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Contra terrorismo, Paquistão quer cadastrar digitais de todo usuário de celular

Com o intuito de combater o terrorismo, o governo do Paquistão está exigindo que todos os usuários de celulares do país cadastrem suas impressões digitais em lojas de telefonia. Caso não registrem seus dados biométricos nas próximas semanas, os paquistaneses terão os serviços cortados, de acordo com o jornal Washington Post.

A medida é uma resposta à proliferação descontrolada de cartões SIM – usados para armazenar dados telefônicos e efetuar ligações -, que têm dificultado o trabalho de investigação das autoridades do país. No caso mais emblemático, em dezembro do ano passado, militantes do Taliban coordenaram ataques que mataram 150 estudantes e professores em uma escola na cidade de Peshawar valendo-se de telefones registrados em nome de uma mulher sem conexão com os terroristas.

O Paquistão é o sexto mais populoso do mundo: são 180 milhões de habitantes e 136 milhões de assinantes de algum serviço de telefonia, de acordo com Autoridade de Telecomunicações do Paquistão. Até o início desse ano, as autoridades não sabiam dizer se 101 milhões deles estavam registrados de acordo com a lei. As companhias terão até 15 de abril para verificar todos os números e dizer a quem pertence cada um deles.

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Devido ao prazo apertado e o risco de perder clientes, algumas empresas estão tomando a iniciativa. É o caso da Mobilink, empresa com mais de 38 milhões de assinantes no Paquistão, que contratou 700 vans para coletar impressões digitais dos moradores de regiões mais afastadas. Segundo o governo paquistanês, as digitais coletadas serão comparadas com as que estão na sua base de dados. O setor de telefonia é um dos que cresceu mais rápido no Paquistão. Em 2003, o número de usuários de celulares não ultrapassava os cinco milhões, de acordo com dados oficiais.