Blogs e Colunistas

comunismo soviético

20/04/2013

às 19:00 \ Vasto Mundo

MEMÓRIA: Margaret Thatcher, uma dama do lado direito da história

VISÃO DE FUTURO -- A premiê, férrea na gestão do estado, em 1981: a validade de suas ideias era e, em grande parte, ainda é universal (Foto: Peter Marlow / Magun  / Latin Stock)

VISÃO DE FUTURO -- A premiê, férrea na gestão do Estado, em 1981: a validade de suas ideias era e, em grande parte, ainda é universal (Foto: Peter Marlow / Magun / Latin Stock)

Reportagem de Duda Teixeira, com colaboração de Tatiana Gianini e Nathalia Watkins, publicada em edição impressa de VEJA

UMA DAMA DO LADO DIREITO DA HISTÓRIA

Margaret Thatcher salvou a Inglaterra do declínio econômico e político. O conjunto de suas ideias ganhou um nome, thatcherismo, algo que nenhum outro premiê britânico alcançou – nem Winston Churchill

Margaret Thatcher morreu dia 8 de abril, vítima de derrame. Ela tinha 87 anos. Andou esquecida até que Merryl Streep a representou no cinema, em um filme espetacular que se fixou mais no outono de sua vida, quando Thatcher, viúva e senil, conversava com Denis, o marido morto havia anos, como se ele estivesse tomando café da manhã com ela. Comovente e triste.

Mas Thatcher, feita baronesa depois de deixar o posto de primeira-ministra, se permitia raras demonstrações públicas de emoção. Ela estava com os olhos marejados de lágrimas quando diante da imprensa se despediu do cargo, ocupado por ela por onze anos, entre 1979 e 1990.

Nesse período, transformou a política no Reino Unido, ajudou a enterrar o moribundo comunismo soviético e criou uma doutrina de política econômica, o thatcherismo, que, em diferentes gradações, dominou o período áureo da globalização na década de 90, dando racionalidade aos políticos no poder e tirando milhões de pessoas da miséria em países tão díspares quanto o Vietnã e o México.

Foi chamada pela primeira vez de Dama de Ferro por um jornal oficial soviético, que julgou estar ofendendo-a. Ela adorava o apelido. Fez jus a ele na vida pública. Mostrou que governo e povo não são a mesma coisa. Governo é uma gigantesca burocracia cujos interesses só em alguns poucos casos, aqueles em que há ganho político, coincidem com os do povo. Por isso é preciso vigiar os governantes, cobrar eficiência deles e diminuir seus poderes.

Thatcher foi demonizada pelas esquerdas retrógradas por ter obtido sucesso em suas políticas e tê-las imitadas em quase todas as partes do mundo. Com razão, pois o salvacionismo insurrecional das esquerdas só tem, na cabeça de seus seguidores, alguma chance quando tudo dá errado em um país e a miséria se instala.

Tolice.

Se fizessem uma pequena pesquisa histórica, descobririam que, no Ocidente, os partidos de esquerda crescem mesmo é nos momentos de bonança econômica, quando o capitalismo produz excedentes econômicos bastantes para sustentar a imensa turma de socialistas e assemelhados que invariavelmente ganham a vida sem trabalhar. Foi assim nos Estados Unidos.

Durante a dura recessão dos anos 30, o partido comunista do país praticamente desapareceu. Foi só no esplendor econômico do pós-guerra, quando a classe média enriqueceu e os pobres viraram classe média, que as ideias socialistas e comunistas ganharam maior projeção nos Estados Unidos.

Não é por outra razão que o esquerdismo no Ocidente tem sempre um quê de esnobismo, um ar de superioridade moral, intelectual e de classe.

Isso vem da certeza de que, enquanto derrubam o sistema nos bares e em ambientes chiques, o capitalismo continua firme produzindo o excedente econômico que permite aos militantes viver sem trabalhar e aos ricos dizer-se de esquerda sem o temor de perder tudo para os revolucionários.

O esquerdismo no Ocidente é apenas um estado de espírito. Quando passa disso, cobra um alto preço.

AMIZADE À PRIMEIRA VISTA -- Thatcher com Ronald Reagan, em 1985: "Ela era agradável, feminina, graciosa, inteligente, e ficou evidente nas nossas primeiras palavras que éramos almas gêmeas", disse o presidente americano (Foto: Gamma)

AMIZADE À PRIMEIRA VISTA -- Thatcher com Ronald Reagan, em 1985: "Ela era agradável, feminina, graciosa, inteligente, e ficou evidente nas nossas primeiras palavras que éramos almas gêmeas", disse o presidente americano (Foto: Gamma)

Na Grã-Bretanha deu-se um fenômeno semelhante. O conservador Winston Churchill, vencedor na II Guerra Mundial, não foi apeado do poder pelos socialistas no alvorecer da paz por causa das penúrias impostas ao povo.

Livres da guerra e da pobreza pela ajuda dos Estados Unidos, os eleitores britânicos sentiram-se confortáveis o bastante para embarcar na experiência socializante que afundaria o Reino Unido – até que Thatcher salvasse o país.

Entre 1945 e 1951, praticamente todas as grandes companhias de bens e serviços foram estatizadas e passaram a se pautar por aquela dinâmica antiprogresso, antitecnologia e antieficiência que caracteriza a esquerda no poder.

A British Telecom, por exemplo, conseguiu bloquear a entrada do fax no Reino Unido. A empresa temia que o aparelho fosse uma ameaça ao uso do telefone para falar. Em quadro muito familiar aos brasileiros antes das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, um telefone na Inglaterra podia ficar mudo seis semanas antes que aparecesse um técnico da estatal para tentar resolver o problema.

Sem concorrência, sob a proteção do monopólio, as estatais tripudiavam sobre os usuários e o público. Prejuízos? O governo cobria. Mas de onde tirar tanto dinheiro? Ora, aumentando os gastos públicos e deixando a inflação devorar o poder de compra das pessoas.

Somados todos os sindicatos, os dias de trabalho eliminados por greves na Inglaterra antes de Margaret Thatcher se contavam em dezenas de milhões por ano. Thatcher chegou e acabou com o processo de destruição do país. “A Inglaterra antes de Thatcher era como a Argentina de hoje, mas sem a maquiagem dos índices”, resume o economista Maílson da Nóbrega, que vivia em Londres naquele período. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/03/2012

às 19:36 \ Vasto Mundo

Reeleito presidente, o tirano Putin poderá governar a Rússia por mais tempo do que todos os chefões comunistas da ex-URSS, exceto Stalin

Foto oficial de Putin recebendo telefonemas de congratulações em seu gabinete (Alexey Druginyn / RIA / Novosti / EFE)

 

Ele sufoca a oposição, fecha a boca da imprensa livre, reprime manifestações por democracia e acabou com as eleições livres para os principais cargos executivos nas mais de oitenta repúblicas, regiões e territórios teoricamente autônomos da Rússia.

Mas, em seu longo reinado, iniciado em 2000, Vladimir Putin recolocou razoavelmente a economia nos eixos, fez diminuir a bárbara criminalidade que imperou durante o período de governo do presidente Boris Ieltsin (1991-1999), firmou o país como grande potência petrolífera — apesar da inacreditável roubalheira havida no processo de privatização do setor desde os anos 90 — e, utilizando fortíssima campanha de marketing pessoal, projetou-se como uma espécie de salvador da pátria, em frangalhos após o fim da União Soviética.

A imagem diz tudo: mesmo com Medvedev presidente, Putin sempre esteve no primeiro plano (Foto: The Australian Sunday Times)

Nesse processo, entre muitas outras etapas de construção de uma ditadura pessoal e implacável, com um leve ar de democrcia, fez o dócil Parlamento russo, a Duma, esticar de quatro para seis anos o mandato presidencial.

Assim sendo, eleito ontem, domingo, para comandar novamente o Kremlin em pleito coalhado de irregulariades, o todo-poderoso Putin deixa em maio seu posto de primeiro-ministro do pupilo Dmitri Medvedev — que troca de lugar com ele — com a possiblidade de permanecer por mais doze anos no poder (dois mandatos consecutivos), além dos oito em que governou e dos quatro nos quais tutelou Medvedev.

Seriam, então, 24 anos como o manda-chuva da Rússia.

Stalin em seu caixão: só morto, em 1953, deixou o poder absoluto

Se tal ocorrer — e é uma hipótese bastante provável, já que só tem sessenta anos de idade — Putin terá permanecido no leme da Rússia mais do que todos os chefões do comunismo soviético, exceto Josef Stálin, que reinou de 1924 a 1953 — 29 anos, portanto.

Se não, vejamos:

Vladimir Lenin mandou por seis anos e meio — de novembro de 1917 a junho de de 1924, quando morreu.

Josef Stalin permaneceu com o poder absoluto por 29 anos — de 1924 até morrer, em 1953.

Nikita Kruschev, seu sucessor, reinou por 11 anos, até 1964, quando foi deposto por um golpe de Estado.

Leonid Brejnev, que prevaleceu sobre a troika que sucedeu ao deposto Kruschev, governou por 18 anos, até morrer, em 1982.

Yuri Andropov, então chefe da KGB, foi um sucessor efêmero de Brejnev: assumiu no final de 1982 e morreu no começo de 1984.

Konstantin Chernenko, outro dos integrantes da gerontrocacia soviética, durou menos ainda: assumiu em fevereiro de 1984, e morreu em março de 1985.

Mikhail Gorbachev, que substituiu Chernenko e conduziu a política de abertura do regime, começou a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação da economia) em março de 1985. Pouco menos de sete anos depois, no Natal de 1991, diante da proclamação da independência da Rússia e de trilha idêntica sendo seguida por outras repúblicas soviéticas, declarou a dissolução da União Soviética e renunciou ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista e de presidente.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados