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Voz de ex-presidente poderá ser afetada

Tratamento envolve exercícios para maximizar a função da laringe. Cerca de 60% dos pacientes que fazem radioterapia ficam com sequelas discretas na voz

A voz do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, poderá sofrer alterações devido ao tratamento contra o câncer de laringe, diagnosticado no último sábado. De acordo com informações dadas pelos médicos durante coletiva de imprensa, Lula será acompanhado por um fonoaudiólogo.

A laringe é um órgão que tem funções ligadas à respiração, produção de voz e deglutição. Entre as possibilidades de tratamento desse tipo de câncer estão a quimioterapia, radioterapia e/ou cirurgia.

A partir desta segunda-feira, Lula será submetido à quimioterapia. Ele também fará sessões de radioterapia em janeiro do próximo ano. Segundo Elisabeth Carrara de Angelis, fonoaudióloga e oncologista chefe do serviço de reabilitação do Hospital AC Carmargo, o acompanhamento por um especialista em fonoaudiologia é importante para prevenir alterações graves na fala do ex-presidente. “Sozinha, a quimioterapia não traz muitas consequências à voz. Ao combiná-la com a radioterapia, porém, a voz tende a ficar mais alterada”, diz Angelis.

Ela explica que a radioterapia é localizada na região do pescoço, então, os músculos do local tendem a ficar mais endurecidos, afetando também as cordas vocais. “O papel da fono é proporcionar exercícios específicos a cada músculo para que esses tenham maior possibilidade de movimento da corda vocal, evitando assim o enrigecimento muscular e a dificuldade de engolir. O objetivo é maximizar a proteção da laringe”, afirma Angelis.

Durante o tratamento de radioterapida, o paciente poderá sofrer alterações na voz provocadas por inflamação e inchaço. Nesse período, a pessoa pode ficar rouca ou sem voz. “Ao acabar o tratamento, ele pode voltar ao normal”, diz. Em alguns casos, é possível ter sequelas tardias. Por isso, a importância do acompanhamento com um especialista.

Segundo Angelis, cerca de 60% dos pacientes que fazem radioterapia apresentam alterações discretas na voz. Outros 15% retomam a condição função anterior e o restante fica com alterações graves. “Não sabemos porque isso acontece. É uma característica individual e a resposta vocal ao tratamento costuma ser muito boa”.