sentir à vontade, tentando ajudar nas coisas do futebol. Fico feliz em ter participado desse começo da carreira porque é um grande amigo”, afirma.

Para Messi, a proteção do gaúcho e também do meia Deco, com quem jogou no Barcelona por quase quatro anos, foi fundamental. “Sempre vou me lembrar dos dois. São duas pessoas excelentes, me ajudaram muito a crescer esportivamente.” Hoje um possível concorrente ao título que Messi pretende vencer em 2014, Ronaldinho é mais realista: “Messi preocupa toda seleção e todo time que vão jogar contra ele, porque é o melhor do mundo”.

Enquanto os adversários bolam retrancas e os argentinos sonham com um terceiro representante de Dios, depois de Maradona e do novo papa, Jorge Mario Bergoglio, La Pulga segue escrevendo sua biografia com dribles e chutes canhotos.

“Messi é um gênio do futebol, alguém que Deus tocou com uma varinha mágica e disse: Você vai ser o melhor jogador de futebol da história”, diz o jornalista Ivan San Antonio. “Para mim, não lhe falta ganhar um Mundial, mas entendo que, se ganhar o Mundial do Brasil, não restará dúvida alguma sobre ele. Será coroado por todo o mundo e ninguém poderá discutir que é o melhor futebolista.”

Thiago com certeza terá boas histórias para ninar.

DISCUSSÃO SEM FIM

 

Ivan San Antonio: "Messi é um gênio do futebol, alguém que Deus tocou com uma varinha mágica e disse: Você vai ser o melhor jogador de futebol da história" (Foto: Harold Cunningham / Getty Images)

Messi segundo Ivan San Antônio, jornalista catalão: "É um gênio do futebol, alguém que Deus tocou com uma varinha mágica e disse: Você vai ser o melhor jogador de futebol da história" (Foto: Harold Cunningham / Getty Images)

Uma disputa entre os números de Messi, Maradona e Pelé

É difícil comparar épocas distintas, mas é possível compreender a efetividade que cada jogador teve em sua carreira. Os índices separados por Alfa levam em conta os números dos jogadores aos 25 anos, 9 meses e 6 dias, idade de Messi ao fim de março de 2013

 

- Messi tem 32 gols pela Argentina – Faltam 2 para superar Maradona

 

- Messi já conquistou 12 títulos pelo Barcelona* – Maradona e Pelé respectivamente tinham 4 e 9 em seus clubes

 

- Com a mesma idade de Messi, Pelé havia feito 815 gols em sua carreira – Messi, “apenas” 343 gols

 

Uma disputa entre os números de Pelé, Messi e Maradona (Fotos: Ag. Globo :: Reuters :: Press Lamina)

Uma disputa entre os números de Pelé, Messi e Maradona (Fotos: Ag. Globo :: Reuters :: Press Lamina)

- Maradona tem uma média de 0,37 gol por jogo pela Argentina – Messi tem média de 0,41 gol

 

* Apenas campeonatos nacionais e internacionais com mais de dois participantes

21/04/2013

às 15:00 \ Tema Livre

O FLAMENGO É CAMPEÃO… de dívidas

ELENCO ENXUTO -- Elias veio emprestado do Sporting de Portugal (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

ELENCO ENXUTO -- Elias, ex-Corinthians, veio emprestado do Sporting de Portugal (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Reportagem de Malu Gaspar, publicada em edição impressa de VEJA

 CAMPEÃO DE DÍVIDAS

Com um rombo de 750 milhões de reais, o Flamengo sofre os efeitos de décadas de péssima administração e total descontrole das finanças. A solução: corrigir os desmandos, como fazem as empresas responsáveis

Até recentemente, a equipe de atletas olímpicos do Flamengo não tinha patrocínio, não rendia um tostão aos cofres do clube e custava caro. Resultado: dava prejuízo de 14,5 milhões de reais por ano. O nadador Cesar Cielo, sua maior estrela, ganhava 80000 reais por mês e nem sequer treinava nas instalações da Gávea. Com razão, aliás. VEJA apurou que a piscina tem uma rachadura de 25 metros, que algum funcionário tentou remendar com sacos plásticos e massa de vedação.

Tanto a falta de estrutura para treinar quanto o desperdício de atletas de primeira são produto de décadas de administração inepta, cuja conta final veio à luz na semana passada: superando as expectativas mais pessimistas, o Flamengo deve na praça 750,7 milhões de reais. O time com a maior torcida de futebol no Brasil é o campeão insuperável de dívidas.

Para chegar a esse valor, uma empresa de auditoria contratada pela nova diretoria do Flamengo – formada por empresários experientes decididos a profissionalizar a gestão – passou três meses desvendando a balbúrdia no departamento financeiro. “O mais espantoso foi constatar o total descontrole das contas”, diz o diretor financeiro, Paulo Dutra. “Faltavam nota fiscal, recibo, tudo.”

NO FUNDO -- O nadador Cielo, estrela de uma equipe olímpica excepcional que o Flamengo não soube aproveitar: a piscina onde ele deveria treinar está cortada por uma rachadura de 25 metros de extensão (Foto: Paulo Vitale / Milenar)

NO FUNDO -- O nadador Cielo, estrela de uma equipe olímpica excepcional que o Flamengo não soube aproveitar: a piscina onde ele deveria treinar está cortada por uma rachadura de 25 metros de extensão (Foto: Paulo Vitale / Milenar)

Sem registros confiáveis, os auditores tiveram de ir a cerca de quarenta fontes variadas, entre elas credores, para obter as informações necessárias. Uma amostra do descalabro: só no balanço de 2011, apareciam listados 9 milhões de reais em “adiantamentos” não especificados. A tática para encarar a escassez de dinheiro era não pagar – nem contas, nem salários, sobretudo nem impostos. Só ao Fisco o clube deve 394,8 milhões de reais, sendo 86,7 milhões acumulados na gestão da presidente anterior, a ex-nadadora Patrícia Amorim.

No mandato dela, ocorreu o bizarro sumiço de seis relógios com o escudo do clube avaliados em 45000 reais cada um. Foram doados por uma empresa para ser leiloados ou sorteados. Eles estavam, surpresa, sob a custódia de conselheiros e dirigentes (a própria presidente “guardou” dois), que depois, na maior cara de pau, devolveram os mimos.

Patrícia também tomou empréstimos bancários de 84 milhões de reais dando como garantia a receita da venda de direitos de transmissão de jogos, e assim comprometeu recursos até o fim de 2013. A manobra, conhecida como “pedalada”, permitiu contratar – e não pagar – estrelas como Vágner Love e Ronaldinho Gaúcho, ambos já fora do time. “A regra era lançar mão de dinheiro destinado a outros fins para pagar a jogadores caros, na esperança de que lá na frente aconteceria um milagre”, diz o vice-presidente de finanças, Rodrigo Tostes.

Clubes endividados

Clubes endividados

Dívidas exorbitantes e má gestão não são exclusividade do Flamengo. Levantamento de 2011 calcula que os cinco clubes mais enforcados devem, juntos, acima de 2 bilhões de reais. “A má administração do esporte no Brasil é um entrave que impede sua imprescindível profissionalização”, afirma Ana Ligia Finamor, coordenadora do curso de gestão esportiva da Fundação Getulio Vargas.

Não precisaria ser assim. O aumento na renda dos brasileiros e a proximidade da Copa das Confederações, em junho, e da Copa do Mundo, em 2014, ajudaram a elevar a receita dos dez maiores clubes a 3 bilhões de reais. Ganhar mais dinheiro, porém, não adianta. É preciso saber equilibrar a receita e a despesa. O Barcelona, por exemplo, símbolo de sucesso, fatura quase 500 milhões de euros por ano, o que minimiza confortavelmente sua imensa dívida de 300 milhões.

A nova diretoria do Flamengo, comandada pelo economista e diretor do BNDES Eduardo Bandeira de Mello, quer implantar uma administração profissional ao estilo da adotada pela agremiação catalã e outras similares. Decidiu cortar custos e funcionários (150 até o momento, dos 800 que encontrou) e renegociar dívidas. Para economizar, tomou jogadores emprestados de outros times. Faltar aos treinos agora rende punição e há regras até para comemorar gols – tirar e levantar a camisa é proibido, porque esconde os patrocínios.

Carlos Eduardo também veio emprestado -- do clube russo Rubin Kaza (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Carlos Eduardo também veio emprestado -- do clube russo Rubin Kaza (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Os jogadores têm metas e ganharão bônus quando elas forem alcançadas. O próprio clube receberá um bônus dos patrocinadores por bom desempenho. No papel, é promissor. Fora dele, há muito a percorrer. O Flamengo foi eliminado do campeonato carioca e ainda não se destacou na Copa do Brasil. Os torcedores flamenguistas sonham com o momento em que a administração saneada vai se traduzir no que realmente importa: gols e dinheiro.

08/12/2012

às 20:16 \ Disseram

Ronaldinho Gaúcho de bike e Neymar de moto?

“Ele vai de moto e a gente de bicicleta.”

Ronaldinho Gaúcho, melhor atleta do torneio, referindo-se a Neymar

10/06/2012

às 18:17 \ Disseram

Kalil para Ronaldinho Gaúcho: agora a festa é só em campo!

“Queremos fazer festa é dentro do campo. De festa fora do campo o saco dele (Ronaldinho) já está cheio.”

Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, falando sobre a contratação do craque gaúcho que tem fama de farrista

 

25/04/2012

às 17:02 \ Tema Livre

O império da gandaia: craques endinheirados no Rio deixam o futebol em segundo plano

DE CAMAROTE Ronaldinho como ele gosta: na boate, rodeado de garotas em espaço vip onde a entrada é controlada por um séquito de seguranças ronaldinho-gaucho-balada

DE CAMAROTE -- Treinar forte? Que nada. Ronaldinho como ele gosta: na boate, rodeado de garotas em espaço vip onde a entrada é controlada por um séquito de seguranças (Foto: Felipe Assunção)

Jogadores de futebol

O IMPÉRIO DA GANDAIA

 

Com dinheiro de sobra, muita disposição para se divertir e pouco compromisso com a disciplina, Ronaldinho Gaúcho e Adriano injetam ainda mais animação no sempre agitado roteiro festivo dos jogadores de futebol no Rio de Janeiro

 

Em pleno feriadão da Semana Santa, a polícia foi chamada ao Condomínio Mansões, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde mora o jogador Adriano.

O motivo era o de sempre. Um morador incomodado com o barulho da festa. Afinal, no mundo sério e disciplinado dos atletas profissionais, uma categoria que historicamente não se dobra é a dos jogadores de futebol. Se for no Rio de Janeiro, então, adeus, regulamento.

É da tradição futebolística local que toda semana os festeiros de cada time, dividindo despesas, promovam cervejadas com petiscos ou então um churrasco e sua indefectível trilha sonora, o pagode. Essa rotina se intensificou e, digamos, requintou com o desembarque no Flamengo, em fevereiro do ano passado, do atacante Ronaldinho Gaúcho, que chegou da Europa precedido da fama internacional de baladeiro.

Adriano faltou a 67 sessões de fisioterapia no Corinthians

Ronaldinho subiu o nível da gandaia. Banca as festas sozinho, servindo bebidas caras e comida de qualidade. Ele reinou sem concorrentes nessa divisão de elite até a volta de Adriano, em março, disposto a recuperar a alegria depois de uma sofrida temporada no Corinthians – em que faltou a 67 sessões de fisioterapia nas quais deveria tratar uma lesão no tornozelo.

Na madrugada de sexta-feira, a moradora da mansão dos fundos, cansada de reclamar, resolveu revidar barulho com barulho e instalou sua própria caixa de som no quintal.

Amigos de Adriano pularam o muro, pegaram o equipamento e jogaram tudo na piscina de outro vizinho.

 

festa-casa-adriano

NA MANSÃO -- Convidados em volta da piscina: as festas de Adriano têm barulho, queixas de vizinhos e e a constante presença da polícia (Foto: AGNews)

A animação é tamanha que a gerência de futebol do Flamengo resolveu pedir moderação aos seus jogadores. “Tenha garra e força de vontade para deitar cedo e cumprir as atividades propostas pela nossa comissão técnica”, exortou em carta.

Gaúcho, em fase de pouco brilho e especulações de demissão, não moderou. Ele também mora em um condomínio de luxo na Barra, o bairro da cidade que oferece sob medida o que os jogadores milionários procuram: casas enormes em locais protegidos por guaritas e muros.

Barulho em locais alugados

Já incomodou muito vizinho por lá, mas aquietou-se depois que os moradores lhe entregaram um abaixo-assinado pedindo paz. Foi fazer barulho em locais alugados.

Em março, comemorou seu aniversário em dose tripla. Primeiro, reuniu a família em casa. Depois, juntou um grupo mais chegado numa suíte de motel. A festa mais animada foi em um sítio em Vargem Grande, onde várias vezes o aniversariante se refugiou no andar de cima, sempre acompanhado de uma das muitas convidadas.

Farras desse tipo não são exclusividade do Rio de Janeiro. “Onde tem jogador tem festa. Poucos atletas conseguem conciliar bem carreira com vida social”, constata Tostão, ex-jogador, atualmente comentarista.

Os clubes cariocas, tradicionalmente lenientes

Mas é no Rio que sempre montaram base os festeiros mais eméritos, começando por Garrincha e passando por gerações mais recentes cujos craques da gandaia foram o agora treinador Renato Gaúcho, o deputado federal Romário e Vagner Love – hoje casado e considerando-se “comportado”.

Os clubes cariocas são tradicionalmente lenientes. “Jogador que não anda na linha lá fora leva advertência e multa. Aqui, não”, critica Júnior, também ex-jogador e comentarista. “Para mim isso demonstra uma falta de pulso firme e profissionalismo dos clubes. Alguns inclusive atrasam salários. Como vão cobrar disciplina?”, analisa.

 

festa-jo

DESCUIDO -- Jô e convidadas, na festa a fantasia: no dia seguinte, dois smartphones seus haviam desaparaecido

Quatro convidadas para cada convidado

Nesse clima favorável, anfitriões como Ronaldinho e Adriano movimentam todo um mercado de trabalho. Em suas festas, os garçons perambulam com bandejas carregadas de pizza, comida japonesa e churrasco. Um barman fica encarregado das bebidas: uísque, energético, vodca e rios de cerveja. Seguranças e amigos mais chegados convocam as amigas – no mínimo quatro para cada convidado do sexo masculino.

As moças circulam em duas categorias: as que alegram festas em troca de remuneração e as que a-do-ram jogador de futebol. Laços de amizade são renovados incessantemente nos cômodos internos, seja em duplas, seja em grupos maiores. As garotas praticam o sigilo absoluto, sob pena de serem banidas da lista de presença, controladíssima por um bando de seguranças fixos de confiança.

Limpando digitais dos copos e talheres

São eles que cuidam de impedir fotos de qualquer espécie. Cabe ainda aos seguranças pagar contas duvidosas (por exemplo, de jogadores casados) e apagar provas incriminadoras.

Um dos atuais craques do Fluminense chega a andar com um capanga a tiracolo só para limpar suas digitais de copos e talheres. Esses tipos impedem ainda furtos ocasionais, como o que sofreu o menos precavido jogador Jô, do Internacional. Numa festa a fantasia que promoveu no ano passado, surrupiaram-lhe dois smartphones recém-comprados na Inglaterra.

Os craques também desempenham suas qualidades em casas de shows e boates da Barra, onde se encerram em camarotes de entrada controlada. A conta gira em torno de 5 000 reais por noite.

motel-vips-rj

INDEVASSÁVEL -- Suíte de motel na Barra: local de festas com privacidade garantida

No Mercado do Produtor, uma área de restaurantes de frutos do mar que também lhes serve de ponto de encontro, as janelas do 2º andar ganharam tapumes improvisados de papelão para garantir a privacidade dos atletas do copo.

Motéis com churrasqueira, terraço, piscina e cascata

Igualmente requisitadas para festas são as suítes de luxo dos motéis.

A Millenium, do Vip’s, com mais de 500 metros quadrados, além de churrasqueira e terraço com piscina e cascata, foi palco de muitas e ruidosas celebrações. Custa 900 reais por oito horas, mais 100 reais por convidado extra.

Depois de tanto empenho, como é que a torcida e o clube podem querer que suas excelências, milionários de calção, ainda joguem futebol? É  pedir demais.

(Publicado em VEJA 18 de abril de 2012, por Alessandra Medina e Leslie Leitão)

08/10/2011

às 13:00 \ Tema Livre

Futebol: os 10 melhores jogadores brasileiros atuando na Europa

top-10

Legião brasileira do Porto, vencedor da Liga de Campeões da Europa em 2004: (da esq. para a dir.): Hulk, Walter, Souza, Hélton, Fernando e Maicon. Um ano para comemorar

Amigos, a temporada de futebol na Europa já percorre sua fase inicial, mas achei muito interessante, para os leitores, mostrar os 10 melhores brasileiros atuando no Velho Continente na temporada passada, segundo um formidável júri de especialistas reunido pela revista Placar.

Na pior das hipóteses, a lista serve para os apreciadores do futebol acompanharem o desempenho dos dez este ano. Irão se manter na lista? A ver

. . . . . . . . . . . . . . . .

Top 10 – Os melhores brasileiros na Europa

Já se vão três anos e meio desde que Kaká subiu ao palco da Ópera de Zurique para receber, das mãos de Pelé, o troféu de melhor jogador do mundo pela FIFA. De fato, foi a última vez que um jogador brasileiro exerceu o papel de protagonista no futebol europeu.

Kaká passou por uma via-crúcis de lesões e cirurgias. Ronaldinho Gaúcho entrou em declínio técnico e anímico e acabou retornando ao Brasil. Robinho nunca confirmou ser o jogador que todos esperavam. Adriano deu mais o que falar por suas atuações fora de campo. O ocaso de nossas estrelas na Europa se torna ainda mais evidente quando se constata que o principal jogador brasileiro em atividade é um garoto de 19 anos, que ainda atua pelo futebol brasileiro: Neymar.

O que não significa, é claro, que não haja brasileiros atuando em alto nível no futebol europeu. Dificilmente teremos algum representante na eleição dos melhores do mundo, mas certamente alguns dos destaques da última temporada são brasileiros. Tivemos o artilheiro do campeonato português, o melhor jogador do futebol italiano e um integrante da equipe que joga o melhor futebol do mundo.

PLACAR pediu a 15 jornalistas brasileiros e europeus que elegessem os melhores brasileiros da temporada europeia 2010/11. A exemplo do que já ocorrera na temporada anterior, é possível notar uma mudança de eixo: salvo algumas exceções, os melhores brasileiros já não são meias ou atacantes, e sim jogadores de defesa. Os dez mais votados estão nas próximas páginas.

Colégio eleitoral: Alessandro De Calò (Gazzetta dello Sport), Arnaldo Ribeiro (ESPN), Boris Bogdanov (Sport Express), Fabian Torres Naufal (Marca), Gian Oddi (iG), Hitesh Ratna (Four Four Two), John Baete (Foot Magazine), José Manuel Freitas (A Bola), Jorge Luiz Rodrigues (O Globo), Lédio Carmona (SporTV), Marcelo Barreto (SporTV), Mauro Beting (Rede Bandeirantes), Paul Simpson (Champions Magazine), Rodrigo Bueno (Folha de S.Paulo), Sérgio Xavier (Placar)

10. Nenê, atacante, 29 anos, Paris Saint-Germain, 56 jogos, 21 gols


top-10-10

O futebol francês certamente não está entre os mais vistos (ou vistosos) da Europa. Mas quem acompanha a Ligue 1 sabe que há algum tempo o meia-atacante Nenê, ex-Santos, é um dos destaques da competição. Principal contratação do Paris Saint-Germain para esta temporada, foi o artilheiro da equipe na competição. Não à toa, o clube parisiense voltou a frequentar a parte de cima da tabela.

“Um dos protagonistas do Milan. Sua obra de arte foram os dois gols no derby contra a Inter.”

Alessandro de Calò, redator-chefe da Gazzeta dello Sport

9. Pato, Atacante, 21 anos, Milan, 32 jogos, 16 gols

top-10-9

É possível um jogador sofrer três lesões em uma única temporada e ainda ser considerado um dos destaques de seu time? Foi o que fez Alexandre Pato no Milan. Mais forte e maduro, o atacante não se intimidou com a chegada de Robinho e Ibrahimovic. Garantiu seu lugar entre os titulares, comprovou ser um ótimo finalizador com 16 gols em 32 jogos e fincou de vez o pé na seleção de Mano Menezes. Ah, se não fossem as contusões…

8. Hernanes, Meia, 25 anos, Lazio, 36 jogos, 12 gols


top-10-8

Se a Lazio foi a sensação do primeiro turno do Campeonato Italiano, quando chegou a liderar a competição, parte do sucesso deve ser creditada a Hernanes. Escalado como meia, com liberdade para chegar ao ataque, ele rapidamente se tornou a referência de um elenco carente de grandes nomes.

No segundo turno o time perdeu fôlego, mas a arrancada inicial foi suficiente para garantir uma vaga na Liga Europa – o melhor resultado desde a temporada 2006/07.

Com rápida adaptação ao estilo italiano, marcou 11 gols na Serie A. Sua temporada só não foi perfeita porque desperdiçou sua chance na seleção, ao ser expulso no amistoso contra a França. Depois disso, não foi mais lembrado por Mano Menezes.


“Ele conseguiu, quase sozinho, salvar o Málaga do rebaixamento com seus gols.”

Hitesh Ratna, editor da revista Four Four Two

7. Júlio Baptista, Meia, 29 anos, Málaga, 18 jogos, 9 gols


top-10-7

A presença de Júlio Baptista em uma lista de melhores da temporada pode ser surpreendente. Afinal, ele foi uma das presenças mais contestadas da seleção de Dunga, em 2010, e teve um início de temporada desastroso na Roma, quando amargou longo período na reserva.

Tudo mudou quando foi anunciado como uma das contratações da janela do Málaga, em janeiro, assim que o clube foi comprado por um xeque do Catar. E em 11 partidas pelo clube ele marcou nada menos que nove gols – oito deles numa sequência de seis jogos cruciais para a manutenção da equipe na primeira divisão da Liga Espanhola, após várias rodadas na lanterna.

Seu ciclo na seleção parece ter chegado ao fim, mas o meia mostrou que ainda é capaz de atuar em grande nível na Europa.

“Antes tido como leve e afoito demais, mostrou-se à altura dos desafios da temporada.”

Paul Simpson, editor da revista Champions

6. Lucas Leiva, Volante, 24 anos, Liverpool, 46 jogos, 1 gol


top-10-6

Desde 2007 no Liverpool, Lucas nunca havia conseguido demonstrar no clube inglês a mesma regularidade que lhe garantiu a conquista da Bola de Ouro de PLACAR em 2006. Mesmo nas temporadas em que o clube fez boas campanhas no Campeonato Inglês e na Liga dos Campeões, ele oscilava demais e estava longe de ser uma unanimidade.

Pois Lucas conseguiu sobressair-se em uma temporada turbulenta do Liverpool, em que o clube cambaleou no Inglês e na Liga Europa. Ganhou confiança, conquistou de vez a posição e supriu a ausência do capitão Steven Gerrard, que se lesionou no início deste ano. E ainda se tornou um dos homens de confiança do meio-campo de Mano Menezes.

“Numa defesa e num campeonato de poucos nomes badalados, foi um monstro.”

Rodrigo Bueno, editor da Folha de S.Paulo

5. Marcelo, Lateral-esquerdo, 23 anos, Real Madrid, 50 jogos, 5 gols


top-10-5

Poucos clubes no mundo têm um ambiente de cobrança como o do Real Madrid. Com uma torcida exigente e sedenta por uma hegemonia continental, o gigante europeu vive dias difíceis, em que contratações milionárias não têm sido suficientes para ofuscar o brilho do rival Barcelona.

Alheio a isso, Marcelo fez da quinta temporada pelo Real Madrid sua melhor na Europa. Sob o comando de Mourinho, evoluiu no posicionamento – embora ainda seja melhor no apoio que na defesa – e marcou seus golzinhos. Apesar disso, seu temperamento parece não ser compatível com o de Mano Menezes, com quem já trocou farpas publicamente.

“Aproveitou como poucos a chance de jogar com Mourinho. Melhorou como lateral ofensivo e aprendeu a defender. Tornou-se completo.”

Lédio Carmona, comentarista do SporTV

4. Thiago Silva, Zagueiro, 26 anos, Milan, 41 jogos, 1 gol


top-10-4

Seria uma injustiça dizer que o primeiro ano de Thiago Silva foi ruim. Pelo contrário: suas atuações na temporada 2009/10 já haviam lhe garantido uma vaga na seleção que foi à África do Sul. Mas o desempenho do Milan, carente de uma urgente renovação, em nada ajudava. Nesta temporada, porém, os rossoneri fizeram uma excelente campanha no Italiano. Extremamente técnico, Thiago Silva foi um dos grandes destaques do time. Eleito o melhor jogador da temporada na Itália, ele conseguiu se destacar em um país que sabe valorizar a posição de zagueiro. E isso tudo ocupando um lugar que foi de ninguém menos que Paolo Maldini. Não é pouca coisa.

“Joga no melhor time do planeta dos últimos 40 anos. E é um lateral que parece ponta. Recuperou-se de uma Copa decepcionante.”

Mauro Beting, comentarista da Rede Bandeirantes

3. Daniel Alves, Lateral-direito, 28 anos, Barcelona, 51 jogos, 4 gols


top-10-3

Na Copa 2010, Daniel Alves era tido como uma espécie de 12º jogador da seleção de Dunga: a lateral direita era de Maicon, mas era preciso encontrar um lugar para ele no time. Um ano depois, é praticamente impossível encontrar uma equipe em que ele não tenha lugar. Não é por acaso que Daniel Alves é hoje titular da seleção de Mano Menezes e, muito provavelmente, o melhor lateral-direito do mundo.

Com excelente visão tática, passes precisos e muito vigor físico, ele é uma das peças fundamentais de um dos maiores times de todos os tempos – o Barcelona multicampeão de Guardiola. Se os quatro gols que ele marcou em 51 jogos pelo Barcelona na temporada não são suficientes para impressionar, as 17 assistências certamente são.

“Hulk fez uma temporada fantástica. Domina a bola nos pés, arranca, dá assistências e finaliza bem. É um jogador completo.”

John Baete, editor da revista Foot Magazine


2. Hulk, Atacante, 24 anos, Porto, 50 jogos, 35 gols


top-10-2

O apelido de Hulk pode parecer jocoso, fazer com que se subestimem seus superpoderes. Mas Hulk foi realmente um super-herói para o Porto nesta temporada. Com impressionantes 23 gols em 26 jogos, foi protagonista do título português invicto, jogando a temporada inteira em alto nível.

Forte, com excelente poder de finalização, é sempre perigoso, jogando pelo meio ou pela ponta. E, além de tudo, não é fominha: se Falcao Garcia marcou tantos gols na Liga Europa, deve em parte à grande forma de Hulk. Passou a ser cobiçado pelos grandes europeus e teve algumas oportunidades na seleção – embora ainda precise provar que tem estofo para ser o sucessor de Luís Fabiano.

“O futebol inglês está boquiaberto com um zagueiro que conjuga a energia defensiva tão venerada pelos torcedores locais com o desejo latino de jogar bola.”

Duncan Castles, jornalista do Sunday Times

1. David Luiz, Zagueiro, 24 anos, Chelsea, 34 jogos, 2 gols


top-10-1

Nas praias de Salvador, ele era “Macarrão”. Em Lisboa, virou “Sideshow Bob”, personagem dos Simpsons. Em Londres, tornou-se “Valderrama”. Na temporada 2009/10, quando atuava pelo Benfica e era praticamente desconhecido no Brasil, já havia sido eleito o melhor jogador do Campeonato Português. Em janeiro deste ano, desembarcou em Londres por 21,3 milhões de libras – o valor mais caro já pago por um zagueiro brasileiro.

O desafio de jogar na principal liga do planeta, por um dos maiores clubes do mundo, não intimidou David Luiz. Não é à toa que hoje ele é titular da seleção e um dos melhores do mundo. Há quem garanta que, se ele pudesse ser inscrito para a fase final da Liga dos Campeões, a sorte do Chelsea na competição teria sido outra. Se a enorme cabeleira ajuda David Luiz a chamar atenção, seu futebol sustenta o foco.

“Deixou de ser o outro zagueiro brasileiro do Benfica para virar titular do Chelsea e da seleção.”

Marcelo Barreto, jornalista do SporTV

Menções honrosas

alex-fabio-sandro

Alex, Fábio e Sandro

Alex: aos 32 anos, continua decisivo no Fenerbahçe. Fez 27 gols em 32 jogosenções honrosas; Fábio: versátil, especialmente na reta final da temporada, e Sandro: sem muito alarde, conquistou seu espaço no Tottenham e na seleção.

robinho-douglas

Robinho e Douglas Costa

Robinho: enfim uma temporada para comemorar na Europa, com gols e título italiano e Douglas Costa: destacou-se entre os brasileiros do Shakhtar na Liga dos Campeões.

Quem teve uma temporada para esquecer

kaka-adriano

Kaká e Adriano

Kaká: as seguidas lesões foram implacáveis com o craque. Pouco jogou, e Adriano: fez cinco jogos pela Roma, não marcou nenhum gol e voltou ao Brasil.

gomes-diego-luis-fabiano

Gomes, Diego e Luis Fabiano

Gomes: do céu ao inferno. Firmou-se no Tottenham, mas falhou na reta final, Diego: no Wolfsburg, não chegou nem perto do sucesso dos tempos de Werder Bremen e Luis Fabiano: cobiçado pelo Milan, mas foi atrapalhado por lesões e voltou ao São Paulo.


(Reportagem de Jonas Oliveira publicada originalmente na edição de junho de 2011 da revista Placar)

25/09/2011

às 20:17 \ Disseram

Ronaldinho: “Pra machucar? No Dunga.”


“Pra machucar? No Dunga.”

Ronaldinho Gaúcho, o craque do Flamengo, dizendo no programa CQC em quem daria um carrinho (ataque brusco com os dois pés nas pernas do adversário)

17/09/2011

às 16:00 \ Tema Livre

Mano Menezes: “Não basta contar com jogadores de alto nível se eles têm uma postura individualista”

25/08/2011 MANO MENEZES.FOTO.CLAUDIO GATTI

Mano Menezes: "Só a partir da Olimpíada de 2012 o time que vai disputar o Mundial no Brasil começará a ser realmente definido" (Foto: Cláudio Gatti)

Em entrevista concedida às jornalistas Leslie Leitão e Sandra Brasil, publicada originalmente na edição 2.234 de VEJA, em 14 de setembro de 2011,  Mano Menezes fala de diferentes assuntos relacionados à seleção brasileira, que comanda desde o ano passado.

O técnico gaúcho, que até o momento possui pior desempenho que seus quatro antecessores (leia mais aqui) é honesto ao admitir o momento difícil do elenco verde e amarelo a menos de 1.000 dias do início do torneio. Mano aponta a falta de tempo como um dos principais adversários para devolver a equipe ao primeiro escalão do futebol mundial. Mesmo assim, garante que a corrida contra o tempo resultará em um time à altura do que o torcedor espera.

Saindo um pouco dos temas mais previsíveis, o técnico que trouxe Grêmio e Corinthians da Segundona – mas que ainda não venceu nenhuma seleção grande à frente da Canarinho – explica sua predileção pela seleção alemã, para ele melhor até que a espanhola campeã do mundo. Debate, ainda, as dificuldades de manter jovens e velhos talentos-celebridades na linha, citando Neymar e Ronaldo, e comenta a volta de Ronaldinho ao time nacional.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Mano Menezes: ”Sou movido a pressão”

O técnico da seleção brasileira diz que não pode nem entrar em táxi que já vira alvo de cobranças. Reconhece que há muito que avançar, mas confia: “Temos tempo”

Em meio a críticas e rumores de que seu cargo estaria por um fio, Mano Menezes, de 49 anos, dezenove como treinador de futebol, diz que não perde um minuto de sono com isso. No comando da seleção brasileira há pouco mais de um ano, depois de uma bem-sucedida passagem pelo Corinthians, ele se destaca no cenário esportivo pela racionalidade e franqueza: “Há ainda muito trabalho pela frente para alçar o futebol brasileiro de novo ao topo”.

Desde a infância, que passou na cidade gaúcha de Venâncio Aires, Mano adorava futebol, mas acabou técnico por falta de jeito em campo. Hoje, assiste diariamente, sozinho e com um bloco na mão, a pelo menos quatro jogos diferentes.

Vaidoso, Mano, que nasceu Luiz Antônio Venker Menezes e usa o apelido que ganhou da irmã mais velha, recebeu VEJA trajando um dos seus ternos Armani bem assentados sobre seu corpo 6 quilos mais magro – resultado de dieta e exercícios nos últimos meses.

Com tantos talentos em campo, por que a seleção brasileira joga hoje um futebol tão pouco empolgante e eficaz?

Não basta contar com jogadores de alto nível se eles têm uma postura individualista. Tratados hoje como celebridades, sempre sob os holofotes, muitos acabam mais preocupados com o próprio desempenho do que com o do time. No futebol, tudo conspira para o individua­lismo.

A seleção brasileira não foge à regra. Minha maior dificuldade é justamente fazer com que os jogadores entendam que são parte de uma equipe, que cada um é apenas uma peça. O que torna essa tarefa mais complexa é o momento que vive a seleção. Estou à frente de uma renovação radical. Eu mesmo ainda estou iniciando um trabalho. Preciso de tempo.

Só a partir da Olimpíada de Londres, em 2012, o time que vai disputar o Mundial no Brasil começará a ser realmente definido. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados