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Teste aponta irregularidades em seis marcas de água de coco

Em análise da Proteste, 6 marcas de água de coco apresentaram irregularidades em relação à veracidade de informações nos rótulos

Por Marina Felix Atualizado em 3 ago 2017, 16h56 - Publicado em 31 jul 2017, 18h07

Em um novo teste de qualidade realizado pela Proteste, seis marcas de água de coco – Do Bem, Kero Coco, Obrigado, Coco do Vale, Sococo e Ducoco – foram avaliadas quanto à presença de conservantes, quantidade de sódio, adição de açúcar e a veracidade das informações nas embalagens. De acordo com os resultados divulgados, todos os produtos testados apresentaram algum tipo de irregularidade.

  • Informações na embalagem

    Entre as seis marcas avaliadas, três tiveram resultado negativo em relação à veracidade de informações apresentadas nos rótulos – Sococo, Ducoco e Coco do Vale. Segundo a Proteste, a Sococo alega na embalagem se tratar de um produto natural, mas contém nos ingredientes sacarose e metabissulfito de sódio, que pode causar crises em pessoas asmáticas.

    As marcas Coco do Vale, Ducoco e Sococo apresentaram variação entre a quantidade de sódio apresentada no rótulo e no produto superior aos 20% permitidos pela legislação. Enquanto a Coco do Vale e a Ducoco tiveram mais de 30% de diferença para sódio e potássio do que o informado na embalagem, a amostra da Sococo apresentou 64%  de sódio a menos do que constava no rótulo.

    A única marca que obteve resultado positivo quanto à veracidade foi a Obrigado, que alega não adicionar açúcar e conservantes à água de coco.

    Proteste/Reprodução

    Data de fabricação

    O teste revelou ainda que quatro das marcas avaliadas não indicaram a data de fabricação na embalagem. Foram elas Coco do Vale, Ducoco, Kero Coco e Obrigado. Apesar de essa informação não ser obrigatória por lei, permite que o consumidor opte por produtos que tenham sido fabricados há menos tempo.

    Modo de conservação

    Orientações sobre o armazenamento correto dos produtos foi outra informação negligenciada por duas das marcas. De acordo com o teste, a Obrigado e a Do Bem, além de omitirem orientações sobre o armazenamento do produto,  não alertam sobre os riscos à saúde quando essas indicações não são seguidas, como prevê a lei.

  • Água de coco

    No Brasil, o consumo de água de coco chega a alcançar 64 milhões de litros por ano, ultrapassando, por exemplo, o volume de bebidas energéticas vendidas no país, segundo informações da Proteste.

    Além de ser pouco calórico, o produto possui diversos nutrientes, como vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes, que beneficiam o organismo. No entanto, hipertensos e diabéticos devem consumi-la moderadamente, já que ela possui naturalmente em sua composição sódio e açúcar.

    Posicionamento

    Segundo a Proteste, a falta de veracidade nas informações dos rótulos é um problema recorrente no setor alimentício que configura oferta enganosa. Visando ao fim dessa prática, a associação informou que enviou os resultados do teste à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pedindo fiscalização e ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, solicitando adequações nas embalagens.

    Em nota enviada a VEJA por e-mail, a Ducoco afirmou:

    “Proteste diz que “a marca DuCoco traz a mensagem ‘0% gordura e colesterol’, fazendo marketing para uma característica que toda água de coco possui naturalmente. O próprio produto informa, em letras bem pequenas, que é um benefício natural do produto (“como toda água de coco”).

    Ao declarar que a água de coco é um produto 0% gordura e colesterol temos a intenção de informar ao consumidor os benefícios desta bebida. Como manda a legislação, inclusive com o tamanho de fonte recomendado,  afirmamos na embalagem que esta é uma característica inerente ao produto.

    A Proteste diz que ‘na análise da veracidade das informações, algumas marcas apresentaram uma variação na rotulagem superior aos 20% permitidos. A DuCoco mostrou diferença de mais de 30% para sódio e potássio.’

    A água de coco Ducoco é um produto natural, não existe manipulação, ou seja: não adicionamos e nem retiramos sódio ou potássio. Apesar das variações do fruto, trabalhamos sempre de acordo com a legislação.

    Acrescentamos ainda que a Ducoco preza pela alta qualidade, os produtos da empresa são aprovados pelo FDA (Food and Drugs Administration), possuem as certificações ISO 14001, ISO 9001, ISO 22.000, FSSC 22.000 e selo Kosher, além da certificação Rainforest Alliance, que visa através da promoção e incentivo do manejo florestal e agrícola, ambientalmente corretos e economicamente viáveis, contribuir para a preservação da biodiversidade e justiça social para que pessoas e meio ambiente prosperem juntos.”

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    Em nota enviada por e-mail, a Obrigado afirmou:

    “A água de coco Obrigado informa que segue a legislação e todas as regras de segurança na fabricação de seus produtos. Quanto aos dados apontados pela Proteste, a marca afirma que a informação sobre a data de fabricação, apesar de não ser legalmente necessária, já está em análise para que seja implementada em seus produtos. Sobre as instruções do modo de conservação, a marca deixa claro no rótulo que após aberto, o produto deve ser consumido em até três dias, e deve ser conservado na temperatura de 1°C a 8°C, observando o prazo de validade impresso na embalagem. A informação será complementada com os possíveis riscos à saúde nos próximos lotes da água de coco.

    Com apenas dois anos no mercado brasileiro, a Obrigado já é reconhecida pela proposta única de seus produtos. Uma água de coco extraída sem exposição à luz e ao oxigênio, sem adição de açúcares, conservantes e com o menor teor de sódio do mercado.”

    Em nota enviada por e-mail, a Kero Coco disse:

    “A PepsiCo segue todas as diretrizes e regulamentações exigidas pelos órgãos de fiscalização no Brasil, bem como assegura a qualidade dos processos adotados na produção de KERO COCO. KERO COCO é pioneira no envase de água de coco no Brasil e há mais de 20 anos utiliza 100% de coco verde brasileiro como principal insumo do produto.”

    Em nota enviada por e-mail, a Do Bem disse:

    “As caixinhas da água de coco da do bem  já trazem informações sobre como armazenar o produto para aproveitá-lo com todo o seu sabor: basta proteger a bebida do sol e do calor, em local seco e arejado, além de consumir a água em até três dias após sua abertura. A do bem esclarece que o único quesito apontado pela Proteste – sobre a informação no rótulo sobre possíveis riscos do armazenamento inadequado – já está em processo de ajuste. A mensagem será complementada nos próximos lotes da água de coco.”

    Em nota enviada por e-mail, a Sococo disse:

    Quanto ao comentário “vendida como um produto natural”, a rigor não procede, a expressão impressa no rótulo da água de coco SOCOCO é “NATURALMENTE REFRESCANTE”, transmitindo a ideia de frescor da bebida. A água de coco SOCOCO é produzida exclusivamente a partir de água de coco “in natura”, sem qualquer uso de concentrado e sem adição de água potável, não fazendo, portanto, nenhum tipo de reconstituição. Assim sendo, apenas na lista de ingredientes, consta a procedência da matéria prima utilizada (água de coco natural).

    A sacarose utilizada é exclusivamente para padronização do brix do produto e em quantidade inferior a 1%, conforme estabelecido na legislação vigente (IN nº 27/09- Art 4º, item I) e se encontra devidamente declarada na lista de ingredientes.

    A variação no teor de sódio na água de coco é uma característica natural inerente ao fruto, reconhecida pelo próprio PIQ – Padrão de Identidade e Qualidade da água de coco, que admite uma variação de 2 a 30mg/100ml (IN nº 27, de 22 de julho de 2009). O valor de sódio encontrado pela PROTESTE foi de 5,3mg/100ml, muito abaixo do valor máximo legalmente estabelecido. Evidencia-se ainda que, tanto o valor de sódio apontado pela PROTESTE quanto o constante na tabela nutricional do rótulo da água de coco SOCOCO, encontram-se abaixo de 2% do Valor Diário de Referência que é de 2400 mg (RDC 360/03 do MS). Quanto à diferença apontada entre os valores referidos pela PROTESTE e os valores indicados na embalagem da água de coco SOCOCO, justifica-se pela grande variação apresentada nos teores de sódio do próprio fruto, tendo a SOCOCO, por segurança, optado por informar o valor mais alto detectado em suas análises.

    A conservação da água de coco SOCOCO é assegurada por tratamento térmico em Sistema UHT (Ultra High Temperature). A quantidade de metabissulfito de sódio 50 ppm (partes por milhão) utilizada é mínima, servindo apenas como antioxidante, conforme estabelecido pela própria legislação de aditivos alimentares na categoria de água de coco (RDC nº 8, de 06/03/2013) e não como conservador. O antioxidante utilizado está devidamente declarado na lista de ingredientes.

    No tocante aos demais tópicos elencados (falta de data de fabricação e falta de dados sobre conservação), a matéria veiculada pela PROTESTE não aponta qualquer não conformidade para o produto água de coco SOCOCO.

    Por oportuno, a SOCOCO informa que está avaliando a necessidade de alterar os dizeres de rótulo dos próximos lotes de água de coco SOCOCO.”

    Procurados por VEJA, representantes da Coco do Vale não deram retorno.

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