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‘Pesquisa com a fosfoetanolamina continua’, diz coordenador

De acordo com o oncologista Paulo Hoff, coordenador do estudo, os resultados preliminares serão divulgados em até cinco semanas

“Independentemente da disponibilidade do produto como suplemento, continua extremamente relevante a questão se a substância fosfoetanolamina sintética tem ação antitumoral. Portanto, a pesquisa continua, sem nenhuma modificação”, disse a VEJA o oncologista Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) e coordenador do estudo. Hoff adiantou ainda que entre duas e cinco semanas serão divulgados os resultados preliminares da segunda fase da pesquisa clínica.  No fim da semana passada, dois ex-colaboradores de Gilberto Chierice,  o criador do composto popularmente conhecido como ‘pílula do câncer’, anunciaram a venda da fosfoetanolamina como um suplemento alimentar.

Os testes em humanos tiveram início em julho do ano passado. A primeira etapa da pesquisa clínica buscou avaliar a toxicidade da fosfoetanolamina. Os resultados mostraram que o produto não apresentava riscos de efeitos adversos graves. Na segunda etapa, o objetivo é comprovar a eficácia da substância. Ao todo, são mais de 21 voluntários em 10 grupos de tumor: cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado. O estudo continua se pelo menos três pacientes de cada subgrupo apresentarem uma redução de 30% do tumor.

Suplemento

A substância como suplemento está sendo produzida na Flórida (EUA) e será comercializada via internet para o resto do mundo a partir de 16 de março.  A propaganda do produto não diz nada sobre tratamento do câncer, apesar de ser este o grande apelo comercial da fosfoetanolamina no Brasil. Nem poderia, pois neste caso teria de se enquadrar na regulamentação de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e não há até agora nenhuma comprovação científica de que a substância funcione, de fato, no combate ao câncer.

O site criado pela empresa Quality Medical Line para comercializar o produto diz que a fosfoetanolamina atua como “um poderoso bio imunomodulador que age de forma constante e preventiva a distúrbios metabólicos e celulares, mantendo o equilíbrio e o bom funcionamento do sistema imune e da saúde humana”. Um dos anúncios colocados pela empresa no Facebook, porém, mostra uma mulher careca com a frase “Não desista!” – uma imagem que remete ao câncer.

O custo previsto é de R$ 3,80 por cápsula.  A produção inicial será de 500 mil cápsulas.

Histórico

A produção e comercialização da fosfoetanolamina sintética como droga anticâncer chegou a ser autorizada no Brasil, em abril de 2016, por um projeto de lei aprovado no Congresso e sancionado pela então presidente Dilma Rousseff, sob forte pressão política e popular. Mas a lei foi suspensa no mês seguinte por uma decisão do Superior Tribunal Federal (STF), por falta de evidências científicas da sua eficácia. Estudos realizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que a fosfo não é tóxica, mas não encontraram nenhum efeito antitumoral na substância.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Marcos MOraes

    ela novamente? Fascinante…MAM

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  2. Que está havendo? Decidiram que comentários postados nesta matéria não serrão editados? Censura de Veja? Aqui também? Os anúncios valem mais não é?……lamentável.

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  3. Seu principio ativo, fabricado pelo instituto de química da Universidade de São Carlos foi confirmado pela F.i.o.c.r.u.z. O remédio “evidencia” para as células de defesa, o câncer presente, que o atacam e destroem. Mas a industria farmacêutica e os médicos não querem!

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  4. Mas a industria farmacêutica e os médicos não querem! Por que os bilhões de ganhos dos dois lados param de fluir para eles com esse remédio, simples e barato!

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  5. . É igual ao motor movido a água, as petrolíferas também não querem, mas existe e é muito bom! Isso é a.s.s.a.s.s.i.n.a.t.o coletivo autorizado pela ANVISA por dinheiro!

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