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Taxa de infecção pelo coronavírus em jogadores de futebol de SP é de 11,7%

Índice é o mesmo que o encontrado em profissionais da saúde que atuam na linha de frente contra o novo coronavírus

Por Matheus Deccache Atualizado em 9 jul 2021, 18h13 - Publicado em 9 jul 2021, 18h11

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo mostrou que o índice de infecção pelo coronavírus entre jogadores de futebol profissionais de São Paulo no ano passado foi de 11,7%, a mesma porcentagem registrada em profissionais da linha de frente no combate à pandemia. 

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram quase 30 mil testes de RT-PCR realizados em 4.269 atletas de oito torneios diferentes organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF), sendo seis deles referentes ao futebol masculino e dois ao futebol feminino. 

Dos atletas analisados, 501 estavam contaminados. Nas demais profissões da área — comissão técnica, profissionais de saúde, roupeiros, entre outros –, 161 exames deram positivo de um total de 2.231, o equivalente a 7%. 

“É uma taxa muito maior se comparada a outros países. Na Dinamarca e Alemanha, por exemplo, os resultados positivos são de apenas 0,5% e 0,6%, respectivamente. Até mesmo no Catar, onde há um risco moderado de transmissão comunitária, a porcentagem foi de 4%. Isso significa que nossos jogadores se infectaram entre três a 24 vezes mais”, diz Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, instituição que participou do estudo.

Segundo Gualano, os números são preocupantes também por conta do impacto que as infecções causam para a coletividade. Membros da comissão técnica são em média mais velhos e estão fora de forma, tendo maiores chances de sofrer com sintomas mais graves e até mesmo a morte.

Ainda segundo o médico, os motivos para o grande número de infecção vai além das questões protocolares dentro de campo. No Brasil, uma parcela de jogadores não se limita a ir apenas aos centros de treinamento e estádio, frequentando outros lugares fora das obrigações do futebol. Além disso, a profissão demanda um número alto de viagens longas, muitas vezes realizadas de ônibus, o que aumenta o nível de exposição.

O estudo foi publicado na British Journal of Sports Medicine e contou com o apoio de uma coalizão de pesquisadores filiados ao complexo hospitalar da FM-USP (Hospital das Clínicas), do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), do Hospital do Coração de São Paulo (HCor), o Complexo Hospitalar de Niterói, a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e o Núcleo Paulista de Pesquisas em Esportes de Alto Rendimento (NAR-SP), com apoio da FPF.

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