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Ministro da Saúde descarta epidemia de ebola no Brasil

Segundo Arthur Chioro, fluxo relativamente pequeno de turistas que viajam para países da África Ocidental e preparação da rede de saúde minimizam riscos

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou em coletiva de imprensa neste sábado que o Brasil não deverá registrar “casos epidêmicos, explosivos” de ebola. Segundo ele, o fluxo relativamente pequeno de turistas que viajam do Brasil para países da África Ocidental e a preparação da rede de saúde brasileira para lidar com a doença minimizam os riscos de uma epidemia. “Temos um caso suspeito, é possível que apareçam outros, mas continuaremos trabalhando do jeito que já estamos”, disse.

O Ministério da Saúde divulgou neste sábado o resultado do exame laboratorial do primeiro suspeito de contágio por ebola no Brasil: negativo. Neste domingo, mais material será colhido do guineense Souleymane Bah, de 47 anos, e o resultado será divulgado na segunda-feira. Só então, segundo o Ministério, será possível afirman se Bah está ou não com o ebola.

Segundo Chioro, o estado de saúde de Bah é estável. Ele não manifestou mais possíveis sintomas da doença. Mesmo assim, ele segue no isolamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro. As pessoas que tiveram contato com Bah continuam sendo vigiadas por autoridades da Saúde.

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Chioro reforçou inúmeras vezes que as autoridades municipais, estaduais e federais fizeram simulações sobre a possível chegada do vírus ao país e estão preparadas para enfrentar o problema. “Em nenhum momento o governo e o SUS (Sistema Único de Saúde) menosprezou a gravidade do ebola. No primeiro situação objetiva que enfrentamos, todos os procedimentos programados foram cumpridos.”

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, descartou uma ação mais forte em portos e aeroportos, como o uso de scanners que medem temperatura corporal e interrogatório de passageiros. Para ele, essas ações são falhas e já se mostraram ineficazes em outras ocasiões. As autoridades devem continuar com os procedimentos que já estão tomando, de identificação de potenciais passageiros enfermos e repasse de informações à população. Se identificados novos casos suspeitos, os protocolos de isolamento e acompanhamento devem ser seguidos.

As autoridades se reúnem desde junho com representantes do Ministério da Defesa, Casa Civil, Ministério das Relações Exteriores, Secretaria de Portos e Aeroportos para alinharem os procedimentos. Nesta semana, segundo o ministro da Saúde, será feita uma reunião com representantes do Porto de Santos para acalmá-los. “Eles estão preocupados com o risco de contágio”, comentou Chioro.

Bah, um missionário de 47 anos, saiu de Guiné, na África Ocidental, no dia 18 de setembro. Após passar pelo Marrocos, chegou ao Brasil no dia seguinte. Por apresentar febre e ter vindo de um dos países com casos da doença, o caso foi classificado como suspeito.

Cinco especialistas do Ministério da Saúde estão em Cascavel, no Paraná, onde o guineense foi internado nesta quinta-feira. A equipe monitora as pessoas que podem ter tido contato com o paciente – que totalizam 64, como informou a pasta mais cedo. “Três pessoas tiveram esse contato direto com ele e já foram identificadas, mas nenhuma delas teve contato com as secreções, que podem transmitir a doença, como vômito, fezes e sangue”, disse Barbosa, da Vigilância em Saúde.

Caso – Na tarde de quinta-feira, Bah procurou atendimento na UPA Brasília II, em Cascavel, e relatou ter tido febre pela manhã e no dia anterior. No momento do atendimento, a sua temperatura estava em 36,6 graus e ele não apresentava hemorragia, vômitos ou outros sintomas característicos do ebola. Mesmo assim, pelo histórico de febre e por ter vindo da Guiné, o paciente foi considerado como suspeito de ter contraído a doença.

Além disso, o período de incubação do vírus, que é o tempo entre o microorganismo entrar no corpo de uma pessoa e os sintomas se manifestarem, é de até 21 dias – exatamente o período desde que o paciente deixou a Guiné e apresentou febre no Paraná. Assim que a possibilidade de infecção foi identificada, Bah foi colocado em isolamento na unidade e seu caso foi comunicado pela Secretaria de Saúde do Paraná ao Ministério da Saúde.

Na manhã desta sexta-feira, o africano foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, e submetido ao exame que detecta o ebola. Ainda que o teste descarte o vírus, uma nova avaliação será realizada após dois dias.