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07/11/2011

às 15:03 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: “o governo apodreceu”

"O Grito", litogravura de Edward Munch (1895)

Amigos, reproduzo excelente artigo do jornalista Ricardo Noblat, velho amigo e companheiro de redação, sobre os mecanismos podres que movimentam nossos partidos políticos. A ilustração é a mesma que ele utiliza em seu prestigioso blog.

O que o Noblat escreve é triste, mas é verdade. O título original é o que vai em negrito abaixo. Confiram:

Mau cheiro

Somente os muito ingênuos acreditam que os partidos brigam por cargos interessados em ajudar o governo a fazer o bem do país – e nada mais.

Nunca foi assim. E pelo jeito jamais será.

Os partidos ambicionam cargos para roubar. O dinheiro enche os bolsos dos seus dirigentes e financia campanhas que custam cada vez mais caro. É simples assim.

Surpreso? Não brinque.

Candidato rico pode até gastar parte do seu dinheiro para se eleger. São raros.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) talvez seja um deles. Sua fortuna cresceu 356% entre 2006 e 2010 quando governou Mato Grosso pela segunda vez consecutiva. É o rei da soja. E a soja, sabe como é…

De remediado para baixo, candidato usa o dinheiro dos outros para se eleger. E fica devendo favores que depois tenta pagar no exercício do mandato.

Emplacar um protegido em cargo de relevo é meio caminho andado para pagar o que deve e sair com lucro. Perguntem ao experiente senador José Sarney se não é…

Há uma secretária de empresa estatal da área de energia que só faz uma coisa durante o expediente: cuidar dos interesses do senador. Ora ela atende o próprio, ora algum dos filhos dele.

Antes que passe pela cabecinha de Sarney a ideia de me processar, adianto logo: tudo o que ele faz, tudo mesmo, é legal. Fui claro? Fui convincente?

Estamos conversados. Adiante.

O PT só chegou ao poder que de fato importa quando resolveu se comportar como os demais partidos. Lula cansara de perder. Então arquivou a vergonha.

Certo dia, entre 1998 e 2002, chamou José Dirceu e disse mais ou menos isto: “Só serei candidato pela quarta vez se for para ganhar. E para ganhar vale tudo”.

Valeu, por exemplo, comprar o passe do Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto por pouco mais de R$ 6 milhões. Lula assistiu à compra sentado num terraço de apartamento, em Brasília.

Parte do dinheiro para a compra foi doada pelo seu então candidato a vice, José Alencar. O apoio do PL resultou em mais tempo de televisão e de rádio para Lula. Apoio de partido vale por isso.

No primeiro mandato, Lula recusou-se a pagar o preço pedido pelo PMDB para apoiá-lo. O PMDB queria cargos, muitos cargos. E autonomia para tirar proveito deles.

Contrariando José Dirceu, Lula imaginou que poderia governar comprando apoios a cada votação importante no Congresso. O mensalão derivou disso. E deu no que deu.

(Para continuar lendo o artigo de Noblat, clique aqui).

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17 Comentários

  • benesaturnino

    -

    12/11/2011 às 22:00

    O governo apodreceu ou já começou podre!!!!!????
    E o pior continua podre e não tem cura!!!!

  • Gilberto Campos

    -

    9/11/2011 às 13:00

    Setti, vc como jornlista experiente, colega e amigo do Noblat, poderia facilmente conseguir esta informação pra gente. Mande um e-mail ou telefone para o Noblat. Mas por favor, nos informe: quem é a secretária e de qual estatal, que está recebendo salário pago por nós para atender interesses particulares do Sarney e de sua família? E na sua opinião, como isto pode ser legal, como afirma o Noblat?

    Incansável Gilberto: por que você não escreve para o blog do Noblat? Ele não publicou porque não quis, ou para não expor a pessoa ou pelas razões que achou conveniente.
    Por acaso o Sarney desmentiu?

  • fpenin

    -

    9/11/2011 às 1:38

    Odores nauseabundos, oriundos da coprologia que domina um governo de m…O Maranhão nada gera de energia elétrica, mas a famiglia Sarney é quem controla a Eletronorte.Caras de pau…

  • Ariel

    -

    8/11/2011 às 21:29

    Na corrupção antiga se roubava ‘milhões’, e hoje se rouba ‘bilhões’: eis a diferença. Enquanto houver essa massa imensa e sem capacidade crítica, trabalhando para pagar imposto, sem perguntar onde está sendo aplicado tal imposto, vai ser assim, roubo e mais roubo, desvios e mais desvios.

  • Gilberto Campos

    -

    8/11/2011 às 19:03

    por favor Setti, qual é a empresa estatal que deixa a disposição de um senador uma secretária particular? E como isto pode ser legal?

  • Gilberto Campos

    -

    8/11/2011 às 17:27

    “Há uma secretária de empresa estatal da área de energia que só faz uma coisa durante o expediente: cuidar dos interesses do senador. Ora ela atende o próprio, ora algum dos filhos dele.
    Antes que passe pela cabecinha de Sarney a ideia de me processar, adianto logo: tudo o que ele faz, tudo mesmo, é legal. Fui claro? Fui convincente?”
    Setti, por favor, nos informe quem é esta secretária? De qual ministério? E como isto pode ser legal?

    O texto é do Ricardo Noblat, caro Gilberto. Reproduzi tal qual.

  • maripaula

    -

    8/11/2011 às 17:08

    O Noblat está enganado, quem apodreceu foi o comando do PT, Lula e Dirceu!

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    7/11/2011 às 22:32

    Sergio D:
    De pleno acordo com voce.
    Abração

  • Josué

    -

    7/11/2011 às 22:07

    Raras vezes votei em quem gostaria, muitas vezes tive que votar no “menos” pior. A mentira é mais atraente que a verdade, enquanto houver desinformados e parasitas será difícil haver uma democracia plena. Portanto isso aí ainda vai feder por muito tempo…É uma pena!

  • SergioD

    -

    7/11/2011 às 21:01

    Ricardo, o Noblta fala uma coisa correta: esse tipo de coisa aconteceu em todos os governos. Achar que isso aconteceu somente nos governos do PT é o mesmo que acreditar em Papai Noel. FHC pode negar, mas duvido que não tenham ocorridos roubos em seu governo além daqueles escândalos já conhecidos, Essa tecnologia está arraigada a política brasileira, vide o Valerioduto mineiro, o original.
    Essa situação não vai se corrigir se não tentarmos acabar com esse nosso presidencialismo de coalizão. Enquanto não tivermos uma reforma política que permita a formação de maiorias parlamentares mais estáveis ficaremos reféns de partidos nanicos ou de partidos que sejam uma autêntica colcha de retalhos, formados pela coligação de lideranças regionais sem qualquer identificação ideológica. Antes tinhamos o PMDB com esse DNA. Agora que a lição foi aprendida vem ai o PSD com o mesmo perfil genético.
    Uma lástima.
    Grande abraço

  • Corinthians

    -

    7/11/2011 às 20:05

    Não tem como dizer que Noblat está errado.
    Texto muito bom.
    Só acho que o título está um pouco impreciso – como ele mesmo disse, o governo apodreceu antes mesmo de ser eleito – afinal pra ganhar, vale tudo…

  • Vera Scheidemann

    -

    7/11/2011 às 19:23

    Belíssimo texto. O Noblat foi simples e
    não poderia ser mais contundente.
    Vera

  • psrc22

    -

    7/11/2011 às 18:46

    É a treva!

  • Pedro Luiz Moreira lima

    -

    7/11/2011 às 16:06

    Amigo Setti:
    O Noblat deveria ao fazer sua análise ir do inicio da Nova Republica até o governo da presidenta Dilma.
    Concentrar todos os erros em cima do governo de Lula e do PT,faz uma análise somente com uma visão oposicionista e não uma visão de quem quer fazer uma análise política sem viés partidario ou ideológico, para quem é CONTRA agrada plenamente e esse foi o publico alvo.

  • Reynaldo-BH

    -

    7/11/2011 às 15:39

    Dois pontos chamam a atenção no brilhante artigo do Noblat.
    O primeiro é a afirmativa clara e direta: o governo apodreceu. Com menos de um quarto do tempo, a fruta caiu no chão. A carne já está com vermes. E o mau cheiro empesteia o ambiente. Não há como refutar esta constatação. Não é ilação. É real.
    O segundo ponto – que julgo até mais importante – é a afirmativa (de novo, verdadeira) do PT ter se transformado em mais do mesmo. Essa é a herança maldita de Lula et caterva. Tenho insistido nisto. Podia-se não concordar com o PT antes de 2002.
    Pelo sectarismo, pela negativa antes de qualquer análise, pela ideologia infantilizada. Um esquerdismo que mesmo tendo professores e intelectuais on board, levava o partido à simplificação de teses que jamais conseguiu explicar direito.
    Veio a Carta aos Brasileiros. Uma defesa de uma maior seriedade e compromisso com o Estado e não com um eventual governo.
    Aliado a isto, um diferencial.
    A ética que era bandeira de luta e marca decisiva que separava o PT dos demais. Por isso o combate feroz de Lula a Sarney e Collor. À época, que fique claro.
    Teria chegado ao poder (o que importa, como diz Noblat) sem agir assim? Não sei. Talvez bastasse o “Lulinha Paz e Amor” ao invés do “Tô Invocado!” e o compromisso de manter conquistas sociais já anteriormente alcançadas. Talvez tenha sido isto que deu a Lula o tão sonhado cargo que tentava pela quarta vez.
    O PT preferiu creditar ao mais do mesmo – a cópia fiel do que havia de pior na política brasileira e que parecia combater – como o fator crítico de sucesso. Seria mesmo?
    Sei que o PT já agia deste modo nos estados e municípios que administrava. Soubemos agora. O ovo da serpente já existia. Só eclodiu. Mas, como é da evolução das espécies, com maior força que antes.
    Este crime o PT jamais irá ter como pagar.
    Destruiu esperanças. Expectativas de mudanças. Jogou na lata de lixo o pouco de credibilidade que tinha. Foi além. A cópia do mais do mesmo suplantou o modelo.
    Conseguiu ser mestre e transformar todos os outros em aprendizes.
    O governo apodreceu. E não por causas naturais.
    A causa primária tem nome, CGC, dirigentes e um projeto de poder onde o fim justificam os meios.
    E onde limites não existem.
    Mesmo para mau cheiro.

  • Flavio

    -

    7/11/2011 às 15:26

    O governo realment apodreceu, mas o pior é que nós nos acostumamos com o cheiro.

  • Barbarella

    -

    7/11/2011 às 15:05

    Muito bom esse texto do Noblat!

 

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