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Cuba

24/03/2015

às 16:58 \ Política & Cia

PSDB pede ao MP investigação sobre repasses a Cuba

Mozart Sales, então coordenador dos Mais Médicos pelo Ministério da Saúde, Maria Alice Fortunato e Joaquim Molina, chefe da representação da Opas no Brasil (Foto: VEJA.com)

Mozart Sales, então coordenador dos Mais Médicos pelo Ministério da Saúde, Maria Alice Fortunato e Joaquim Molina, chefe da representação da Opas no Brasil (Foto: VEJA.com)

Líder tucano no Senado pediu ao procurador-geral da República que investigue suspeita de improbidade na ação de servidores da Saúde

Por Laryssa Borges, de Brasília, para VEJA.com

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), recorreu nesta terça-feira ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que o Ministério Público abra investigação por suspeitas de improbidade administrativa contra os ex-assessores do Ministério da Saúde Rafael Bonassa, Alberto Kleiman e Maria Alice Fortunato e contra o ex-chefe da Assessoria Jurídica da pasta Jean Uema.

Todos eles atuaram no acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) que permitiu que recursos do programa Mais Médicos favorecessem a ditadura cubana. Para o senador, alguns dos ex-assessores também podem ser investigados por advocacia administrativa, por patrocinar interesses privados valendo-se dos cargos que ocupavam no governo.

Em outubro de 2013, VEJA revelou como a intermediação da Opas serviu para o governo brasileiro ocultar o verdadeiro objetivo do Programa Mais Médicos – arrumar uma maneira de enviar dinheiro a Cuba. Os registros do Ministério da Saúde permitiram descobrir que o chefe da representação da Opas no Brasil, o cubano Joaquim Molina, apresentou a minuta do contrato no dia 17 de dezembro de 2012, seis meses antes de o programa ser anunciado publicamente, em meio aos protestos de 2013.

Na última semana, uma gravação divulgada pelo Jornal da Band confirmou a trama entre o Ministério da Saúde e a Opas e deixou claro como o Brasil lavou as mãos quanto ao confisco, pelo governo cubano, da maior parte do pagamento aos médicos. Entre as irregularidades no acordo de cooperação do programa estão a divisão do salário entre médicos e a inclusão dos termos Mercosul e Unasul nos contratos do Mais Médicos para disfarçar a natureza do programa.

“O objetivo do programa era atender as necessidades financeiras do governo de Cuba. Para tanto, os assessores ministeriais mascararam as reais intenções do acordo, que na prática é bilateral”, diz o senador, no pedido enviado ao Ministério Público. “A gravação demonstra, sem sombra de dúvidas, que os ex-assessores se reuniram com o intuito de mascarar um acordo bilateral entre Brasil e Cuba, em ofensa clara aos princípios da legalidade, honestidade e imparcialidade por parte desses agentes públicos”, completa ele.

Nesta segunda-feira, Cunha Lima e o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) já haviam apresentado um projeto de decreto legislativo para suspender o acordo entre o governo brasileiro e o cubano sobre o programa Mais Médicos.

23/03/2015

às 15:21 \ Política & Cia

MAIS MÉDICOS: Senador Ronaldo Caiado volta a denunciar que principal objetivo do programa é repassar dinheiro a Cuba

22/02/2015

às 0:00 \ Disseram

Visita ao comandante

“Estive em Cuba. Aproveitei que era terça-feira de Carnaval e visitei o comandante Fidel Castro Ruz, que mandou uma saudação a todo o povo da Venezuela.”

Nicolás Maduro, presidente venezuelano, em pronunciamento na quinta-feira (19)

08/02/2015

às 15:00 \ Vasto Mundo

A vida em Cuba: falta de produtos básicos, salários miseráveis, casas apodrecendo — e vigilância constante sobre as pessoas

(Foto: Mises.org.br)

Em Havana, os cidadãos cubanos são observados por câmeras a todo momento para que não façam nada que possa melhorar suas condições de vida. Boa parte das casas está em decomposição, caindo aos pedaços  (Foto: Mises.org.br)

RUM COM COCA-COLA — RELATOS DE UMA VIAGEM A CUBA

Artigo de Paulo Moura*

Em 1924, Trotsky e Stalin divergiram sobre os destinos da Revolução Russa. Trotsky defendia a necessidade de implantar o socialismo em todo o mundo. Stalin defendia a viabilidade do socialismo num só país.

A Rússia vivia as dificuldades dos primeiros anos da revolução. Para estimular a economia, Lenin defendeu “dar um passo atrás para, depois, dar dois passos à frente”. A Nova Política Econômica (NEP) restabeleceu a livre inciativa e a pequena propriedade para estimular o crescimento da economia para, depois, “avançar” com a estatização total.

Com o fim da URSS, que importava açúcar a preços superiores aos de mercado (hoje, Cuba importa açúcar), os cubanos enfrentaram tempos difíceis. O regime rendeu-se à “NEP” de forma envergonhada. Por isso, a escassez reina. Charutos, rum e turismo é o que Cuba vende. E agora, acabou-se o petróleo venezuelano grátis. A esperança vem dos EUA.

O Estado emprega 7 milhões de “oficiales” num país de 11 milhões de habitantes. Mesmo nas empresas mistas (51% do governo e 49% do investidor), os funcionários são públicos. O salário, em pesos, dura uma semana para compras nos armazéns do Estado.

Um cubano precisa de vinte e cinco pesos para comprar um CUC (peso conversível equivalente ao Euro). Os trabalhadores do tabaco recebem parte do salário em folhas de fumo. Fabricam charutos piratas para vender aos turistas alegando serem produto de cooperativas. Agricultores e pescadores desviam produtos para vender em CUCs no mercado paralelo.

Uma obra exequível em um ano de trabalho consome até cinco anos sob essas condições. Todos fazem corpo mole e precisam sair às ruas a partir das 14h para trabalhos autônomos pagos em CUCs, caso contrário falta o que comer. Quem não consegue passa fome e pede comida, roupas e sabonete aos turistas.

Os serviços aos turistas são os mais rentáveis. Ao sair dos hotéis, você é abordado por pessoas que indicam restaurantes. Esse serviço é pago em comida pelos donos dos “paladares” (restaurantes familiares, antes clandestinos e agora legalizados). O nome tem origem numa novela, na qual o personagem de Regina Duarte tinha um restaurante chamado “Paladar”.

Os táxis são “ótimo” negócio. Há táxis “rentados” ao Estado e táxis privados. Quem arrenda o carro paga vinte e sete CUCs por dia ao governo. Mas o governo proíbe o taxista privado de fazer ponto. Se for flagrado (há câmeras por toda Havana) “parqueado” em frente aos hotéis, o taxista paga quinhentos CUCs de multa. “Esses caras dão um passo adiante e dois para trás”, ironizou nosso taxista, lembrando Lenin.

O governo cobra dez por cento ao ano de imposto desses capitalistas. Não há taxímetro ou caixa registradora nos restaurantes, pequenos mercados, bancas de artesanato ou salões de beleza. O leão socialista define uma média do que imagina ser o faturamento do pagador de impostos. Se for “subdeclarante”, o empreendedor cubano conhecerá suas garras. Todos pagam um pouco mais do que a média oficial.

Não se veem cubanos obesos em Havana. O povo está acostumado a comer pouco e a passar muitas horas sem comer. Pagamos almoço a um taxista. Arroz, feijão, salada; peixe, frango ou porco e um refrigerante. Carne de vaca não há. Um legítimo PF por quinze CUCs. “Com essa refeição posso passar três dias sem almoçar”, disse ele.

Nos resorts de Varadero há cubanos “bem nutridos”. Os funcionários fazem as refeições nos hotéis. Maquiagem, roupas e calçados de melhor qualidade doados pelos turistas fazem a diferença visual entre cubanos de Havana e Varadero. Cubanos de Havana não podem se mudar para Varadero para comer e vestir melhor. O governo não deixa. Somente moradores próximos podem trabalhar nos hotéis.

O povo cubano vive amontoado em casas em decomposição. Três gerações sob o mesmo teto. Caminhões pipa abastecem suas caixas d’água. Água também é produto escasso.

Os táxis são inacessíveis para quem não ganha em CUCs. Os cubanos vivem na rua e nas praças e só vão para casa dormir. Caminham muito pela cidade pois o transporte coletivo é precário, escasso e lotado. Em Havana, são ônibus velhos. Fora de Havana, o transporte faz-se em caçambas de caminhões com bancos de madeira e cobertos com lona.

*Paulo Moura, professor universitário, é cientista social, consultor de comunicação e marketing político em campanhas eleitorais e analista político e de pesquisas de opinião e de mercado

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03/02/2015

às 20:19 \ Vasto Mundo

Fidel Castro mudou de patrocinador

Randy Garcia PerdomoGranma

Após meses sem notícias, o Granma publicou fotos novas do ex-ditador Fidel Castro (Foto: Granma)

Sim, todo mundo já sabe que jornal oficial de Cuba, o Granma, registrou o reaparecimento do eterno Fidel Castro, 88 anos, publicando fotos do velho ditador em sua edição na internet — suas primeiras imagens que vêm a público em seis meses.

As fotos são do dia 23 passado e, por alguma razão, só vieram a público agora. Fidel aparece com Randy Perdomo García, dirigente da Federación Estudiantil Universitaria.

Essa história de dirigentes comunistas sumirem e depois “reaparecerem” por obra e graça da imprensa estatal em geral quer dizer — como queria dizer na ex-URSS e seus ex-satélites — que eles ficaram doentes, algo que jamais é informado à população cubana, como ocorria com os países ex-comunistas.

Não se sabe se Fidel esteve ou não doente. O que parece claro é que ele mudou o patrocinador de seu uniforme de ditador semiaposentado: da alemã Adidas, passou para para a coreana (e ex-italiana) Fila.

29/01/2015

às 6:00 \ Disseram

Diálogo entre inimigos

“Ele é um entusiasta do Obama e acha muito positivo o que vem fazendo. Mas ao mesmo tempo diz que o processo de reaproximação é muito longo, que os EUA precisam tomar medidas concretas, pondo fim ao embargo e retirando Cuba da lista de países terroristas. Fidel ressaltou: ‘Mesmo sendo inimigos, temos que dialogar’.”

Frei Betto, escritor brasileiro, sobre seu encontro com o ex-ditador cubano Fidel Castro, em Havana, na terça-feira (27); segundo ele, Fidel está completamente lúcido aos 88 anos

26/01/2015

às 17:30 \ Vasto Mundo

RELAÇÕES EUA-CUBA: Os republicanos não querem dar dinheiro para Obama manter embaixada em Havana — mas ele talvez nem precise. Vejam por quê

Obama troca um aperto de mãos com o ditador cubano Raúl Castro durante os funerais do grande estadista sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013: (Foto: Reuters)

Obama troca um aperto de mãos com o ditador cubano Raúl Castro durante os funerais do grande estadista sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013: (Foto: Reuters)

Desde que o presidente democrata Barack Obama anunciou o reatamento de relações entre os Estados Unidos e Cuba, no dia 17 de dezembro passado, a pergunta que mais se faz a respeito do tema nos meios políticos dos EUA é qual será a reação do Congresso, dominado por republicanos tanto na Câmara dos Representantes como no Senado, após as eleições de novembro.

Os republicanos ameaçam chutar Obama abaixo da linha da cintura, com uma medida prática de efeitos complicados: não aprovar nenhuma dotação econômica para a reabertura da embaixada norte-americana em Cuba.

De todo modo, facilidades de remessa de material e de pessoal para a futura embaixada foram um dos pontos discutidos na primeira reunião oficial e pública entre as duas partes em mais de meio século, na quarta e na quinta-feira passadas, 21 e 22.

Obama perdeu a maioria no Senado nas eleições de novembro, já não tinha na Câmara de Representantes e espera-se que os republicanos tornem sua vida um inferno. Na questão da representação em Havana, na verdade, talvez os republicanos não consigam muita coisa: o enorme edifício da embaixada continua existindo, apesar da ruptura das relações diplomáticas e consulares entre os dois países decretada a 3 de janeiro de 1961 pelo presidente John F. Kennedy.

O edifício se situa na grande avenida conhecida como Malecón, não distante do local onde naufragou em 1898 o encouraçado USS Maine, da Marinha dos EUA, abatido enquanto ancorado por uma explosão até hoje não esclarecida e que foi a gota d’água para a guerra entre os Estados Unidos e a Espanha. O conflito resultou na derrota da Espanha em quatro semanas, na semi-independência de Cuba e na perda das então colônias espanholas de Guam, Porto Rico e Filipinas para o domínio norte-americano.

O edifício onde funciona a "seção de interesses norte-americanos" da embaixada suíça em Havana fica exatamente onde estava a representação dos EUA antes da ruptura de relações com Havana, em 1961 (Foto: Getty Images)

O edifício onde funciona a “seção de interesses norte-americanos” da embaixada suíça em Havana fica exatamente no edifício da representação dos EUA antes da ruptura de relações com Havana, em 1961 (Foto: Getty Images)

Tecnicamente, o edifício é uma extensão da embaixada da Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos em Cuba. Lá funciona a “seção de interesses norte-americanos” da embaixada, toda ela constituída por diplomatas dos Estados Unidos.

Esse recurso de que a diplomacia lança mão quando ocorre quebra de relações entre Estados passou a ser utilizado, no caso EUA-Cuba — depois de 16 anos de absoluto gelo e de várias crises entre as partes, inclusive a invasão da Baía dos Porcos, em 1961, e a crise dos mísseis soviéticos, em 1962 –, depois de negociações em 1977 entre o presidente americano Jimmy Carter e o ditador Fidel Castro.

Enquanto a embaixada suíça propriamente dita está instalada em um pequeno chalé, com duas dezenas de gatos pingados, a “seção de interesses norte-americanos”  da embaixada constitui um portento com 360 funcionários, sento 51 americanos — inclusive os fuzileiros navais que fazem a segurança –, e o restante cidadãos cubanos contratados para diferentes tarefas.

Curiosamente, os suíços representam, em Washington, os interesses cubanos, desde que a Checoslováquia, que fazia esse papel, deixou de existir em 1992, com a independência da Eslováquia e a criação da República Checa.

A extensa pauta de temas entre os EUA e Cuba, começando por temas como segurança nacional e imigração, provavelmente requeira mais diplomatas e mais recursos. Ainda que os republicanos boicotem as verbas no Congresso, contudo, está claro que as coisas funcionarão mais ou menos como quer o presidente Barack Obama.

29/12/2014

às 17:00 \ Vasto Mundo

A retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba é uma oportunidade única para melhorar as condições de vida na ditadura dos irmãos Castro

(Foto: PA)

No regime castrista, direitos humanos e liberdade de expressão não são garantidos, mas os EUA podem ajudar (Foto: PA)

UMA OPORTUNIDADE ÚNICA

Artigo de José Miguel Vivanco* publicado no jornal O Globo

A reviravolta na política externa do presidente Barack Obama em relação a Cuba é uma lufada de ar fresco que oferece a possibilidade de alcançar avanços genuínos em matéria de direitos humanos, caso o governo dos Estados Unidos atue de forma inteligente.

Os críticos da decisão do presidente Obama de restabelecer relações diplomáticas plenas com Cuba argumentam que os Estados Unidos abandonaram seu compromisso com a proteção dos direitos humanos na ilha. Outros afirmam ainda que a nova abordagem de Obama premia Cuba, ao abrir mão do instrumento de pressão que os Estados Unidos supostamente têm contra o regime autoritário cubano. Esta posição é profundamente errada.

A confusão surge a partir da própria retórica equivocada do governo americano, determinado a manter um embargo de custo elevado. Durante décadas, Washington defendeu teimosamente que o embargo era necessário para promover os direitos humanos e a mudança democrática em Cuba. Mas na realidade, o embargo não contribuiu de forma alguma para melhorar a situação dos direitos humanos na ilha. Pelo contrário, ele impôs dificuldades indiscriminadas ao povo cubano e protegeu o governo de Cuba da crítica internacional.

Em vez de isolar Cuba, essa política tem isolado os Estados Unidos, ao permitir que o governo de Castro desperte simpatia no exterior e, ao mesmo tempo, deixando Washington sem o apoio de grandes parceiros para promover os direitos humanos na ilha.

Não é uma surpresa que os defensores dos direitos humanos em Cuba e no exterior, assim como a maioria dos Estados na Assembleia Geral da ONU (188 de um total de 192 que votaram em uma resolução em outubro), peçam repetidamente que o embargo dos Estados Unidos acabe.

Por outro lado, além de algumas reformas positivas implementadas nos últimos anos, o governo cubano está ainda envolvido em abusos sistemáticos destinados a punir os críticos e evitar a dissidência.

Em 2010 e 2011, o governo de Cuba libertou dezenas de presos políticos em troca de aceitar seu exílio. Desde então, Havana tem usado sentenças prolongadas para punir dissidentes com uma frequência muito menor e flexibilizou as restrições draconianas sobre viagens que dividiam famílias e impediam que críticos entrassem e saíssem de Cuba.

No entanto, o governo cubano emprega outras táticas para reprimir os indivíduos e grupos que criticam o governo ou reivindicam direitos fundamentais. Nos últimos anos, as prisões arbitrárias e detenções breves têm aumentado significativamente, o que muitas vezes impede que os defensores dos direitos humanos, jornalistas independentes e outros possam se reunir ou se mover livremente.

Muitas vezes, as prisões preventivas são feitas para impedir que as pessoas participem de marchas ou reuniões pacíficas para discutir política. É comum que os detidos sofram espancamentos, recebam ameaças e permaneçam incomunicáveis durante horas ou dias.

O governo controla todos os meios de comunicação existentes em Cuba e restringe fortemente o acesso a informações provenientes do exterior, cerceando severamente o direito à liberdade de expressão. Apenas uma ínfima proporção da população é capaz de ler sites e blogs independentes, devido ao acesso limitado à internet e seu alto custo.

A evidência empírica demonstra que era irracional continuar insistindo em uma política que nunca alcançou os objetivos a que se propunha. A via unilateral, um resquício da Guerra Fria, estava esgotada há décadas, e é exatamente por isso que o início do desmantelamento iniciado pela Casa Branca abre uma oportunidade única.

*José Miguel Vivanco é diretor para as Américas da Human Rights Watch

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25/12/2014

às 17:00 \ Vasto Mundo

UM ESPANTO: Fidel Castro e sua inacreditável ilha particular (que não é Cuba)

PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)

PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)

Post publicado originalmente a 29 de junho de 2014

A ILHA DO CARA

Revelado o segredo dos altos índices de desenvolvimento humano em Cuba.

Eles devem estar sendo medidos na ilha privativa de Fidel Castro, um paraíso nababesco

Reportagem de Leonardo Coutinho publicada em edição impressa de VEJA

Campeões-de-audiênciaCultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina, Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude, em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã.

Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo, por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da história.

Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.

Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guar­da-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.

Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos?

Fidel tem.

Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple, que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas por baterias antiaéreas?

Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)

Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)

Fidel tem tudo isso em sua ilha – e não se está falando de Cuba, que, de certa forma, é também sua propriedade particular.

O que o ex-guarda-costas revela em detalhes é a existência de uma ilha ao sul de Cuba onde Fidel Castro fica boa parte do seu tempo livre desde a década de 60. Nada mais condizente com uma dinastia absolutista do que uma ilha paradisíaca de usufruto exclusivo da família real dos Castro.

Juan Reinaldo Sánchez narra a liturgia diária do séquito de provadores oficiais que experimentam cada prato de comida e cada garrafa de vinho que chegam à mesa do soberano para garantir que não estejam envenenados. “A vida inteira Fidel repetiu que não possuía nenhum patrimônio além de uma modesta cabana de pescador em algum ponto da costa”, escreve Sánchez no seu livro.

A modesta cabana de Fidel é uma imensa casa de veraneio de 300 metros quadrados plantada em Cayo Piedra, ilha situada a 15 quilômetros da Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. Quando Fidel conheceu Cayo Piedra, logo depois do triunfo de sua revolução de 1959, o lugar lhe pareceu o refúgio ideal para alguém decidido a nunca mais deixar o poder.

Eram duas ilhotas desertas sobre um banco de areia com uma rica fauna marinha. Condições excelentes para a caça submarina, um dos passatempos do soberano resignatário de Cuba. Muito se especulava sobre a existência do resort de Fidel, mas sua localização só se tornou conhecida agora, depois da publicação do livro de Sánchez. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

21/12/2014

às 20:00 \ Política & Cia

TVEJA: “Dilma promete prender no 2º mandato quem ela protegeu no 1º”, diz Augusto Nunes

Joice Hasselmann e Augusto Nunes, no ‘Aqui Entre Nós’, discutem a volta de Antonio Palocci à cena agora envolvido no escândalo do Petrolão, a reaproximação diplomática entre Estados Unidos e Cuba e a última semana de trabalhos legislativos no Congresso Nacional.

 

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