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Cuba

31/03/2014

às 18:00 \ Vasto Mundo

CUBA: reformas econômicas “modernizadoras” e pró-investimentos estrangeiros obscurecem fato abominável de que regime vai embolsar parte dos salários dos trabalhadores contratados

O Porto de Mariel, em Cuba, ampliado e modernizado com financiamento do BNDES: crucial para a "abertura econômica" da ditadura comunista (Foto: Reuters)

O Porto de Mariel, em Cuba, ampliado e modernizado com financiamento do BNDES: crucial para a “abertura econômica” da ditadura comunista (Foto: Reuters)

A papagaiada foi a de sempre, em regimes ditatoriais que pretendem exibir alguma fachada de democracia: os 612 deputados da Assembleia Nacional de Cuba aprovaram por unanimidade a nova lei de investimentos estrangeiros que, teoricamente, abre a economia da ilha para os capitais dos grandes centros.

Na verdade, tudo, como sempre, havia sido decidido pela meia dúzia de integrantes da cúpula do Partido Comunista, à frente o ditador Raúl Castro, 82 anos, e a medida rotulada de “histórica” visa, com investimentos de fora, injetar alguma modernidade no caquético aparelho produtivo cubano. O que funciona, hoje, na ilha, é o reduzido e controlado setor privado, que segundo dados oficiais, incluiria meio milhão de cuentapropistas, ou seja, pessoas que trabalham por conta própria em pequenos negócios.

A medida se soma à modernização e ampliação do porto de Mariel, financiada pelo Brasil, em torno do qual haverá uma espécie de “zona especial”, onde vai vigorar o regime capitalista, com livre circulação de moeda estrangeira e uma série de estímulos a investimentos, como ocorre na China.

Cuba quer atrair interessados em melhorar o setor agrícola e florestal, o comercio atacadista, ampliar e multiplicar as industrias, dinamizar os setores de energia, transportes, minas e construção, aprimorar o turismo e explorar com mais empenho petróleo em sua costa, diante das incertezas existentes quanto a continuar recebendo óleo a preços favorecidos pelo regime chavista da Venezuela que, como se sabe, faz água e enfrenta grave crise econômica.

Certos setores, porém, continuarão totalmente em mãos do Estado, como educação e saúde — ou seja, universidades ou hospitais estrangeiros privados de renome, por exemplo, não poderão, se quiserem, se instalar na ilha.

A Assembleia Nacional de Cuba "vota" o que a cúpula do Partido Comunista já havia decidido: abertura ao capital estrangeiro, mas controle na contratação de trabalhadores (Foto: Granma)

A Assembleia Nacional de Cuba “vota” o que a cúpula do Partido Comunista já havia decidido: abertura ao capital estrangeiro, mas controle na contratação de trabalhadores (Foto: Granma)

As medidas aprovadas são interessantes, e é preciso escarafunchar a nova legislação para encontrar, ali, o lado negro — as inventivas formas que o regime cria para explorar os trabalhadores cubanos.

Então, enquanto o regime chama a atenção para a isenção dos principais impostos por 8 anos a empresas estrangeiras que se instalarem na ilha, sistema que pode prosseguir se houver reinvestimento dos lucros, ou para regras que garantem segurança legal contra expropriações — se vierem a ocorrer, “por motivos de utilidade pública ou interesse social”, haverá indenização em dinheiro –, o ministro de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros, Rodrigo Malmierca, deixou claro que não será autorizada a “livre contratação” de trabalhadores.

É o esquema dos médicos cubanos que vieram para o Brasil: a empresa estrangeira que quiser contratar um operário ou um engenheiro, por exemplo, deverá fazê-lo por meio do que Malmierca chamou “as entidades empregadoras do Estado cubano”. O que significa que, a despeito das promessas de que haverá negociação salarial para “estimular” os trabalhadores e tornar “eficientes” as empresas, o Estado vai embolsar parte do que os contratados receberão.

Como os “gatos” (agenciadores ilegais) de mão-de-obra no campo, no Brasil. Como se o Estado cubano fosse dono dos trabalhadores, e alugasse a terceiros o produto de seu esforço, deixando no ar um certo e revoltante ar de trabalho escravo.

19/03/2014

às 19:45 \ Política & Cia

VENEZUELA: A jovem deputada da oposição chama Maduro pela palavra certa — ditador

Deputada oposicionista, María Corina Machado participa de protestos em Caracas

A deputada oposicionista María Corina Machado participa de um protesto em Caracas: coragem de chamar as coisas pelo nome certo

Post do leitor e amigo do blog Moacir 1

Post do LeitorNa Venezuela jovens e velhos, estudantes e trabalhadores continuam defendendo suas barricadas nas cidades venezuelanas e multidões tomam as ruas de Caracas. Entre as bandeiras agitadas a gente consegue ver enormes bonecos .

Alguns dos quais muuuuito parecidos com o “comandante” Maduro.

E de repente nos deparamos com uma mulher franzina, de aspecto jovem em seus 40 anos. A corajosa deputada oposicionista Maria Corina Machado.

Ela faz um discurso emocionado, para lembrar aos que ali estão que manifestação pacífica é um direito de todos.

Que as guarimbas (como são chamados os agitadores infiltrados que incitam a violência em meio aos protestos) não estão sendo estimuladas por nenhum líder opositor.

Não tem medo de chamar Maduro do que ele é: DITADOR!

Em seus discursos, María Corina pede aos hermanos…

* que não deixem de ir para a rua pedir justiça para os assassinos de 28 venezuelanos;

* clamem pela liberdade para os mais de 400 presos políticos e para a imprensa;

* que não desistam de dar um “basta” à violenta repressão do regime;

* que insistam no apoio internacional contra todos os crimes que vêm sendo sistematicamente cometidos contra os direitos humanos pelo chavismo.

E exige, ainda, solução para os verdadeiros problemas da Venezuela: os terríveis indicadores de criminalidade, a inflação, a loucura cambial, a desindustrialização, o desabastecimento, a intromissão de Cuba nos assuntos do país.

María Corina luta como uma gigante, pela liberdade e pels direitos humanos

María Corina: “lá está ela, de jeans, pequenina, lutando feito um gigante”

Aquela jovem senhora, pela qualidade de seu discurso, poderia estar vivendo tranquilamente em qualquer lugar civilizado do vasto mundo.

Mas lá está ela, de jeans, pequenina, lutando feito um gigante.

A multidão avança quando termina o discurso:

Milhares tomas as ruas em protesto

Milhares tomas as ruas em protesto

e os democratas venezuelanos saem dali esperançosos:

venezuela-manifestacao

Até algum blog da vida noticiar que María Corina, ao tentar embarcar em um voo doméstico no aeroporto de Caracas, foi agredida por um grupo de chavistas enfurecidos que, não contentes,  tentaram invadir e depredar o aeroporto, como mostra o vídeo:

Diante disso, nos resta a pergunta:

Como é que as coisas chegaram a esse ponto na Venezuela?

LEIAM TAMBÉM:

O que está por trás do tímido tratamento do governo do Brasil aos protestos na Venezuela?

Post do Leitor com VÍDEOS: O mito da saúde em Cuba e os médicos cubanos submetidos a regime análogo ao de escravo no Brasil

VENEZUELA: Em vídeo, misses se unem para pedir paz

VENEZUELA: A NOTA DO PT SOBRE O QUE OCORRE NO PAÍS É ASQUEROSA. E mostra nas mãos de quem nós, brasileiros, estamos

Nas ruas da Venezuela, cenas de guerra civil

25/02/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Post do Leitor com VÍDEOS: O mito da saúde em Cuba e os médicos cubanos submetidos a regime análogo ao de escravo no Brasil

Mito da saúde em Cuba

Mito da saúde em Cuba

Post do leitor e amigo do blog Moacir 1

O MITO DA SAÚDE EM CUBA

Post do LeitorEu conheço Cuba e jurei jamais por os pés de novo naquele inferno. Cuba é uma prisão a céu aberto. Um cortiço caindo aos pedaços. Um horror onde todos são exatamente iguais fazendo tudo exatamente igual, todos os iguais dias da pobre vida deles.

Fidel ali matou a diversidade e a criatividade que caracterizam a espécie humana. Aquela gente já nasce condenada à prisão perpétua.

Falar com um cubano é uma experiência interessante. Eles falam olhando pros lados, virando a cabeça para trás.

Vivem vigiados. Convivem com o medo. Têm várias caras: uma oficialista que louva a Revolução; uma assustada, que implora aos turistas e outra desesperada com que nos confessa entre suas quatro paredes o pesadelo em que vive.

Os cubanos não comem carne. Quando têm sorte, recebem 250 gramas de frango, que significa a ração mensal de proteína. Cubanos ganham em média 20 dólares por mês… médicos ganham isso.

Milhões de cubanos são mendigos profissionais. Abordam os turistas e imploram dinheiro, camisetas, desodorantes, sabonetes, CDs, revistas, livros, absorventes higiênicos…

Lá o mercado negro suaviza a existência. Adolescentes de ambos os sexos se prostituem por uns míseros dólares para turistas socialistas degenerados, fãs de Michael Moore e do Che. E tais dólares podem significar para as famílias daquelas quase crianças a diferenca entre a vida e o inferno.

A blogueira Yoani Sánchez há anos denuncia a farsa da excelência da medicina cubana. Segunda ela, um médico tem que diagnosticar, usando basicamente as mãos, seja uma fratura ou uma hemorragia interna. Não há equipamentos suficientes, máquinas para exames de imagem, medicamentos.

Um estudante de Medicina tem direito a usar um computador durante uma hora por mês. Nos hospitais, feitos para o POVO, as famílias dos doentes precisam levar seus próprios lençóis, toalhas, alimentos, água, produtos de asseio pessoal e de limpeza, e até colchões.

Há remédios de última geração, mas são os enviados pelos parentes exilados. Os membros da nomenklatura, os amigos dos “donos da Ilha” e os turistas endinheirados, porém, vão mesmo é para centros de primeira, até luxuosos e tão distante do cubano comum como o planeta Marte — tais como o CIMEQ (Centro de Pesquisas Médico-Cirúrgicas), a Clínica Central Cira García, o CIREN (Centro Internacional de Restauração Neurológica) ou o Hospital Clínico-Cirúrgico Hermanos Ameijeiras.

Vejam o vídeo aí. É nessas condições que trabalham os escravos de jaleco.

Então, infelizmente, se derem a esses profissionais mil dólares por mês, como pretende o governo, SIM, eles ficarão escravizados por aqui. A escravidão brasileira é melhor que a prostituição de um filho, por exemplo. Em caso de deserção dos pais, o filho poderá, além do mais, vir a ser perseguido.

Mas a questão não é essa. A questão é que somos uma Nação. Temos Leis. Trabalhistas inclusive. Pago todos os encargos trabalhistas que esse Desgoverno povoado de vigaristas me determina pagar.

Encargos trabalhistas são tributos sobre a folha salarial e despesas com previdência e seguridade social arcadas pelo empregador. O alto nível dos encargos trabalhistas no Brasil aumenta o custo da mão de obra em 100% e, consequentemente, os custos de produção de bens e serviços. Impede crescimento e investimento.

Por que eu, brasileiro, pago meus encargos trabalhistas e o Desgoverno do Brasil, por sua vez, NÃO PAGA OS DELE?

Os cubanos não são animais, não são reses marcadas com a marca dos Castros. Não são máquinas para serem alugadas. São gente e deveriam ser livres. São profissionais trabalhando para o Governo do Brasil.

É ILEGAL, ALÉM DE IMORAL, MANTER ESSES MÉDICOS NO BRASIL SEM LHES REGULARIZAR A RELAÇÃO DE TRABALHO.

Se o Ministério Público permitir tal absurdo, é melhor que rasguemos a Constituição deztepaiz! Já seremos, também nós, cubanos numa Ditadura Petista.

Vejam também o depoimento de um médico cubano que esteve em missão na Venezuela e hoje é asilado no Brasil:

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19/02/2014

às 16:58 \ Política & Cia

Contra críticas e deserções, Brasil quer convencer Cuba a explorar menos os médicos: passariam a ganhar 2,4 mil reais — os de outras nacionalidades continuarão com 10 mil!

Médicos estrangeiros beneficiados pelo programa federal participam de cerimônia em Brasília (Foto: Franco Rithele / Futura Press)

Médicos estrangeiros beneficiados pelo programa federal participam de cerimônia em Brasília. O médico em primeiro plano exibe a bandeira de Cuba (Foto: Franco Rithele / Futura Press)

Publicado no site de VEJA

CONTRA CRÍTICAS E DESERÇÕES, BRASIL QUER CONVENCER CUBA A PAGAR MAIS A MÉDICOS

Governo federal tenta ampliar o repasse pago aos profissionais da ilha, já que pretende usar programa como trunfo na corrida eleitoral deste ano

Em uma tentativa de amenizar as críticas a uma das vitrines eleitorais da presidente Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto tenta convencer a ditadura dos irmãos Castro a elevar o salário dos doutores cubanos que integram o programa federal Mais Médicos.

O governo brasileiro negocia com Cuba um aumento do valor pago aos médicos enviados pela ilha: de 400 dólares para 1.000 dólares, o equivalente a 2.400 reais – ainda muito longe dos 10.000 reais pagos a médicos brasileiros e de outras nacionalidades que integram o programa.

O governo avalia que o aumento seria eficiente ainda para frear as deserções.

Somente na semana passada, quatro cubanos abandonaram o programa. A situação dos médicos da ilha ganhou destaque após a desistência de Ramona Rodriguez, que fugiu de seu posto de trabalho em Pacajá, no Pará, e se abrigou na Câmara dos Deputados alegando ter sido enganada pelo governo cubano.

Na avaliação do Planalto, um salário maior para os profissionais poderia ajudar, também, a amenizar o descontentamento do Ministério Público do Trabalho. Uma investigação sobre as condições dos médicos recrutados em Cuba está em curso.

O procurador Sebastião Caixeta já avisou que deverá apresentar ao Ministério da Saúde, em breve, recomendações sobre a necessidade de se alterar a relação trabalhista. Dos 9.000 médicos que atuam no programa, 7.500 são cubanos.

O aumento do salário desses profissionais importados de Havana começou a ser discutido na Casa Civil, há duas semanas, em reunião com a presença dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Saúde, Arthur Chioro. Questionado sobre o assunto, Chioro afirmou estar “sensível” ao problema.

Médicos brasileiros recebem 10.000 reais, mesmo valor repassado pelo governo Dilma ao convênio firmado com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). “Qualquer trabalhador que tenha um aumento no salário fica feliz. Não seria diferente com a gente”, diz um médico cubano que atua em um posto de saúde da Zona Norte de São Paulo sobre o novo valor.

Ele afirma que com o aumento será possível economizar algum dinheiro para quando voltar a Cuba, ao contrário do que acontece atualmente. “Como estamos há apenas três meses aqui, ainda não deu para guardar muita coisa. Não dá para economizar tanto porque temos despesas pessoais, como internet e telefone”, diz.

De olho no governo paulista

Idealizado pela equipe do Ministério da Saúde, o Mais Médicos também terá destaque na campanha do ex-ministro Alexandre Padilha (PT) ao governo de São Paulo. Pesquisas do Planalto indicam que a maioria da população aprova o programa, um trunfo que o governo quer preservar até outubro.

Desde que a Ramona abandonou o programa, a oposição acusa o PT de se aproveitar do trabalho escravo. Nos bastidores, DEM e PSDB dizem que o acordo é uma troca, uma forma de amortizar o dinheiro brasileiro emprestado para a construção do Porto de Mariel, em Cuba.

 

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14/02/2014

às 20:20 \ Política & Cia

Porto financiado pelo Brasil em Cuba vai ser mote para PSDB “bater” no governo

Porto de Mariel, em Cuba: porto da esperança (Foto: Reuters)

Porto de Mariel, em Cuba: porto da esperança (Foto: Reuters)

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

PORTO DA ESPERANÇA

Em uma reunião na semana passada, a cúpula do PSDB elegeu os dois temas preferenciais para atacar o governo de Dilma Rousseff: a possibilidade cada vez mais concreta de apagão e o financiamento de 682 milhões de dólares do BNDES para a construção do Porto de Mariel, em Cuba.

Líderes tucanos se revezarão nas tribunas do Congresso para insistir nos dois temas, que também serão os principais dos programas que o PSDB levará ao ar em maio.

Dilma não tem nenhuma obra com sua marca no Brasil – todas que inaugurou são herdadas de Lula”, afirmou o ex-senador Tasso Jereissati ao comando tucano. “A única coisa que ela fez fica em Cuba e só beneficia cubanos.”

14/02/2014

às 19:00 \ Política & Cia

REYNALDO-BH: “Este é o modelo de saúde que se quer implantado no Brasil, com médicos cubanos submetidos a um virtual escravidão?”

"Quando se precisa esconder a intenção, abandonar a função às escondidas e buscar proteção de terceiros, estamos falando de trabalho escravo" (Imagem: Escravos na moenda, de Debret, 1835)

“Quando se precisa esconder a intenção, abandonar a função às escondidas e buscar proteção de terceiros, estamos falando de trabalho escravo” (Imagem: “Escravos na moenda”, de Debret, 1835)

Post do leitor e amigo do blog, Reynaldo-BH

Post do LeitorSimplificando: por que médicos abandonam o posto de trabalho?

Por que rejeitam salário e garantia de emprego e desaparecem?

O que leva estrangeiros a desistir e fugir, como se fossem criminosos?

De que têm medo?

Essas são perguntas básicas que devem ser dirigidas ao ex-ministro da Saúde e ex-médico Padilha e à comandante Dilma.

Não é necessário procurar a fundo, com teorias políticas ou sociológicas, a motivação desta debandada. Foram 27?

Serão cem, serão mil médicos cubanos a cair fora?

Pouco importa. Bastaria que houvesse UM.

Em uma situação normal (com médicos de outros países), bastaria que o desistente informasse que estava se desligando, e pronto. É da democracia — e direito líquido e certo de qualquer trabalhador.

Quando, porém, se precisa esconder a intenção, abandonar a função às escondidas e buscar proteção de terceiros, estamos falando de trabalho escravo.

Era deste modo que os escravos fugiam de senzalas.

Este é o modelo de saúde que se quer implantado no Brasil, com médicos cubanos submetidos a um virtual regime de escravidão trabalhista? Este é o sucesso da estratégia de atender à população?

Se ficamos preocupados com a qualidade do serviço vendido pela Sociedade Mercantil Cubana de Serviços Médicos (nome oficial) diretamente ao governo brasileiro, mais ainda devemos ficar com a falta de explicação. Um pronunciamento que – insisto – pode ser sobre UM caso isolado. Não é mais.

Nesta Era da Mediocridade onde o silêncio é mais revelador que as explicações (Lula, por favor, e a Rose? Não esquecemos!) a confissão é diretamente proporcional à ocultação da verdade pela via do “nada a declarar”.

Que Cuba escraviza seus cidadãos, já sabíamos. E o governo — do Brasil, do nosso país!!! — não somente sabia como ajudou na tarefa.

Que o salário servia para financiar o governo cubano, sempre se soube, com a aceitação do governo brasileiro de pagar menos de 10% do valor contratado pelos serviços ao trabalhador que o prestou.

Este é o grande projeto de Dilma e Padilha? Isto é o que têm a oferecer?

Essa aliança contra a classe trabalhadora, extorquindo a força de trabalho e escravizando médicos a ponto de optarem pela fuga é o resultado do bolivarianismo castro-lulista (cruzamento de jacaré com cobra d’água), baseado na ignorância e na falta de ética.

A questão é simples: ninguém LIVRE precisa fugir.

E a resposta que queremos não é a do governo de Cuba; é do governo brasileiro, de Padilha, Dilma e dos arquitetos de uma nova forma de escravidão – no Brasil – em pleno século XXI.

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04/02/2014

às 16:30 \ Política & Cia

O PORTO QUE O BRASIL FINANCIOU EM CUBA: Se é bom, por que é secreto?

FIDEL COM DILMA -- "Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca" (Foto: Alex Castro / AP)

FIDEL COM DILMA — “Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca” (Foto: Alex Castro / AP)

Reportagem de Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

SE É BOM, POR QUE É SECRETO?

Nos detalhes do empréstimo do BNDES para um porto em Cuba, protegidos por sigilo, está a resposta para saber se foi mesmo um bom negócio ou a sobrevida para a ditadura

Em visita a Cuba na semana passada, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o Porto de Mariel, reformado em sua maior parte com dinheiro brasileiro, participou de uma reunião de cúpula latino-americana e teve um encontro particular com Fidel Castro, que segue mandando no país mesmo tendo passado a bengala para o irmão Raúl.

Com a Venezuela reduzindo o envio de petróleo a aliados, o amparo brasileiro tornou-se essencial para a ditadura cubana. De Dilma, o enfraquecido Fidel ganhou suporte não apenas econômico como político. A presidente até ecoou a desculpa do “injusto embargo” dos americanos a Cuba, usada largamente pelos irmãos Castro para podar os direitos de sua população.

Na tentativa de justificarem ao público brasileiro o empréstimo de 682 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao porto dos gerontocratas, Dilma e seus subordinados apresentaram uma lista pronta de argumentos. Nenhum explica a razão da confidencialidade do acordo entre governos.

Uma das condições do empréstimo concedido pelo BNDES é que a ditadura só poderia gastá-lo na compra de bens e serviços brasileiros. Os capacetes de proteção, o cimento e até um carro Gol foram levados do Brasil. A maior parte das exportações foram serviços.

Os projetos de engenharia, por exemplo, foram traçados por escritórios brasileiros. Dos 233 milhões de dólares exportados para a ilha no ano passado para atender à obra, 201 milhões de dólares foram em serviços. O governo diz que 156.000 empregos foram gerados no Brasil.

Tudo muito bonito, não fosse o alto risco de calote. O Brasil aceitou conceder o empréstimo ancorado em garantia soberana, balizada pelos bancos centrais. Essa modalidade é segura quando há um mecanismo de compensação de exportações entre os países, o que não ocorre com Cuba.

O argumento do governo federal de que a modernização do porto caribenho ajudou a economia brasileira não se sustenta no campo do pensamento lógico. Se investir em uma ilha do Caribe submetida há mais de meio século a uma ditadura comunista tem efeito positivo na economia no Brasil, imagine, então, os ganhos se o dinheiro do contribuinte brasileiro tivesse sido investido diretamente na melhoria dos atulhados e obsoletos portos do Brasil.

É difícil para Brasília explicitar os motivos reais da generosidade na reforma do Porto de Mariel. O que a indigente economia cubana tem para exportar que justifica o investimento brasileiro? Nada. O Porto de Mariel ficou mundialmente conhecido em 1980 pela exportação em massa de… gente.

Em apenas duas semanas cerca de 125 000 cubanos escaparam da ditadura castrista, que, pressionada pela miséria, suspendeu a proibição de abandonar o país. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel.

Na impossibilidade de justificar o empréstimo a Cuba, a saída para o governo brasileiro foi classificá-lo como “secreto”. Os detalhes do projeto, portanto, só poderão ser conhecidos em 2027, dois anos antes do prazo final para Cuba quitar a dívida. É estranho que os negócios do governo do PT com Cuba e também com Angola sejam fechados em segredo.

Nem o Congresso Nacional tem acesso aos termos dessas transações. Dessa forma, até que esse conteúdo seja exposto à luz do sol, os brasileiros têm todo o direito de desconfiar das intenções desses projetos. Têm todo o direito de achar, por exemplo, que o que o Brasil fez foi simplesmente uma doação aos irmãos Castro. Ou coisa pior.

“Os técnicos do BNDES trabalham bem e são meticulosos com as garantias, mas, no final, o banco faz o que o governo manda”, diz Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Ministério do Desenvolvimento informa que o sigilo estava previsto no protocolo de entendimento assinado entre Brasil e Cuba — e só.

Propagou-se também a versão de que o porto cubano será útil às empresas brasileiras com a criação de uma zona especial de desenvolvimento (ZED). A construção dessa área industrial demanda um novo financiamento do BNDES, de 290 milhões de dólares.

Diz o professor Sérgio Lazzarini, da escola de negócios Insper: “É difícil perceber qual seria o interesse brasileiro no projeto. Os chineses fazem portos na África porque cobiçam as matérias-primas locais. Qual será o objetivo do Brasil em um mercado insignificante como o de Cuba?”.

Dilma falou que há várias empresas nacionais interessadas em se instalar na ZED, mas a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) não é capaz de citar uma única sequer. É arriscado instalar fábricas em Cuba, país que desconhece os conceitos de propriedade privada, lucro e respeito a contratos.

Os defensores do investimento em Mariel acreditam que fixar bandeira agora colocará o Brasil em posição privilegiada quando a economia cubana se abrir. Por esse ângulo também pode ter sido um tiro no pé, como prevê o historiador cubano Manuel Cuesta Morúa: “O modelo de Mariel dará fôlego novo à ditadura porque continuará impedindo o nascimento de um empresariado nacional, ao mesmo tempo que permitirá o enriquecimento ainda maior dos militares”.

Não se sustenta, ainda, a tese de que o porto se pagaria servindo de entreposto logístico, onde os grandes navios redistribuiriam sua carga para embarcações menores. “Se isso ocorrer, o Brasil terá favorecido os exportadores chineses”, diz Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP).

Até que o segredo sobre o projeto seja aberto, a melhor explicação é que se trata de um novo PAC: Programa de Amparo a Cuba.

28/01/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Post do Leitor: Essa escala “obrigatória” do avião presidencial em Portugal está mal explicada

O avião presidencial "Santos Dumont": seria necessária mesmo a escala de luxo em Lisboa (Foto: Agência Brasil)

O avião presidencial “Santos Dumont”: seria necessária mesmo a escala de luxo em Lisboa (Foto: Agência Brasil)

Como todo mundo sabe, a presidente Dilma e comitiva, na volta da capital mundial do capitalismo, Davos, na Suíça — sede do Fórum Econômico Mundial, de que a chefe do Executivo participou –, e a caminho da capital internacional do comunismo decrépito, Havana, em Cuba, fizeram uma controvertida escala em Lisboa, hospedando-se em hotel de luxo.

A explicação oficial foi de que o avião presidencial Santos Dumont precisou fazer escala técnica em Lisboa porque não tem autonomia para voar diretamente de Zurique, capital da Suíça, até Havana.

Um atento leitor e amigo do blog disputa, aqui, essa explicação. Confiram.

Post do LeitorTexto do leitor Moacir 1

Com relação a autonomia horária da aeronave da MandatáriA, ou seja, as tais 9hs e 45 minutos, tem alguma coisa muuuuuito errada nessa história.

Senão vejamos:

1. Inúmeras vezes o ex-Aeroloula fez o percurso Brasília/Paris sem escalas.Como seria isso possível?

Afinal de Brasília para Paris a duração média de voo, para a aeronave, é de 11 horas e 9 minutos. E confiram a distância: 5.369 milhas, ou 8.640,50 quilômetros.

2. Suponhamos, porém, que, por alguma razão, a aeronave tivesse apenas 9 horas e 45 minutos de autonomia.

Beleza.

Nesse caso a comitiva presidencial poderia ter feito…

a) uma escala técnica em Madrid, abastecido e enfrentado um voo até Havana de 9 horas e 37 minutos de duração, vencendo a distância de 4.634 milhas ou 7.457,60 quilômetros,

ou

b) parado em Lisboa só para abastecer e seguir viagem até Havana, em 9 horas e 3 minutos, voando 4.360,7 milhas ou 7.017,9 quilômetros.

A questão é apenas uma: por que a presidente precisou parar e Lisboa para descansar e não fez, pura e simplesmente, um voo noturno?

Um dos ambientes do avião presidencial: conforto é o que não falta (Foto: Agência Brasil)

Um dos ambientes do avião presidencial: conforto é o que não falta (Foto: Agência Brasil)

Afinal a aeronave presidencial nos custou 56 milhões de dólares, possui uma cabine de 80 metros quadrados, acomoda 55 pessoas e, apesar de não tão bela quanto a do Ritz, a aeronave possui uma suíte com banheiro privativo e um bom chuveiro.

Ou somente os brasileiros da planície cruzam — quando podem, é claro! — o Atlântico em voos noturnos, acomodados em poltroninhas econômicas, compradas em suadas prestações com o que sobrou de suas rendas, depois de paga a regulamentar montanha de impostos?

05/01/2014

às 17:56 \ Política & Cia

MENSALÃO: Chega de LUTO diante da decisão do Supremo. Vamos trocá-lo pela LUTA para tirar o lulopetismo do poder, com o VOTO . Eis 20 RAZÕES para votar contra o PT em 2014

O voto em outubro de 2014 é a grande arma para mudar o atual estado de coisas (Foto: Agência Senado)

Publicado originalmente em 23 de setembro de 2013

campeões de audiência 02CHEGA DE LUTO. A decepção pela decisão do Supremo de aceitar os embargos infringentes e, com eles, esticar o julgamento da quadrilha de mensaleiros até Deus sabe onde — com o risco de crimes graves serem prescritos, e quadrilheiros saírem livres, leves e soltos — foi um golpe duro na confiança na Justiça.

Escrevi dias atrás que jogava a toalha, e, quanto ao Supremo, joguei mesmo. Se vier cadeia para aqueles que tentaram um golpe de Estado branco contra a democracia, me considerarei no lucro. Mas, infelizmente — admito –, não deposito esperanças no tribunal.

Isso não me impedirá de continuar a escrever apontando as mazelas do lulopetismo que nos governa há já quase onze anos. Muito menos de apontar, sempre, a necessidade de não jogar a toalha quanto às ELEIÇÕES — não apenas para a Presidência, mas para o Congresso, algo para que grande parte dos brasileiros não dá a devida atenção na hora de votar.

Insistirei, sempre, na necessidade de tirar essa gente do poder pelo instrumento democrático do voto.

E começo hoje, dia em que dou um basta ao luto e proponho, em seu lugar, a LUTA política, por apontar PELO MENOS 20 RAZÕES PARA VOTAR CONTRA O PT NO ANO QUE VEM — o que significa votar contra o projeto hegemônico de Lula.

 O projeto hegemônico de Lula é também…

1. O projeto de tomar conta do Congresso, comprando-o com dinheiro sujo, e subordiná-lo ao Executivo,

2. O projeto daquele que o Ministério Público denunciou como sendo “chefe da quadrilha do mensalão” — e que como tal foi aceito pelo Supremo Tribunal –, o ex-ministro José Dirceu, o velho projeto totalitário de “bater neles nas urnas e nas ruas”,

Dirceu com Lula nos tempos em que comandava a Casa Civil e Lula era presidente: projeto hegemônico e de manter o poder a qualquer custo (Foto: veja.abril.com.br)

3. O projeto de quem cooptou a maior parte dos partidos políticos representados no Congresso num processo obsceno de fornecimento de cargos, verbas parlamentares, vantagens e facilidades várias, tudo o que antes o lulopetismo criticava como sendo a “velha política” brasileira — que agora ele próprio pratica de forma descarada, em aliança espúria com gente como Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor e semelhantes, com o objetivo de manter-se no poder até onde a vista alcança.

4. O projeto de um “núcleo duro” estalinista que nunca escondeu seu desprezo pela “democracia burguesa” — e que continua não escondendo.

5. O projeto de Rui Falcão, aquele que, embora nascido e cevado nela, denuncia “a elite” e ofendeu o Supremo Tribunal Federal ao incluí-lo entre a oposição “conservadora, suja e reacionária”.

6. O projeto de Franklin Martins — que voltou a frequentar o Planalto — e sua turma, que a cada momento ressurge dentro do PT querendo um certo “controle social” da imprensa, sinônimo de calar a boca da imprensa independente.

7. O projeto dos que somente aplaudiram o Supremo Tribunal Federal APÓS a admissibilidade dos embargos infringentes — ANTES, denunciavam as condenações impostas pela corte aos quadrilheiros ladravazes como sendo um “golpe” da oposição e da imprensa e uma condenação arbitrária e “sem provas” – , não aceitando as regras mais elementares da democracia e do Estado de Direito,

8. O projeto de quem enfraqueceu o Supremo com designações de integrantes sem currículo para estar na Corte, e depois procurou aparelhá-lo, no transcurso do julgamento do mensalão, com certos ministros escolhidos a dedo para absolver Dirceu et caterva.

Lula na foto histórica de sua peregrinação até a mansão de Maluf em São Paulo para selar o apoio a Fernando Haddad (centro) como candidato a prefeito: qualquer aliança para manter o poder (Foto: Folhapress)

9. O projeto daqueles que, propositalmente, martelam nos ouvidos da opinião pública que quem se opõe aos desígnios e propósitos do lulopetismo “é contra o Brasil”, dividindo os brasileiros entre “nós” e “eles” — exatamente como fazia a ditadura militar com o odioso “ame-o ou deixe-o”.

10. O projeto de quem esvaziou, desmoralizou e politizou as agências reguladoras — criadas durante o período FHC para serem entes do Estado, e não de governos, com composição, padrão e ação técnicos –, distribuindo-as como moeda de troca entre partidos, recheando-as de militantes ideológicos e de gente despreparada.

11. O projeto de quem, com propósitos políticos e de atender a uma “elite” clientelista, inchou com milhares de militantes partidários os quadros da administração pública.

12. O projeto de quem distribuiu cargos gordos e de alto salário em conselhos de estatais e de fundos de pensão de funcionários de estatais a sindicalistas “companheiros” — não pela competência, em quase todos os casos perto de nula, mas pela afinidade ideológica,

13. O projeto de quem prestou durante o lulalato, e em menor grau continua prestando no governo Dilma, seguidas homenagens a regimes párias como o de Cuba e o do Irã, estendeu o tapete vermelho para demagogos autoritários como o falecido Hugo Chávez e passou a mão na cabeça de governantes que pisoteiam interesses brasileiros, como Evo Morales, da Bolívia.

Evo Morales (capacete branco) com militares em instalações da Petrobras ocupada pelo Exército boliviano: governo lulopetista passou a mão na cabeça de quem pisoteou interesses brasileiros (Foto: typepad.com)

14. O projeto de quem tratou os narcoterroristas das chamadas “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, as Farc, como grupo político legítimo no cenário colombiano, e não como os bandidos, sequestradores e assassinos que são, mostrando por eles mais consideração do que com os governos democráticos, mas “de direita”, de Bogotá.

15. O projeto de quem envergonhou o Brasil se abstendo de condenar, na ONU, regimes que massacram os direitos humanos, concedendo prioridade em desferir caneladas em aliados ocidentais, a começar pelos Estados Unidos,

16. O projeto de quem, seguindo a cartilha de uma república de bananas, abriu com generosidade os braços ao terrorista e assassino italiano Cesare Battisti, concedendo-lhe o status de refugiado político e insultando uma democracia exemplar como a Itália, tradicional amigo do Brasil e terra onde 35 milhões de brasileiros têm raízes.

17. O projeto daqueles que, na oposição, durante 22 anos sistematicamente se opuseram, por razões ideológicas, a medidas que beneficiavam o Brasil, de tal forma que nada que a atual oposição faça possa nem de longe lembrar o comportamento deletério e derrotista manifestado por Lula e o lulopetismo ao longo dos governos de quatro presidentes civis.

18. O projeto de quem, por razões ideológicas, está atado a um Mercosul inútil, cada vez mais bolivariano, que não consegue negociar acordos de livre comércio com ninguém importante e no qual, dando um passa-moleque no tradicional aliado que é o Paraguai, o Brasil contribuiu para abrigar a ditadura venezuelana, violando a “cláusula democrática” que só admite regimes livres no grupo.

Enquanto ficamos para trás no comércio internacional, países latino-americanos pequenos como a Costa Rica e o Panamá assinam acordos de livre comércio com todas as grandes potências econômicas, e o Peru, o Chile e a Colômbia unem-se ao México — que já tem acordo semelhante com os Estados Unidos e o Canadá — na Aliança do Pacífico.

19. O projeto de quem brinca com a inflação e procura ocultá-la debaixo do tapete, de olho nas eleições do ano que vem, garroteando e dando prejuízos à Petrobras, interferindo nas empresas de energia elétrica e criando uma insegurança jurídica que afasta investidores estrangeiros dos leilões de concessão.

20. O projeto de quem está jogando pela janela as chances de o Brasil dar um salto espetacular de progresso, com um governo medíocre, que promove um crescimento econômico ridículo, desequilibra as contas públicas, gasta cada vez mais com a própria manutenção e empurra com a barriga, por falta de liderança política, reformas essenciais, como a tributária.

Por hoje está bom, não? Estão aí vinte boas razões para votar CONTRA o lulopetismo no ano que vem.

Se fossem só essas vinte… Continuaremos com o assunto.

19.

26/12/2013

às 19:26 \ Livros & Filmes

VENEZUELA: Apertadíssima vitória eleitoral do herdeiro de Chávez torna ainda mais oportuno e interessante este extraordinário livro sobre o “comandante” e o chavismo. Além do mais, é ótimo de ler

Publicado originalmente em 15 de abril de 2013

campeões de audiência 02Nicolás Maduro, o presidente interino indicado pelo falecido caudilho Hugo Chávez, está eleito, como se sabe, para um mandato presidencial de seis anos — mas o que surpreendeu a opinião pública internacional foi a mínima diferença que o separou do oposicionista Henrique Capriles (50,66% dos votos para Maduro, 49,07% para Capriles), uma diferença espantosamente pequena, diante da colossal vantagem de que dispunha o candidato oficial, onipresente nos 8 canais estatais de TV e em virtual campanha eleitoral há pelo menos quatro meses.

Capriles teve míseros 10 dias para se dirigir ao eleitorado. Não por acaso, está contestando os resultados e exigindo uma recontagem de votos – tarefa inglória, uma vez que o Conselho Nacional Eleitoral, órgão responsável pelas eleições, é independente apenas no papel.

O resultado parece indicar uma complicada trajetória para Maduro — como conduzir e manter no poder o chavismo sem Chávez?

Para os muitos leitores que, constato, se interessam pelo fenômeno, acaba de ser lançado, com enorme oportunidade, um livro vital para entender a Venezuela e o chavismo, e para ajudar a imaginar como será o futuro sem o caudilho: Comandante – A Venezuela de Hugo Chávez (Editora Intrínseca, 304 páginas, 29,90 reais). É um livro raro, a começar pela isenção de quem o escreveu — o jornalista irlandês Rory Carroll, correspondente durante seis anos do jornal britânico de tom progressista The Guardian para a América do Sul, sempre baseado em Caracas.

Menos interessado em tomar partido entre chavistas e antichavistas, Carroll, jovem (40 anos) mas experiente jornalista que já viu quase de tudo na vida profissional — incluindo um sequestro sofrido no Iraque –, partiu para centenas de entrevistas com ideólogos do regime, ministros, estudiosos de todos os matizes, figurões caídos em desgraça, generais destronados, sindicalistas, integrantes de “conselhos populares” criados por Chávez, políticos de oposição e gente comum do povo.

Além das entrevistas, consultou centenas de cadernos de anotações que acumulara em caixas durante seus seis anos no país. Em vez de escrever um manifesto, contra ou a favor, alinhavou fatos e sempre indicou as fontes.

O resultado é, a meu ver, um retrato riquíssimo do Chávez caudilho (que inclui preciosidades inéditas sobre o Chávez pessoa), do chavismo e de como ficou a Venezuela após 14 anos de reinado do ex-coronel golpista.

Publico, a seguir, resenha desse grande, imperdível livro escrita pelo repórter David Blair, do tradicional jornal britânico The Daily Telegraph:

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Nem um heroico aliado dos pobres, nem um déspota demente

Existirá palavra que traga em si mais poder de intoxicação do que “revolução”? Quando um ativista carismático proclama o advento de uma “revolução socialista” num recanto apropriadamente exótico da América Latina, a tendência de não poucos analista do Ocidente é deixar de lado a racionalidade.

Assim foi com Fidel Castro e, talvez inevitavelmente, com Hugo Chávez, o autodefinido presidente “revolucionário” da Venezuela, que morreu de câncer no dia 5 de março passado. Para muita gente, Chávez foi de duas, uma: ou um heroico aliado dos pobres ou um déspota demente, com poucos conseguindo ficar no meio desses dois extremos.Comandante

A possiblidade de que Chávez possa ter sido uma figura complexa, um ser humano real capaz do praticar o bem e de fazer o mal perdeu-se entre personalidades como o ex-prefeito socialista de Londres Ken Livingstone, que o saudou certa vez como “amigo e camarada”, ou John Bolton, o rei dos neocons norte-americanos, que chegou a denunciar Chávez como uma “ameaça global”.

Na verdade, o ex-prefeito de Londres e o fiel escudeiro de George W. Bush tinham mais em comum do que qualquer dos dois quisessem admitir. Ambos julgaram Chávez com seus próprios preconceitos ideológicos e com a insustentável leveza de quem vive a milhares de quilômetros da Venezuela.

Rory Carroll, correspondente para a América do Sul do jornal britânico The Guardian baseado em Caracas, entre 2006 e 2012, realmente viveu o dia-a-dia venezuelano e tenta demolir a figura caricatural de Chávez como modelo de perfeição como vilão no livro Comandante – A Venezuela de Hugo Chávez. Carroll, irlandês, 40 anos de idade, consegue oferecer uma visão equilibrada e repleta das necessárias nuances de Chávez e sua “Revolução Bolivariana”.

Paralelamente a isso, porém, o autor consegue ir mais longe. Além de traçar um raro e detalhado retrato pessoal e político de Chávez, este livro extremamente bem escrito e dotado de fina percepção equivale a uma meditação sobre a natureza do poder, e os extremos de absurdo e corrupção que ele pode encerrar.

Na TV, Chávez anuncia: foi o “imperialismo” que destruiu a civilização que havia em Marte

No livro, o leitor vai se deparar com batalhões de subalternos de todos os matizes às voltas com os incontáveis dilemas que significam servir a um homem que se comportava como um monarca absoluto.

Para sobreviver na corte do Rei Chávez, os ministros precisavam “transformar as expressões faciais em máscaras, arranjar os traços em expressões apropriadas quando diante de uma câmera ou na linha de visão do comandante”, escreve Carroll. “Isto”, acrescenta, “era traiçoeiro quando o comandante fazia algo bobo ou bizarro porque a resposta requerida poderia contrariar o instinto”.

E ele, efetivamente, fazia coisas bobas ou bizarras. Chávez conduzia um programa semanal de TV intitulado Alô, Presidente, que tinha hora para começar mas nunca para terminar. Seu recorde foi permanecer nove horas e meia consecutivas no ar, ao vivo. Certa vez, num dos programas, ele anunciou que uma próspera civilização havia existido em Marte até que “o imperialismo chegou e destruiu o planeta”.

Chávez ao vivo pela TV: seu recorde foi permanecer 9 horas e meia no ar, sem interrupções. E ali chegou a demitir altos funcionários expulsando-os de campo com um apito, como juiz de futebol (Foto: Palácio de Miraflores)

Como deveriam seus ministros reagir ao histrionismo do comandante? “Mesmo para veteranos na audiência, muitas vezes não ficava claro se se tratava ou não de uma piada”, escreve Carroll. “Então eles faziam cara de paisagem, à espera de que a situação se esclarecesse. Mas isso nunca acontecia: o comandante mudava de um assunto para outro sem parar”.

Esse tipo de dificuldade certamente contribuiu para que, durante seu reinado, Chávez tenha tido 180 ministros.

Com apito de juiz de futebol, e ao vivo, ele demitia ministros

Chávez lançava mão de seu programa de TV para anunciar demissões ou promoções, abolir ministérios inteiros, expropriar empresas e, em uma ocasião pelo menos, mobilizar as Forças Armadas contra a Colômbia.

[De outra feita, Chávez demitiu ao vivo, perante todo o país, figurões do governo, executivos graúdos da gigante petrolífera estatal PDVSA, sem avisá-los previamente. “Eddy Ramírez, diretor geral, até hoje, da divisão Palmaven [energia elétrica] (…), muito obrigado. O senhor está dispensado!” E soprou um apito, como se fosse um juiz de futebol mandando um jogador para o vestiário. O público ovacionou, e o ‘comandante’ continuou seguindo a lista: (…) “Carmen Elisa Hernández. Muito, muito obrigado, señora Hernández, pelo seu trabalho e serviço”. A voz destilava sarcasmo, e ele soprou o apito de novo: “Impedimento!“]

Carroll foi convidado do presidente no capítulo 291 do programa de TV. Ele teve a ousadia de perguntar a Chávez por que ele estava propondo ao Legislativo uma emenda à Constituição permitindo sua reeleição por um número indeterminado de vezes, sem contudo estender a mesma possibilidade a governadores e prefeitos.

“Ele lançou a pergunta para o mar, para além do horizonte [o programa se realizava numa pequena cidade do litoral], e a transformou numa arenga contra os males da mídia tendenciosa, da hipocrisia europeia, da monarquia, da rainha da Inglaterra, da Marinha Real, da escravidão, do genocídio e do colonialismo”, conta o jornalista.

Chávez e sua multidão de seguidores: o “socialismo bolivariano” foi conduzido por um “autocrata eleito”, diz o autor do livro (Foto: patriagrande.com.ve)

A roubalheira, uma marca corrosiva

Enquanto isso, os ministros que trabalhavam para um homem que mandava gravar seus telefonemas e não raro os demitia por mero capricho tornaram-se figuras risíveis e dignas de pena. “O sucesso – conseguir uma posição cobiçada – acabava se tornando um inferno”, escreve Carroll.

Não é de admirar que tanta gente tenha optado por rechear seus bolsos com a renda do petróleo da Venezuela, juntando-se a um festival de corrupção que se tornou a marca mais corrosiva do reinado de Chávez. [O que o livro descreve em matéria de roubalheira, inclusive por parte de generais das Forças Armadas, faz o Brasil parecer um país de conto de fadas.]

Ainda assim, em meio a absurdos e excessos, o comandante continuou sendo um líder eleito, sujeito a constante crítica por parte de uma barulhenta imprensa de oposição. Carroll isenta Chávez de ser um ditador: ele, na verdade, apesar de tudo — sustenta o jornalista –, ganhou quatro eleições e não havia gulags ou câmaras de tortura na Venezuela.

Expurgo no Judiciário e lista negra

Mas Carroll descreve detalhadamente como Chávez feriu seus críticos, expurgou o Judiciário e utilizou uma lista negra com as 3 milhões de pessoas que assinaram um manifesto em 2003 pedindo um plebiscito revogatório — medida prevista na Constituição e que significa votar pela saíde de um político eleito.

Funcionários públicos que puseram seus nomes no fatídico documento foram demitidos, muitas outras pessoas foram caluniadas e perseguidas. Carroll acaba fazendo a Chávez a concessão de descrevê-lo como “um autocrata eleito”.

Um flerte com o suicídio

Ao longo de seu trabalho, o jornalista oferece uma memorável série de passagens. Como Chávez encurralado no subterrâneo do Palácio Miraflores durante um levante popular que acabou, via golpe de Estado, sacando-o do poder por efêmeras 48 horas. Durante um breve momento, ele fixou o olhar numa pistola e pensou em suicídio, voltando à razão após um telefonema de Fidel Castro.

Também ficamos sabendo como o general Raúl Baduel, o oficial que resgatou Chavez naquele momento de crise, congregando as Forças Armadas para restaurar o poder do comandante, foi mais tarde demitido de seu cargo de ministro da Defesa e jogado numa cela de prisão, por suposta acusação de corrupção.

O amigável âncora do programa de TV que construiu clínicas nas favelas, recheando-as de médicos importados de Cuba, acabou sendo moldado pelo poder em um dirigente cruel e vingativo.

Agora que o comandante morreu, Carroll terá que atualizar seu relato. Quando ele o fizer, este livro merecerá ser o trabalho definitivo sobre Chávez.

(Nota do colunista: tecnicamente, o jornalista Rory Carroll — hoje correspondente do jornal em Los Angeles, nos EUA — atualizou o livro nas páginas finais, descrevendo algo brevemente a doença e a lenta agonia de Chávez até  sua morte. O autor desta resenha, porém, se refere a como o chavismo sobreviverá à morte do caudilho, o que com certeza demandará algum tempo e merecerá alguns capítulos a mais na provável reedição da obra).

 

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