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Cuba

21/12/2014

às 20:00 \ Política & Cia

TVEJA: “Dilma promete prender no 2º mandato quem ela protegeu no 1º”, diz Augusto Nunes

Joice Hasselmann e Augusto Nunes, no ‘Aqui Entre Nós’, discutem a volta de Antonio Palocci à cena agora envolvido no escândalo do Petrolão, a reaproximação diplomática entre Estados Unidos e Cuba e a última semana de trabalhos legislativos no Congresso Nacional.

20/12/2014

às 14:00 \ Vasto Mundo

Os EUA e Cuba deram um grande passo ao retomar as relações, mas os problemas entre os países não acabaram

(Foto: Reuters)

EUA e Cuba: o país de Obama ainda exerce um embargo sobre a ilha, e Castro ainda preserva uma ditadura (Foto: Reuters)

EUA ESTENDEM A MÃO A CUBA

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

A reaproximação entre EUA e Cuba após 53 anos de ruptura deve ser comemorada pelas formidáveis implicações históricas, mas com cautela. Se mais um capítulo da guerra fria enfim se encerra, não se pode dizer com certeza se Cuba está no caminho de uma autêntica mudança que, enfim, represente a tão sonhada liberdade a seus sofridos habitantes.

Para que o desfecho desse evento histórico seja de fato motivo de festa, será preciso que a ditadura cubana mostre real disposição de aceitar que seu tempo já acabou. Por ora, somente os Estados Unidos fizeram gestos significativos para provar sua vontade de quebrar o cinquentenário impasse nas relações, na mais importante mudança de sua política externa na história recente.

Além de libertar três cubanos que haviam sido presos por espionagem, o governo do presidente Barack Obama tomou uma série de medidas para favorecer a economia de Cuba. Primeiro, Washington retirou Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo – e isso vai permitir que a ilha busque financiamento externo, tanto em bancos como em organismos multilaterais, o que é crucial para um país cujo principal financiador, a Venezuela, também está à beira do colapso.

Além disso, Obama vai aumentar a emissão de autorizações para viagens ao país e ampliar o teto para compras de mercadorias cubanas. A lista de produtos que poderão ser exportados para Cuba também deve crescer e incluir materiais de construção, demandados pelo ainda incipiente setor privado cubano, além de equipamentos para a agricultura e produtos tecnológicos para atualizar o precário sistema de comunicação da ilha.

Essas medidas servem como atalho para contornar o bloqueio político e econômico estabelecido pelos Estados Unidos contra Cuba em 1962 e reforçado em 1996. Tal embargo só pode ser cancelado pelo Congresso americano – algo difícil de acontecer num futuro próximo, porque a oposição republicana, que controlará as duas Casas do Legislativo a partir do ano que vem, sempre teve apoio dos exilados cubanos, normalmente refratários a qualquer distensão com o regime dos irmãos Castro.

Obama, no entanto, ciente de que a nova geração de cubano-americanos é favorável ao fim do embargo, comprometeu-se a se empenhar para mudar esse cenário – e sua decisão de trocar embaixadores com Cuba sem que antes tenha havido uma mudança de regime em Havana cria um fato consumado que os congressistas americanos, mesmo os mais renitentes, terão de levar em conta nos próximos tempos. “Esses 50 anos mostraram que o isolamento não funciona. É hora de uma nova abordagem”, discursou Obama.

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18/12/2014

às 0:00 \ Disseram

No es fácil

“Os cubanos têm uma frase sobre a vida diária: no es fácil. Hoje, os Estados Unidos querem ser um parceiro para fazer a vida dos cubanos comuns um pouco mais fácil, mais livre, mais próspera.”

Barack Obama, presidente americano, ao anunciar a retomada das relações diplomáticas com Cuba, rompidas em 1961

17/12/2014

às 18:30 \ Vasto Mundo

Estados Unidos e Cuba reatam laços diplomáticos rompidos em 1961

(Foto: Reuters)

Obama e Castro: relações foram retomadas, mas ambos deixaram claro que seus problemas não estão resolvidos (Foto: Reuters)

Obama anunciou a normalização das relações diplomáticas com a ilha dos irmãos Castro. Papa Francisco teve papel-chave na negociação entre os países

De VEJA.com

O governo dos Estados Unidos iniciou nesta quarta-feira uma aproximação histórica de Cuba, ao anunciar a normalização das relações diplomáticas plenas e o alívio de diversas sanções em vigor há mais de meio século, desde 1961, informou o presidente Barack Obama em um pronunciamento na Casa Branca.

O presidente americano manteve na terça-feira uma longa conversa telefônica com o ditador cubano, Raúl Castro, disse a fonte, e ambos acordaram a abertura de embaixadas “nos próximos meses”. Obama anunciou “fim de uma política obsoleta” em relação a Cuba e que “fracassou durante décadas”.

Em um acordo costurado durante dezoito meses de negociações secretas hospedadas em grande parte no Canadá e encorajado pelo papa Francisco, que organizou uma reunião final no Vaticano, o presidente Obama e o ditador Raúl Castro de Cuba concordaram em deixar de para trás décadas de hostilidade para construir uma nova relação entre os EUA e a ilha comunista que fica a apenas noventa minutos da costa americana.

Em seu pronunciamento, Obama agradeceu ao papa Francisco e ao Canadá.

Leiam também:
EUA e Cuba trocam prisioneiros. Obama vai anunciar mudanças nas relações com a ilha 

Em Havana, em um pronunciamento lido ao vivo na TV estatal, Raúl Castro anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA, “mas isso não quer dizer que o principal está resolvido” – ressaltou o ditador.

“Propomos a adoção de medidas mútuas por parte dos dois países. Reconhecemos que temos profundas diferenças, como em questões de soberania e direitos humanos, mas queremos melhorar as relações. Os progressos já obtidos demonstram que é possível encontrar soluções para muitos problemas”. Assim como Obama, Castro também agradeceu ao Canadá e ao Vaticano.

Os Estados Unidos vão aliviar as restrições bancárias sobre as remessas de dinheiro para Cuba, e de viagens. Havana se comprometeu a libertar 53 cubanos identificados como presos políticos por parte do governo dos Estados Unidos. Embora o embargo americano sobre Cuba permaneça em vigor, o governo sinalizou que gostaria de negociar com o Congresso o alívio das sanções.

Os republicanos reagiram com indignação à iniciativa da administração Obama para a normalizar as relações com Cuba. O senador Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e um provável candidato presidencial republicano, prometeu tentar inviabilizar a iniciativa da Casa Branca. “Satisfazer os irmãos Castro só irá motivar outros tiranos, de Caracas a Teerã e Pyongyang, para que eles possam tirar proveito da ingenuidade do presidente Barack Obama”, disse Rubio.

Preso libertado – O funcionário terceirizado do governo americano Alan Gross chegou nesta quarta à base militar de Joint Andrews, no Estado de Maryland (EUA). Ele foi posto em liberdade por Cuba após passar cinco anos preso em Havana.

Gross, um funcionário da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) de 65 anos, foi preso em Cuba em 3 de dezembro de 2009 e condenado a 15 anos de prisão por importar tecnologia proibida e tentar estabelecer um serviço clandestino de internet para judeus cubanos. Ele perdeu mais de 45 quilos na prisão e está com a saúde frágil. Gross iniciou uma greve de fome de nove dias em abril e disse a parentes que estava pensando em se matar se não fosse libertado.

Segundo o jornal The Washington Post, Gross foi solto em uma troca humanitária de prisioneiros – que, oficialmente, é considerada pelo governo americano como uma ação separada. Outro agente de inteligência, que não foi identificado, apenas apontado como um ‘cubano’ mantido atrás das grades em Cuba por quase duas décadas, foi oficialmente envolvido no acordo de troca de prisioneiros.

Os três cubanos libertados em troca de Gross fazem parte do chamado Cuban Five, um grupo enviado pelo então ditador de Cuba, Fidel Castro, para espionar no sul da Flórida. Eles foram condenados em 2001 em Miami sob as acusações de conspiração contra o governo americano.

09/12/2014

às 15:30 \ Política & Cia

ACREDITE SE QUISER, E VEJA O VÍDEO: O MST seleciona jovens brasileiros para cursar Medicina em Cuba. E depois essa turma quer tratar de doentes no Brasil

"O socialismo é o futuro. Espero voltar para meu país e implantar esta semente revolucionária que estou aprendendo aqui e que está me nutrindo"

“O socialismo é o futuro. Espero voltar para meu país e implantar esta semente revolucionária que estou aprendendo aqui e que está me nutrindo”

Post publicado originalmente a 13 de maio de 2013

Campeões-de-audiência“O socialismo é o futuro. Espero voltar para meu país e implantar esta semente revolucionária que estou aprendendo aqui e que está me nutrindo”, diz a garota brasileira no final deste vídeo postado no YouTube por Dárcio Bracarense.

Como outros jovens do vídeo, eles foram selecionados pelo MST — sim, pelo “Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra” — estudar Medicina em Cuba.

Antes de ir, os jovens são “avaliados” pelo próprio MST e pela Embaixada de Cuba no Brasil.

Mérito? Currículo? Passagem obrigatória pelo ensino fundamental, básico, terceiro grau, colegial etc etc?

Não se fala nisso. A única coisa que parece interessar nesse peculiaríssimo método de seleção é o fervor por Cuba.

E depois essa turma vai querer revalidar o diploma para trabalhar no Brasil… Já pensaram?

03/11/2014

às 19:40 \ Política & Cia

VÍDEO PARA REFRESCAR A MEMÓRIA: A profunda ternura de Dilma pela ditadura de Cuba

Contemplem, em todo o seu esplendor, o derramamento de ternura da presidente Dilma Rousseff pela ditadura sanguinária de Cuba, bem como sua firme intenção de continuar ajudando aos companheiros Fidel e Raúl Castro, tiranos da ilha há longos, intermináveis 55 anos.

O discurso da companheira Dilma ocorreu  no dia 27 de janeiro deste ano, durante sua segunda visita a Cuba.

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29/10/2014

às 15:00 \ Política & Cia

PSDB pedirá à Procuradoria-Geral da República que investigue critérios diferenciados para financiamento ao porto de Mariel, em Cuba

(Fotos: Reprodução/O Globo)

O PSDB questiona as excepcionalidades do financiamento ao porto de Mariel, em Cuba, baseado em dois documentos da Câmara de Comércio Exterior (CLIQUEM NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA) (Fotos: Reprodução/O Globo)

Documentos obtidos pelo partido mostrariam que garantias oferecidas e prazo de financiamento não seguiram padrão de financiamentos internacionais. Aécio levantou tema em debate da TV Globo

Por Eduardo Bresciani, para o jornal O Globo

O PSDB pedirá na próxima segunda-feira investigação da Procuradoria-Geral da República sobre os critérios supostamente diferenciados adotados no financiamento feito para a construção do porto de Mariel em Cuba, orçado em quase US$ 1 bilhão e com financiamento de US$ 682 milhões feito pelo governo brasileiro.

O partido obteve documentos que mostrariam “excepcionalidades” em relação ao prazo para pagamento, às garantias do empréstimo e do tempo de ajuste das taxas de juros.

Na lista de “excepcionalidades”, os documentos mostram que as garantias para o empréstimo foram em pesos cubanos depositados em um banco da própria ilha, quando o padrão neste tipo de operação é que elas fiquem depositadas em um terceiro país e, usualmente, em euro ou dólar. O prazo do financiamento concedido foi de 25 anos, mais que o dobro do prazo regulamentar de 12 anos.

O prazo de equalização dos juros seria de 25 anos, também muito superior ao que seria regulamentar, 10 anos. O percentual de cobertura para riscos políticos e extraordinários foi de 100%, superior aos 95% que seriam o padrão.

O tema foi levantado no debate da TV Globo da sexta-feira, 24, pelo candidato tucano à Presidência, Aécio Neves. Ele questionou o sigilo do contrato e anunciou o pedido de investigação. Na resposta, a presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que a operação gerou empregos no Brasil e que o financiamento foi para empresas brasileiras que realizaram as obras. Disse ainda que seriam as empresas que ofereceram garantias ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Dois dos documentos nos quais o PSDB baseará o questionamento são de 2010 e têm a logomarca da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Outros dois documentos, sem timbre, seriam relatórios técnicos sobre reuniões de 2009 e 2010 do grupo de trabalho para assuntos econômicos e comerciais Brasil-Cuba.

O Porto de Mariel, em Cuba, financiado pelo Brasil (Foto: Reuters)

O Porto de Mariel, em Cuba, financiado pelo Brasil (Foto: Reuters)

Neste material há uma ata de reunião da Camex no dia 26 de maio de 2010 aprovando a concessão de um crédito de US$ 176,4 milhões para as obras. O documento lista a Cia de Obras de Infraestrutura, subsidiária da Odebrecht, como exportadora. Há neste documento a observação sobre a garantia oferecida.

Pelo teor da ata, as garantias são “fluxos internos de recebíveis gerados pela indústria cubana de tabaco, a serem depositados em escrow account aberta em banco cubano”. O usual, anotado na ata, é que a garantia seja em “fluxos externos de recebíveis”. Ou seja, o padrão é que os recursos sejam depositados em outro país, não no que recebe o serviço financiado.

Segundo relatos de integrantes do próprio BNDES ouvidos pelo GLOBO, o padrão de financiamentos é que os países que recebem as obras – ou seja, que atuam como importadores de serviços – são os responsáveis pelos pagamentos e garantias.

O outro documento com o selo da Camex afirma que em relação à garantia em depósitos no exterior o governo cubano alegou que não poderia aceitar por temer “confisco ou bloqueio”. Por isso acertou-se que essa garantia, que só seria aplicada a US$ 230 milhões a serem liberados em 2012, seria oferecida em um banco cubano em uma conta a ser aberta em nome do Banco do Brasil.

No material que relataria reunião realizada em novembro de 2009 é descrita uma tentativa da área técnica de mudar o perfil da garantia. Segundo o documento, Cuba propôs a manutenção dos depósitos em moeda local e em seu território e os técnicos brasileiros defendiam a utilização de recursos do porto em uma conta-garantia no exterior. O documento atribui ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vitória da proposta cubana.

“Ao final, por decisão do Sr. Presidente da República, prevaleceu a proposta cubana”, diz um trecho.

Outro documento com o mesmo formato relataria uma reunião de fevereiro de 2010. A área técnica afirma novamente que acertou-se o oferecimento da garantia em território cubano e que isso não minimizaria os riscos da operação.

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24/10/2014

às 16:15 \ Política & Cia

Na TVEJA: Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) mostra que o governo mente ao dizer que pagou a dívida externa. Ela aumentou com o lulopetismo, e a dívida interna triplicou

Em entrevista exclusiva à TVEJA, o senador Álvaro Dias, reeleito com esmagadora votação pelo PSDB do Paraná, denuncia o crescimento das dívidas externa e interna brasileiras. Ao contrário do que afirma o governo, mostra o senador, a dívida externa não foi paga — era de 212 bilhões de dólares quando Lula assumiu, em 2003, e está em 331, bilhões — e a interna disparou, dos 800 bilhões de reais da final da gestão de FHC para os estratosféricos 2,2 trilhões de hoje.

E mais: a gestão petista fez empréstimos secretos para Cuba e Angola, informações que estão debaixo do tapete, além de perdoar dívidas de países com regimes ditatoriais sanguinários da África. Parte desse dinheiro, diz o senador do Paraná, financia a corrupção.

O senador ainda falou da relação promíscua entre governo e Congresso — “que precisa acabar, o governo não pode tratar o Legislativo como um balcão de negócios, como faz hoje” – e dos desafios de ser governista, caso Aécio seja eleito

15/10/2014

às 0:15 \ Política & Cia

TEMA DO DEBATE DA BAND — O PORTO QUE O BRASIL FINANCIOU EM CUBA: se é bom, por que é secreto?

FIDEL COM DILMA -- "Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca" (Foto: Alex Castro / AP)

FIDEL COM DILMA — “Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca” (Foto: Alex Castro / AP)

Reportagem de Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

Post originalmente publicado a 4 de fevereiro de 2014

SE É BOM, POR QUE É SECRETO?

Nos detalhes do empréstimo do BNDES para um porto em Cuba, protegidos por sigilo, está a resposta para saber se foi mesmo um bom negócio ou a sobrevida para a ditadura

Em visita a Cuba na semana passada, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o Porto de Mariel, reformado em sua maior parte com dinheiro brasileiro, participou de uma reunião de cúpula latino-americana e teve um encontro particular com Fidel Castro, que segue mandando no país mesmo tendo passado a bengala para o irmão Raúl.

Com a Venezuela reduzindo o envio de petróleo a aliados, o amparo brasileiro tornou-se essencial para a ditadura cubana. De Dilma, o enfraquecido Fidel ganhou suporte não apenas econômico como político. A presidente até ecoou a desculpa do “injusto embargo” dos americanos a Cuba, usada largamente pelos irmãos Castro para podar os direitos de sua população.

Na tentativa de justificarem ao público brasileiro o empréstimo de 682 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao porto dos gerontocratas, Dilma e seus subordinados apresentaram uma lista pronta de argumentos. Nenhum explica a razão da confidencialidade do acordo entre governos.

Uma das condições do empréstimo concedido pelo BNDES é que a ditadura só poderia gastá-lo na compra de bens e serviços brasileiros. Os capacetes de proteção, o cimento e até um carro Gol foram levados do Brasil. A maior parte das exportações foram serviços.

Os projetos de engenharia, por exemplo, foram traçados por escritórios brasileiros. Dos 233 milhões de dólares exportados para a ilha no ano passado para atender à obra, 201 milhões de dólares foram em serviços. O governo diz que 156.000 empregos foram gerados no Brasil.

Tudo muito bonito, não fosse o alto risco de calote. O Brasil aceitou conceder o empréstimo ancorado em garantia soberana, balizada pelos bancos centrais. Essa modalidade é segura quando há um mecanismo de compensação de exportações entre os países, o que não ocorre com Cuba.

O argumento do governo federal de que a modernização do porto caribenho ajudou a economia brasileira não se sustenta no campo do pensamento lógico. Se investir em uma ilha do Caribe submetida há mais de meio século a uma ditadura comunista tem efeito positivo na economia no Brasil, imagine, então, os ganhos se o dinheiro do contribuinte brasileiro tivesse sido investido diretamente na melhoria dos atulhados e obsoletos portos do Brasil.

É difícil para Brasília explicitar os motivos reais da generosidade na reforma do Porto de Mariel. O que a indigente economia cubana tem para exportar que justifica o investimento brasileiro? Nada. O Porto de Mariel ficou mundialmente conhecido em 1980 pela exportação em massa de… gente.

Em apenas duas semanas cerca de 125 000 cubanos escaparam da ditadura castrista, que, pressionada pela miséria, suspendeu a proibição de abandonar o país. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel.

Na impossibilidade de justificar o empréstimo a Cuba, a saída para o governo brasileiro foi classificá-lo como “secreto”. Os detalhes do projeto, portanto, só poderão ser conhecidos em 2027, dois anos antes do prazo final para Cuba quitar a dívida. É estranho que os negócios do governo do PT com Cuba e também com Angola sejam fechados em segredo.

Nem o Congresso Nacional tem acesso aos termos dessas transações. Dessa forma, até que esse conteúdo seja exposto à luz do sol, os brasileiros têm todo o direito de desconfiar das intenções desses projetos. Têm todo o direito de achar, por exemplo, que o que o Brasil fez foi simplesmente uma doação aos irmãos Castro. Ou coisa pior. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/10/2014

às 0:00 \ Disseram

Rumo a Cuba

“Se Dilma conseguir a reeleição, não fugiremos de uma ida para Cuba sem escala na Venezuela.”

Jair Bolsonaro, deputado federal mais votado no Rio de Janeiro, ao afirmar que seu voto no segundo turno das eleições vai contra a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT)

 

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