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Pesquisa no interior de São Paulo mostra alto índice de DSTs entre prostitutas

71,6% das prostitutas de Botucatu têm doenças sexualmente transmissíveis, muito acima da média da população em São Paulo, de 16%

Por Da Redação 7 dez 2011, 13h23

Mais de 70% das profissionais do sexo de Botucatu, cidade no interior paulista, têm algum tipo de doença sexualmente transmissível (DST). Dessas, 67,7% estão infectadas com o papiloma vírus humano (HPV, sigla em inglês). Os dados são resultado de um levantamento realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que analisou exames clínicos e laboratoriais de 102 mulheres, com idade média de 26 anos.

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HPV

O HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum. Existem mais de 40 subtipos, alguns dos quais podem causar câncer cervical e verrugas genitais. Normalmente, porém, o HPV não causa sintomas. Pelo menos 50% dos homens e mulheres sexualmente ativos contrairão HPV em algum momento de suas vidas. Geralmente o organismo humano consegue eliminar a infecção em dois anos, mas certos subtipos do vírus, conhecidos como cepas oncogênicas, podem evoluir para o câncer e precisam ser acompanhados de perto.

A prevalência de DSTs encontradas, de 71,6%, é muito superior à média da população em São Paulo, que é de 16%. De acordo com a pesquisa, entre as mulheres analisadas, foi 2,5 vezes mais frequente a presença de lesões que facilitam o desenvolvimento do câncer de colo do útero. Assim, os pesquisadores concluíram que essa era uma população de alto risco para o desenvolvimento da doença.

Falta de acesso – Segundo as pesquisadoras, o número elevado de casos pode ser lido como um indicativo de que os trabalhos para prevenção e tratamento da doença não são eficazes. Em parte, isso se deveria às características inatas do grupo: além de mudarem frequentemente de residência (dificultando o acesso a elas), há ainda os riscos para a saúde inerentes à prostituição.

Para Cristina Maria Garcia Lima Parada, coordenadora do estudo, existe ainda preconceito por parte das equipes de saúde, o que acaba por dificultar o acesso dessas mulheres aos serviços de saúde. “A partir da viabilização do diagnóstico das DSTs, espera-se que os gestores ampliem também investimentos, ações de educação permanente, acesso a insumos de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado”, diz.

Números subestimados- Foram feitos exames ginecológicos, além de coletas de sangue, para diagnósticos de sífilis, hepatite B e HIV, e de secreção cervical, para pesquisa de Chlamydia trachomis (CT, responsável pela clamidíase), Neisseria gonorroheae (NG, causadora da gonorreia) e Papilomavírus humano (HPV). De acordo com Cristina, o alto índice de positivos nos exames indica que o Brasil pode ter um número mais elevado de casos de DST do que os 12 milhões estimados pela Organização Mundial de Saúde. Uma explicação para isso seria a subnotificação de casos, já que grande parte das pessoas infectadas não busca tratamento.

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