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Pediatras e ginecologistas são maioria no país

De acordo com levantamento divulgado pelo Conselho Federal de Medicina, pediatras e ginecologistas somam 24,26% do total de médicos especialistas

O Brasil possui 204.563 médicos especialistas e 167.225 médicos generalistas, segundo aponta a segunda parte do censo inédito divulgado nesta quinta-feira pelo Conselho Federal de Medicina. A primeira parte do estudo foi divulgada nesta quarta-feira e mostrou que, além da concentração no setor privado, os médicos estão, na grande maioria, localizados nas regiões Sul e Sudeste.

Segundo o ranking de especialidades, a pediatria e a ginecologia e obstetrícia somam 24,46% do total dos especialistas – quase um quarto de todos os profissionais com especialização. São 27.232 pediatras e 22.815 ginecologistas e obstetras. Atrás das duas especialidades estão anestesiologia (14.826 médicos); cirurgia geral (13.609); clínica médica (10.640); ortopedia e traumatologia (9.515); oftalmologia (9.280); medicina do trabalho (9.065); cardiologia (8.708); radiologia e diagnóstico por imagem (7.212).

Entre as especialidades com menos profissionais, estão a cirurgia de cabeça e pescoço (384); medicina legal e perícia médica (314); angiologia (282); cirurgia da mão (202); e genética médica (156).

Perfil dos médicos – A população médica do Brasil tem, em média, 46 anos de idade. Entre os médicos com maior média de idade, com mais de 55 anos, estão os especialistas em patologia clínica (57), medicina legal e perícia médica (56,6) e angiologia (56). Os mais novos são infectologistas (41,7), cancerologistas (43,8) e geneticistas (42,6).

De acordo com os dados gerais, 59,3% dos especialistas em atividade são homens e 40,6% são mulheres. Ao considerar as 53 especialidades, 13 delas (ou 24,5%) têm maioria de mulheres e as 40 restantes são dominadas pelos homens.

Na pediatria, as mulheres correspondem a 70% do total, seguidas pela clínica médica (54,2%), medicina de família (54,2%), ginecologia e obstetrícia (51,5%) e medicina preventiva (50,3%). Nas especialidades básicas, segundo o levantamento, elas só perdem para os homens na cirurgia geral, onde são apenas 16,2% do total.

“A presença marcante das mulheres nas áreas básicas reflete as tendências de feminização e de juvenização que se cruzam na população geral de médicos. As mulheres já são 53,28% na faixa etária de até 29 anos entre os profissionais em atividade. E passaram a ser maioria nas turmas formadas em 2009 e 2010, com indicação acentuada de crescimento”, sugeriu o documento.

Desigualdade regional – A continuação do levantamento confirmou a tendência de desigualdade regional. A região Sul contabiliza o maior número de especialistas (1,95 para cada médico generalista), contrapondo com a região Norte (0,83) e Nordeste (0,96). A lógica, porém, não funciona para alguns estados do Sudeste: no Rio de Janeiro há mais generalistas que especialistas e em São Paulo a proporção é quase igual. Nesse caso, a diferença pode ser justificada porque os locais concentram maior número de faculdades, programas de residência médica e atraem especialistas de todo o país, em busca de oportunidade de trabalho.

“De um modo geral, os moradores de regiões mais pobres têm não só o menor número de médicos à disposição, como também o menor número de especialistas entre eles”, diz o estudo. Parte disso deve-se ao fato de que muitas especialidades exigem serviços hospitalares e infraestrutura para que possam ser exercidas, aponta o estudo.

O Acre, por exemplo, tem somente um especialista em genética médica e nenhum especialista em patologia clínica e medicina laboratorial. Enquanto isso, São Paulo tem 59 especialistas em genética e 361 patologistas.

No infográfico abaixo, é possível conferir a distribuição de ginecologistas, cirurgiões gerais, entre outras especialidades e verificar que eles estão mais presentes no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.