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O jovem de 28 anos que vai decifrar o seu DNA

Ricardo di Lazzaro Filho criou, em 2010, a Genera, empresa de testes genéticos voltada para o público de baixa renda. Agora, o empreendimento também oferecerá análise de genoma que prevê risco de mais de 2 000 doenças

Em 2010, Ricardo di Lazzaro Filho, hoje com 28 anos, foi a uma estação de metrô de São Paulo perguntar às pessoas quanto elas desembolsariam para obter os resultados de um teste de paternidade. Esse foi o pontapé inicial da Genera, empresa genética da qual é sócio e cujos serviços têm como principal atrativo o baixo custo. Atualmente, o empreendimento realiza cerca de 1 000 análises de DNA por mês, duas vezes mais do que no ano passado, quando Lazzaro Filho se tornou um dos finalistas do Prêmio Jovens Inspiradores. Além disso, um teste de genético que avalia o risco de mais de 2 000 doenças a preço reduzido está nos planos da empresa para o ano que vem.

O carro-chefe da Genera é o teste de paternidade. O público é atraído pela combinação entre baixo custo e resultado rápido – o teste custa 499 reais e fica pronto em sete dias úteis. Se o cliente tiver pressa, o laudo sai em 24 horas, ao preço de 999 reais. Em outros laboratórios, a análise custa de 800 a 1 200 reais, em média, e demora pelo menos sete dias úteis para ser concluída.

Entre os outros serviços oferecidos pela Genera, que tem sede em São Paulo, estão a sexagem fetal e o teste de ancestralidade. O preço dos exames varia de 299 a 999 reais e todas as análises de DNA são feitas no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), que pertence à USP.

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O próximo passo da empresa é passar a oferecer um teste de genoma que indica o risco de o cliente desenvolver mais de 2 000 doenças, como diabetes e câncer, a um preço três vezes menor do que os existentes no mercado. O exame, que se chamará My Gene, estará disponível a partir do início do ano que vem e custará 10 000 reais, segundo Lazzaro Filho. Uma análise semelhante em outros laboratórios brasileiros sai, em média, por 35 000 reais.

No Brasil, os únicos testes genéticos oferecidos pela rede pública de saúde são o que detecta mutações especificamente nos genes BRCA1 e BRCA2, que acusam um risco elevado de câncer de mama; e outros quinze tipos de análise que investigam se determinadas doenças raras têm origens genéticas.

Montando o negócio – Quando decidiu investir em uma empresa de genética, Lazzaro Filho havia se formado em Farmácia-bioquímica na Universidade de São Paulo (USP) e cursava o segundo ano de medicina, também na USP. Segundo ele, a opção pela primeira graduação aconteceu porque ele queria criar uma pílula da imortalidade. Já a medicina atraiu a sua atenção pela vontade em se aprofundar em genética. “Vi que nessa área eu poderia trabalhar o assunto de diversas formas, seja fazendo uma pesquisa, seja realizando uma consulta”, diz.

Foi na faculdade de Farmácia-bioquímica que Lazzaro Filho conheceu André Chinchio, seu sócio na Genera. “Em uma conversa, há dez anos, pensamos em como poderíamos tornar o processo de análise genética mais rápido e, ao mesmo tempo, com menores custos”, afirma. A solução criada pelos então estudantes foi utilizar programas de computador para ajudar na decodificação do DNA estudado.

Com as economias e um financiamento, o projeto foi colocado em prática com cerca de 500 000 reais. “Para divulgar a empresa, contamos com familiares que trabalham com marketing. A Genera conseguiu ter visibilidade no mercado e não parou de crescer desde então”, diz e empresário. Lazzaro Filho diz que todo o dinheiro arrecadado com os testes é investido em novos produtos, equipamentos e unidades. Hoje, além de São Paulo, a empresa também está no Rio de Janeiro.

Experiência – Para o empresário, a participação no Prêmio Jovens Inspiradores em 2013 possibilitou criar uma rede de contatos favoráveis tanto para a sua formação pessoal quanto para o crescimento de sua empresa. “Conheci pessoas interessantes e tive a possibilidade de conversar com um banco de investimentos. Foi uma experiência inspiradora”, afirma.

Se você também quer fazer a diferença, inscreva-se no Prêmio Jovens Inspiradores 2014. Promovido por VEJA.com em parceria com Companhia de Talentos, Abril Plug and Play e Chivas, o concurso vai identificar e encorajar estudantes ou recém-formados com idades entre 18 e 34 anos com espírito de liderança e comprometimento permanente com a busca da excelência. O objetivo maior é ajudar a preparar líderes capazes de desatar os nós dos setores público e privado que ainda impedem o Brasil de avançar. O concurso vai premiar dez finalistas com iPads e troféus; quatro grandes vencedores ganharão também bolsas de estudo no exterior e um ano de orientação profissional (“mentoring”). Nesta edição, haverá uma categoria adicional voltada a empreendedores com idades entre 25 e 34 anos: um prêmio de 100.000 reais será destinado ao projeto ou empresa do vencedor.