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Como um leilão de NFTs vai ajudar os indígenas Paiter Suruí, de Rondônia

Com lances iniciais entre R$ 100 e R$ 300, obras de artistas contemporâneos de indígenas vão contribuir para o monitoramento das terras da comunidade

Por André Sollitto Atualizado em 19 abr 2022, 12h15 - Publicado em 19 abr 2022, 11h42

Arte digital com impacto no mundo real. Essa é a proposta de um leilão que vai apresentar obras digitais de artistas indígenas e contemporâneos com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar indígenas Paiter Suruí, cuja terra Sete de Setembro fica entre Rondônia e Mato Grosso. Organizado pelo Mercado Bitcoin em parceria com o marketplace de arte digital Tropix e a consultoria Nossa Terra Firme, especializada em ESG e sustentabilidade, o leilão começa hoje, às 12h, e termina amanhã, quarta-feira, às 12h15. São apenas 24 horas para garantir os NFTs, e os lances iniciais custam entre R$ 100 e R$ 300.

“Sabemos que o leilão tem dois grandes momentos: a abertura e as últimas 24 horas”, afirma Bruno Milanello, executivo de novos negócios do Mercado Bitcoin. “Focando apenas nesse período, conseguimos criar mais ‘buzz’ sobre o leilão. Foi uma estratégia comercial mesmo”, diz. Do total de recursos arrecadados, 96% serão destinados aos Paiter Suruí, e os 4% restantes cobrem despesas operacionais do leilão.

A escolha dos Paiter Suruí não foi por acaso. Afinal, eles têm uma ligação forte com a tecnologia. Usam drones, fazem o monitoramento de suas terras via satélite, todos têm internet em suas casas e vem se interessando por criptoativos e por blockchain. Além disso, ganharam notoriedade principalmente após o discurso da jovem Txai Suruí na COP 26, e seu pai, Almir Suruí, também é uma liderança de destaque. “Eles conseguem aliar tradição e tem lideranças muito reconhecidas”, diz Iara Vicente, fundadora e CEO da consultoria Nossa Terra Firme.

Obra 'Matriarca e Patriarca', de Moara Tupinambá, que homenageia os anciãos Marinop e Weitãn, do grupo Paiter Suruí, e outros que perderam a vida para a Covid-19 -
Obra ‘Matriarca e Patriarca’, de Moara Tupinambá, que homenageia os anciãos Marinop e Weitãn, do grupo Paiter Suruí, e outros que perderam a vida para a Covid-19 – Moara Tupinambá/Divulgação

Os recursos serão usados em várias frentes. Na compra de combustíveis e na logística de expedições de monitoramento, em ajuda de custo para os monitores ambientais, que precisam abdicar de trabalho formal para realizar a tarefa, e na compra de equipamentos para o registro e o monitoramento, como drones, GPS, notebooks e câmeras. O objetivo é permitir que a comunidade possa se mobilizar rapidamente em emergências, como a invasão das terras por grileiros.

Este é o segundo leilão realizado pelo Mercado Bitcoin com o objetivo de arrecadar recursos para os Paiter Suruí. O primeiro acontece em janeiro deste ano, com participação de oito artistas que contribuíram com 21 obras. Foram R$ 40 mil levantados. Agora, o objetivo é levantar um valor ainda maior, e os recursos dos dois leilões serão somados. Entre os participantes estão nomes importantes das artes indígenas, como Denilson Baniwa, Pi Suruí e Moara Tupibambá, além de artistas que já trabalham com o digital, como Rodrigo Eli e Leila Azevedo.

A iniciativa faz parte de uma estratégia de NFTs de impacto em que o foco é no trabalho dos artistas e em como aqueles recursos farão diferença no mundo real. “A gente tira toda a fricção da parte tecnológica, da complexidade do blockchain”, diz Bruno Milanello. O sucesso da primeira edição também tem apontado um caminho de viabilidade de projetos. “É um case antirracista que mostra como culturas e paradigmas diferentes podem colaborar e não ser antagônicos”, afirma Iara Vicente. “A captação de recurso é feita de forma respeitosa, e o povo Paiter Suruí não está passivo no projeto”, afirma.

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