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Sociedades médicas repudiam falas de Bolsonaro contra vacinação infantil

Entidades divulgaram notas de repúdio às declarações do presidente, consideradas "irresponsáveis socialmente", "lamentáveis" e um "desserviço"

Por Simone Blanes 7 jan 2022, 16h13

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) divulgou nesta sexta-feira, 7, uma nota de repúdio às declarações do presidente Jair Bolsoraro, dadas durante uma live na quinta-feira, 6, contra a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19. “Ao deturpar informações apresentadas por renomados cientistas na audiência pública, menosprezar as sérias complicações da doença na população infantil — ignorando centenas de óbitos — e criar artifícios para adiar o início da vacinação, o presidente cria um desnecessário clima de medo, que pode motivar inúmeros pais ou responsáveis a não levarem suas crianças às salas de vacinação. Em outras palavras, o discurso pode causar hospitalizações, mortes e sofrimento evitáveis”, diz a entidade.

Na live, Bolsonaro voltou a falar de efeitos adversos da vacina da Pfizer em crianças e a desestimular a imunização do público infantil enfatizando que não irá vacinar sua filha, Laura. “Eu adianto a minha posição: a minha filha de 11 anos não será vacinada. Se você quiser seguir o meu exemplo, tudo bem. Se não quer, tudo bem, um direito teu”, declarou o presidente contrariando o próprio Ministério da Saúde, que atesta a Covid-19 como uma das dez principais causas de morte de crianças nessa faixa etária e que, segundo a SBIm, “entende que a vacinação dessa faixa etária é recomendada e segura, razão pela qual já definiu a vacinação e adquiriu doses da formulação infantil.”

A nota termina reiterando a posição da entidade a favor da imunização infantil, baseada em evidências científicas e nas experiências internacionais. “A Sociedade Brasileira de Imunizações entende que nenhuma morte de crianças é negligenciável. É inadmissível testemunhar crianças serem hospitalizadas e falecerem por doenças preveníveis por vacinas. A todos que estão com receio, transmitimos uma mensagem tranquilizadora. A vacinação de crianças entre 5 e 11 anos é segura, eficaz e salvará vidas da mesma forma que a vacinação de adultos e adolescentes vem salvando. Esperamos vocês nos postos de vacinação.”

Na quinta-feira, 6, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também repudiou em nota os comentários de Jair Bolsonaro, os quais considerou lamentáveis e irresponsáveis. “O Brasil deve temer a doença, nunca o remédio”, afirma o documento. “A vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e responsáveis à imunização de seus filhos é um ato lamentável, irresponsável e, que, infelizmente, pode custar vidas”.

Na terça-feira 4, o Comitê Extraordinário de Monitoramento da Covid-19 da Associação Médica Brasileira considerou “inaceitável e absolutamente inadequada a ‘polemização’ incentivada por algumas pessoas sobre a vacina em crianças de 5 a 11 anos”, em nota que ressalta “um desserviço do ponto de vista humano, expondo as futuras gerações a riscos evitáveis e gerando insegurança entre os cidadãos, em virtude de uma polêmica infundada, negacionista à Ciência e irresponsável socialmente.”

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