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Obesidade afeta 10% da população mundial

Incidência do problema dobrou entre 1980 e 2008. Nações desenvolvidas lideram alta

Em 1980, 4,8% dos homens e 7,9% das mulheres eram obesos – ante 9,8% e 13,8%, respectivamente, em 2008

Um em cada dez adultos é obeso. O dado, de abrangência mundial, foi publicado nesta sexta-feira pelo periódico britânico The Lancet por pesquisadores do Imperial College London e da Universidade de Harvard. O estudo mostra que os Estados Unidos registraram a maior alta nas taxas de obesidade, seguidos de Nova Zelândia, Austrália e Grã-Bretanha.

Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram os índices de massa corporal (IMC), colesterol e pressão colhidos entre 1980 e 2008. Apesar das taxas de pressão e colesterol terem apresentado queda nos países desenvolvidos, a quantidade de pessoas obesas não para de crescer ao redor do planeta. Na Grã-Bretanha, por exemplo, os homens têm o sexto maior IMC de todo o continente europeu – as mulheres ficaram em nono lugar.

Em 2008, 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres de todo o mundo eram obesos – todos tinham IMC acima de 30. Os dados são alarmantes, uma vez que, em 1980, os índices eram 4,8% e 7,9%, respectivamente. A população que vive nas ilhas do Pacífico apresenta o maior IMC do mundo, com média de 34, valor 70% superior ao da média do sudeste da Ásia e da África Subsariana.

Brasil – Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2006 e 2009, o percentual de obesos na população passou de 11,4% para 13,9% – valor superior, portanto, aos 10% apontados na pesquisa mundial. Já a parcela daqueles que estão acima do peso ideal (podem ou não ser obesos) subiu de 42,7% para 46,6%.

Além de acompanhar o avanço da obesidade, o Brasil também caminha para uma redução no registro de problemas que normalmente acompanham o sobrepeso, caso do colesterol e pressão. Segundo a endocrinologista Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a mudança é fruto do avanço do avanço do tratamento à base de remédios.

“Hoje, temos à disposição um número maior de medicamentos para o tratamento de colesterol, diabetes, hipertensão e resistência à insulina, por exemplo”, diz Rosana. “O problema é: você trata as complicações da obesidade, mas não a doença em si.”

O número crescente de obesos deverá demandar custos mais elevados no tratamento das complicações decorrentes da obesidade. Os casos de apneia obstrutiva do sono, doença de gota e males nas articulações também tendem a crescer, impulsionadas pelo aumento do sobrepeso. “A melhor maneira de tratar um problema na articulação, por exemplo, é emagrecer, e não tomar remédio”, diz Rosana. “Cada quilo perdido reduz em 4 quilos a pressão sobre as articulações.”