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Paciente pediu ajuda da filha para deixar UTI de hospital em Curitiba

Em bilhete, paciente pedia socorro e dizia que os aparelhos que a ajudavam a respirar eram desligados à noite

Por Da Redação 21 fev 2013, 22h47

Uma paciente pediu socorro à filha para deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba. De acordo com bilhete escrito pela paciente, e exibido nesta quinta-feira pela RPC TV, de Curitiba, afiliada da Rede Globo, os aparelhos que a ajudavam a respirar eram desligados à noite. “Eu preciso sair daqui pois tentaram me matar”, dizia a nota escrita de próprio punho.

O relato junta-se a outras denúncias contra a médica Virgínia Soares de Souza, chefe da UTI. Ela foi presa na terça-feira e indiciada na quarta por homicídio qualificado. As investigações, iniciadas há um ano, correm sob sigilo. Serão analisadas todas as mortes ocorridas no setor de Virginia nos últimos sete anos – período em que ela chefiou a UTI. De acordo com a delegada Paula Brisola, outros funcionários que trabalharam com a médica também estão sendo investigados. Uma das mortes investigadas é a de João Carlos Rodrigues, que aconteceu no final de agosto de 2012. Não se sabe ainda se houve a intenção ou não de desligar o aparelho que o mantinha vivo depois de quatro anos e quatro meses internado.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) se manifestou por meio de nota e não descartou a cassação do exercício profissional de Virgínia. “Se for confirmado o delito, o CRM-PR proporá a abertura de processo contra a médica denunciada”, diz a entidade.

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“Quero desentulhar a UTI”, disse médica de Curitiba em gravação

Gravações – Em depoimento prestado à polícia, Virginia afirma ter sido mal interpretada por falas como “Quero desentulhar a UTI que está me dando coceira”. As gravações feitas em janeiro deste ano foram divulgadas na quarta-feira pela RPC TV. Em outro trecho, a médica disse ainda não se lembrar de ter dito “Infelizmente, é nossa missão intermediá-lo do trampolim do além”.

De acordo com um colega de trabalho de Virginia, que preferiu não se identificar, a médica costumava gritar, quase que diariamente, ‘SPP’ (sigla para “se parar, parou”). A medida, no entanto, só valia para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “Se era particular ou convênio, aí tentavam salvar”, disse.

Defesa – O advogado da médica, Elias Mattar Assad, atribui as denúncias a inimizades dentro do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e diz que não há provas de crime contra a vida. “As causas dessas mortes são broncopneumonia, politraumatismo craniano decorrente de acidente de trânsito, além de mortes entre pacientes idosos. São causas comuns, que acontecem todos os dias em pessoas que vão para a UTI e não resistem”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)

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