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Começa julgamento do dono do maior mercado negro da internet

Ross Ulbricht, de 30 anos, é acusado de comandar lavagem de dinheiro e venda de drogas pelo site Silk Road — que acaba de ganhar nova versão

Suspeito de comandar o maior mercado de drogas e armas da internet, o californiano Ross William Ulbricht, de 30 anos, começa a ser julgado nesta terça-feira em Nova York sob as acusações de tráfico de narcóticos, lavagem de dinheiro, hackeamento, tentativa de assassinato e formação de quadrilha.

O site, conhecido por Silk Road, foi criado em fevereiro de 2011 para facilitar o comércio on-line de produtos ilegais e, de acordo com o FBI, teria gerado cerca de 1,2 bilhão de dólares em mais de um milhão de transações. Ulbricht, criador do site, é acusado de ter recebido 80 milhões de dólares em comissões.

Ele também teria pago, segundo a acusação, 750.000 dólares a um assassino de aluguel para eliminar seis pessoas – entre elas um informante. Ninguém chegou a ser morto, contudo.

O caso vem sendo comparado ao de mafiosos devido ao teor dos crimes pelos quais Ulbricht terá que responder – sobretudo o de formação de quadrilha que, combinado com outros, pode, de acordo com as leis americanas, resultar em prisão perpétua. A defesa, segundo a revista Forbes, deve alegar que Ulbricht não é Dread Pirate Roberts, apelido pelo qual o dono do Silk Road se comunicava pela rede. O advogado do acusado sustenta que o nome era usado por várias pessoas.

Para ter acesso ao Silk Road, os usuários usavam o navegador anônimo Tor e, na hora de realizar o negócio, optavam por moedas critografadas, que garantem sigilo de identidade. Era considerada uma plataforma segura até que, em meados de 2013, agentes da inteligência americana passaram a se infiltrar e, com base em pistas deixadas pelos frequentadores, conseguiram chegar até a casa de Ulbricht. Ele foi detido e seus computadores, apreendidos. O material virtual é a única prova que a acusação possui. Defensores de Ulbricht comentam que o conteúdo pode ser facilmente manipulado.

O FBI conseguiu tirar a página do ar no dia em que Ulbricht foi detido, mas o mercado negro on-line voltou um mês depois com o nome de Silk Road 2.0. Outra operação para derrubar o shopping ilegal ocorreu em outubro de 2014 depois de prisões de traficantes e hackers ligados ao site, mas não foi suficiente para intimidar os demais usuários. Na última semana a loja virtual mudou para uma rede mais difícil de quebrar o sigilo, a Invisible Internet Project (I2P), e agora se chama Silk Road Reloaded.