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“No futuro, Android e Chrome OS vão se misturar”, diz diretor do Google

Gigante da internet quer trazer mais segurança para aparelhos com Android, ao mesmo tempo em que aumenta adoção do Chrome OS em novos dispositivos

Por Claudia Tozetto 21 fev 2014, 13h22

Com investimentos em dois sistemas operacionais distintos, o Google quer estar em todos os dispositivos conectados a internet. Depois de colocar o Android em cerca de 70% dos smartphones e tablets vendidos no mundo, a empresa agora tenta expandir o alcance do Chrome OS, sistema para notebooks e desktops centralizado na nuvem.

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Três anos após os primeiros Chromebooks chegarem aos Estados Unidos, eles já dividem a preferência do consumidor com os notebooks tradicionais. Na Amazon, maior empresa de varejo on-line do mundo, três em cada cinco notebooks vendidos nos EUA usam Chrome OS. Segundo dados da consultoria NPD Group, os Chromebooks representaram 21% de todos os notebooks vendidos nos EUA em 2013.

Em visita ao Brasil, Felix Lin, diretor de planejamento do Google, deu mais um passo para o avanço do Chrome OS no Brasil. Junto com a Samsung, ele anunciou o segundo Chromebook a chegar ao país. Apesar dos desafios, Lin tenta repetir por aqui o sucesso alcançado no exterior. “Os Chromebooks levam embora a complexidade dos PCs tradicionais”, diz o executivo ao site de VEJA. Confira a seguir a entrevista:

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Qual a diferença entre um Chromebook e um notebook tradicional? A melhor coisa dos Chromebooks é que eles ficam melhores todos os dias, porque seguem a mesma lógica dos serviços da web. Cada vez que você acessa um site, ele pode ter novos recursos e você não precisa instalar nenhum software para se beneficiar. Nós enviamos atualizações constantemente para os Chromebooks, que são instaladas sem nenhuma intervenção do usuário. Quando melhoramos o gerenciamento de energia do Chrome OS, você percebe na hora que a bateria do Chromebook dura mais. Além disso, eles são fáceis de usar e não estão sujeitos a vírus e outras ameaças.

O Google pretende trazer outros Chromebooks para o Brasil? Estamos trabalhando com os fabricantes em vários países, para que os Chromebooks estejam disponíveis para a maior quantidade de pessoas possível. Os parceiros que fabricam os produtos programam os lançamentos, não o Google. Mas nós temos a intenção de começar a oferecer Chromebooks por meio da loja virtual Google Play no Brasil. Ainda não temos uma data para começar, mas estamos trabalhando nisso.

Os Chromebooks são baratos nos Estados Unidos e dependem da internet em boa parte do tempo. Como o produto pode ter sucesso no Brasil? Este é um dos benefícios de trabalhar em parceria com a Samsung. Ela fabrica o produto no Brasil, o que reduz o preço final. Quanto à conexão, os Chromebooks funcionam também off-line, então aplicativos do Google e de outros desenvolvedores podem ser usados sem conexão. O valor dos serviços oferecidos na nuvem está aumentando, enquanto o custo da conectividade está caindo. Quando o custo da conexão ficar pequeno em relação ao valor que a nuvem traz, vamos atingir um ponto de inflexão. Estamos próximos disso, mas ainda não chegamos lá.

Embora sejam sistemas diferentes, o Android e o Chrome OS podem ser integrados no futuro? O Android é o melhor sistema operacional para smartphones e tablets e dispositivos que, de alguma forma, oferecem uma experiência com tela sensível ao toque. O Chrome OS, por outro lado, é uma solução para notebooks, desktops e telas maiores. Ao longo do tempo, imaginamos que recursos do Android serão incluídos no Chrome OS e vice-versa. Em algum ponto no futuro, vamos ver uma mistura entre os dois sistemas.

Quais os benefícios que essa mistura pode trazer? Podemos ver o Android funcionando em qualquer dispositivo. No caso do Chrome OS, temos o compromisso de melhorar a experiência com o computador ao longo do tempo, então há um limite de dispositivos que podemos atender. A portabilidade do Android é algo que gostaríamos de trazer para o Chrome OS. No sentido contrário, a inicialização segura é um dos recursos que seriam incríveis para o Android. Imagina como seria bom se, ao ligar o smartphone, o sistema verificasse se cada pedaço de software que está ali é seguro?

Embora o Chrome OS seja desenhado para computadores, fabricantes apostam em produtos com Windows e Android. Porque não o Chrome OS? Existe muita inovação acontecendo e todos os grandes fabricantes produzem computadores com Chrome OS. Mas não temos planos de fazer parcerias para colocar o sistema em equipamentos que também usam Windows. Um dos principais benefícios do Chrome OS é a segurança. Toda vez que construímos um Chromebook, todo o software que está dentro dele foi desenvolvido pelo Google [o Chrome OS não permite guardar arquivos no computador, apenas na nuvem, no cartão de memória ou em um pen-drive]. A ideia de ter o Chrome OS dividindo o espaço com outro sistema pode comprometer isso. Não podemos garantir que, ao usar o outro sistema, a máquina continuará segura.

Como resistir a mudar a interface do Chrome OS para agradar os usuários que estão mais acostumados com sistemas tradicionais, como o Windows? Não queremos criar uma ponte entre o passado e o futuro. Estamos simplesmente focados em como as pessoas usam seus computadores hoje e em como achamos que vão usar no futuro. No caso do Chrome OS, a integração do dispositivo com a nuvem, a segurança e as atualizações automáticas são princípios que vão compor a base de todos os dispositivos no futuro. Queremos que a interface ofereça uma forma de as pessoas fazerem mais com menos esforço. É este o caminho que vamos continuar seguindo.

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