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Pesquisadores criam anticorpo capaz de combater o coronavírus

Em laboratório, o anticorpo monoclonal 47D11 foi capaz de impedir a entrada do vírus nas células

Por Da redação - 4 May 2020, 23h48

Pesquisadores da Universidade Utrecht, na Holanda, criaram um anticorpo monoclonal capaz de impedir a entrada do novo coronavírus nas células. De acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira, 4, na revista científica Nature Communications, em testes em laboratório, o anticorpo experimental 47D11 foi capaz de neutralizar a proteína spike.

A proteína spike é a proteína que fica na superfície do novo coronavírus. Além de ser a responsável pela forma de corona no vírus, essa proteína permite a entrada do coronavírus na célula ao conectar-se, como uma chave na fechadura, à enzima ACE2, presente na superfície das células.

Anticorpos monoclonais são um tipo de proteína criada em laboratório que imita as células de defesa produzidas naturalmente pelo corpo e têm a capacidade de se ligar a uma molécula específica, e neutraliza-la. Essa abordagem já é usada com sucesso em tratamentos contra diversas doenças incluindo câncer e doenças inflamatórias. De acordo com os autores, no futuro, esse anticorpo pode se tornar um tratamento eficaz contra a Covid-19.

Anticorpo descoberto antes do vírus

Os pesquisadores injetaram proteínas spike de diversos coronavírus em camundongos geneticamente modificados para desenvolver anticorpos semelhantes aos dos humanos contra essas proteínas. Os animais produziram 51 anticorpos diferentes, capazes de neutralizar a proteína spike dos coronavírus injetados.

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O interessante é que esta etapa da pesquisa foi realizada antes da pandemia de Sars-CoV-2, nome dado ao novo coronavírus. E as proteínas injetadas nos animais foram as encontradas em outros coronavírus que já existiam, como o causador da Sars, chamado Sars-Cov; o causador da Mers e coronavírus que causam resfriados comuns.

Com a descoberta do Sars-CoV-2, os pesquisadores decidiram testar se algum desses anticorpos também seria eficazes contra essa nova cepa. Para felicidade deles, os resultados mostraram que o 47D11 é capaz de neutralizar tanto o coronavírus causador da Sars (Sars-Cov) quanto o novo coronavírus, causador da Covid-19 (Sars-Cov-2).

“Usando esta coleção de anticorpos Sars-Cov, identificamos um anticorpo que também neutraliza a infecção pelo Sars-Cov-2 em células cultivadas. Esse anticorpo neutralizante tem potencial para alterar o curso da infecção nos infectados.”, explicou Berend-Jan Bosch, coautor do estudo e professor associado do programa de infecção e imunidade da Universidade de Utrecht.

Apesar dos resultados promissores, vale ressaltar que a pesquisa ainda está em fase pre-clínica. Testes feitos em células nem sempre têm bons resultados em humanos. E, antes de chegar nos testes em pessoas, ainda devem ser feitos testes em animais. Essa, inclusive, é uma das limitações do estudo apontada por especialistas, que afirmam que os testes em animais já deveriam ter sido feitos.

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De qualquer forma, os pesquisadores consideram os resultados iniciais promissores e acreditam que, no futuro, esse anticorpo poderá ser usado para ajudar a prevenir ou tratar a Covid-19 no futuro, sozinho ou em uma combinação com outras drogas. Agora, o objetivo é reformatar esse anticorpo para criar uma versão totalmente humana e iniciar os testes clínicos.

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