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Concorrentes revivem o desafio ao iPad em 2011

Um ano após afirmar que lançariam seus tablets, empresas retomam promessas para ingressar no mercado

Por The New York Times 3 jan 2011, 10h09

O ano passado foi supostamente o período em que os fabricantes surpreenderiam os consumidores com todo tipo de ofertas de tablets. Em janeiro, Steven Ballmer, executivo-chefe da Microsoft, subiu ao palco do International Consumer Electronics Show, a feira das novidades da indústria de tecnologia, e mostrou três dispositivos que, ele disse, estariam à venda nos meses seguintes. Dezenas de pequenas companhias estabeleceram seus próprios planos para tablets na feira.

Mas poucas dessas promessas se tornaram realidade; nenhum dos tablets da Microsoft chegou às lojas. Em vez disso, em abril, o iPad da Apple foi lançado. E 2010 se tornou o Ano do iPad.

Este ano, os fabricantes prometem que será diferente, dizendo que depois do sucesso do iPad eles aprenderam muito sobre o que os consumidores esperam de um tablet. “Nós poderíamos ter feito isso um ano atrás, mas ele não teria os recursos necessários”, disse Phil Osako, diretor de marketing de produto da Toshiba, que está lançando um novo tablet na feira deste ano, que começa na quinta-feira em Las Vegas.

Talvez a característica mais importante seja a capacidade de assistir vídeos de alta qualidade, dizem analistas da indústria, apontando para pesquisas de mercado que mostram, acima de tudo, consumidores querendo usar os tablets para todo tipo de mídia – assistir filmes, ver e compartilhar fotografias e jogar games.

“O primeiro instinto dos competidores da Apple foi o de criar um aparelho mais barato e com processador mais barato”, disse Sarah Rotman Epps, analista da Forrester Research, uma empresa de pesquisa de mercado. “O problema é que eles não teriam telas de vídeo tão boas.”

Na feira deste ano, a Research in Motion e a Hewlett-Packard devem mostrar seus tablets, enquanto as apresentações de executivos da Motorola e Microsoft foram amplamente concebidas para revelar os aparelhos de suas companhias. Ballmer fará o discurso de abertura em Las Vegas na quarta-feira, véspera da estreia da feira.

No andar da feira, os fabricantes cuja principal competência esta focada em telefones celulares, computadores pessoais e até aparelhos de televisão planejam mostrar suas primeiras incursões no mercado dos tablets.

Ao mesmo tempo, analistas do setor dizem que a demanda para esses aparelhos está prestes a se saturar. Mais de 24 milhões de tablets devem ser vendidos este ano nos Estados Unidos, sobre os 10,3 milhões de 2010, de acordo com a Forrester. A IDC, outra empresa de pesquisa, espera que as vendas mundiais cheguem a 42 milhões em 2011.

Até outubro, a Apple havia vendido 7,46 milhões de iPads em todo o mundo, de acordo com os últimos dados apresentados pela companhia. Ela não teve praticamente nenhuma concorrência durante todo o ano, até o Samsung Galaxy chegar ao mercado em novembro. A Samsung disse que já vendeu 1,5 milhão de unidades desde então.

Como os concorrentes receberam isso? – Muitas empresas estão retendo as especificações de seus tablets até que eles sejam lançados formalmente. Mas os que têm discutido seus planos dizem que irão oferecer características específicas não existentes no iPad e ganhar dos concorrentes no preço.

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Osako, da Toshiba, afirmou que a experiência da Apple no ano passado ajudou sua empresa, criando demanda para os tablets enquanto a Toshiba aperfeiçoava seus planos. O tablet da Toshiba, que vai rodar no sistema operacional Android, do Google, se parece com um iPad com um suporte de borracha no fundo. A empresa incorporou recursos que desenvolveu para seus laptops, como alto-falantes estéreo e uma tela que se ajusta de acordo com a iluminação. Os recursos devem torná-lo confortável para consumidores que assistem vídeos.

Osako também enumerou recursos não disponíveis no iPad, como câmeras na frente e nas costas, portas para conexão HDMI e cartões SIM, e a capacidade de rodar Adobe Flash. “Nós o vemos como a próxima revolução”, disse ele.

Outras empresas estão procurando de diferenciar no preço. A Enspert, fabricante coreana, que já vende tablets na Coreia, planeja lançar um tablet com sistema Android e tela de 7 polegadas por menos de 350 dólares na feira, e vendê-lo nos Estados Unidos ainda este ano. Até o final do verão, o tablet, chamado Identity Tab, estará disponível com um plano de dados por meio de uma grande operadora sem fio por cerca de 100 dólares, disse Bobby Cha, diretor de marketing da empresa.

Cha disse que consumidores de tecnologia pagam um preço alto por marcas conhecidas, criando oportunidade para empresas pouco conhecidas com produtos similares. “O mercado está aberto a todos, por isso sabemos onde todo mundo está”, disse ele. “A Apple mudou a dinâmica do mercado, mas queremos ocupar uma faixa de preço que é muito mais atraente para o mercado de massa americano.”

Criar produtos similares a preços muito mais baixos pode ser difícil, porque o iPad condicionou os consumidores a esperar um dispositivo que seja relativamente leve e poderoso o suficiente para exibir mídia de alta qualidade, disse Mark Donovan, analista da comScore, uma organização de pesquisa de mercado. Mas ele também afirmou que o sucesso será determinado em grande parte pelos softwares que irão rodar nos aparelhos, não apenas no número de recursos que os os fabricantes poderão embalar no hardware.

O mercado de tablets se parece com o de smartphones, em que algumas empresas, como Apple, Research in Motion e Microsoft projetam seus próprios sistemas operacionais, enquanto muitos outros projetos executam o sistema operacional Android, do Google.

Talvez as empresas mais bem posicionadas sejam aquelas que produzem telefones celulares, disseram vários analistas que acompanham o mercado. Os fabricantes de celulares já possuem relacionamento com operadoras de telefonia móvel, que podem esconder o preço cheio dos aparelhos com subsídios quando os consumidores compram planos de dados.

Muitos fabricantes estão se concentrando apenas na criação de hardware que rodarão no sistema Android. Em parte, empresas adiaram lançamentos no ano passado à espera de versões atualizadas do Android específicas para tablets. A espera parece ter terminado.

Os aparelhos já rodam o Android 2.3, conhecido como Gingerbread, e o Android 3.0, conhecido como Honeycomb, que deve estar disponível este ano. Andy Rubin, vice-presidente de engenharia do Google, mostrou um protótipo de um tablet Motorola rodando o sistema operacional numa conferência em dezembro.

A experiência da Apple com o iPad mostrou que os consumidores dão grande valor ao número e a qualidade dos aplicativos. Assim, não importa quão bom pareçam os tablets em Las Vegas, numa feira de eletrônicos. A competição continuará com desenvolvedores escrevendo aplicativos para os vários aparelhos.

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