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Ministério da Saúde vai priorizar estados atrasados na entrega de vacinas

Sobre questionamentos de SP sobre doses recebidas, Marcelo Queiroga disse que 'é apenas uma questão de divergência de entendimento'

Por Giulia Vidale Atualizado em 19 ago 2021, 16h25 - Publicado em 18 ago 2021, 14h26

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, esclareceu nesta quarta-feira, 18, os critérios utilizados pela pasta para distribuição de vacinas contra a Covid-19. Segundo Queiroga, a partir de agora, a logística de distribuição de vacinas contra Covid-19 destinadas à aplicação da primeira dose levará em conta a taxa de vacinação dos estados. Aqueles com menor índice vacinal serão priorizados para garantir que todas as unidades da federação terminem a aplicação da primeira dose em setembro, como planejado pelo governo.

“O Ministério da Saúde tem o compromisso de fazer essa distribuição com equidade para que todos consigamos chegar ao final da campanha de imunização no mesmo tempo e aí planejarmos como será o amanhã, após o fim da pandemia. “, disse Queiroga.

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O ministro ressaltou que isso não representa uma mudança na metodologia do Plano Nacional de Operacionalização (PNO), que determina a entrega de vacinas aos estados, e que a nova logística foi discutida e aprovada pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde). O esclarecimento é uma resposta ao governo de São Paulo, que acusou o Ministério da Saúde de enviar ao estado uma quantidade menor de vacinas da Pfizer em relação ao que o estado teria direito e de ter mudado os critérios de entrega sem justificativa prévia aos estados.

“Nós conversamos com o Dr. Jean Gorinchteyn [secretário de Saúde de São Paulo] e mostramos que, segundo os cálculos do Ministério da Saúde, havia uma entrega por parte do Instituto Butantan [fornecedor da CoronaVac] para o estado de São Paulo maior. Então buscou-se conseguir essa entrega maior […] descontando em vacinas Pfizer. Posteriormente, nós chegamos a um entendimento que quando há uma entrega maior em função de um determinado imunizante, esse desconto deve ser feito com relação a esse mesmo imunizante”, explicou Queiroga.

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Queiroga destacou que a campanha de vacinação avançou mais rápido em São Paulo porque o estado concentra uma grande parcela da população classificada como grupo prioritário, incluindo idosos e profissionais de saúde. “São Paulo não recebeu mais doses do que deveria, recebeu a quantidade de doses adequada para o grupo prioritário. O que a gente precisa fazer agora é calibrar isso para que todos os estados recebam também de forma adequada a imunização de todos os brasileiros”, disse o secretário-executivo Rodrigo Cruz.

No entanto, logo após a declaração de Cruz, o ministério voltou a afirmar que  o governo paulista recebeu cerca de 300.000 doses a mais do Instituto Butantan. No entanto, o governo paulista nega a acusação. Para Queiroga, trata-se apenas de uma divergência de entendimento.

“Enquanto falamos aqui dessas doses que hipoteticamente o Instituto Butantan distribuiu a mais para o governo do estado de São Paulo, eu, pessoalmente, por conhecer o secretário Jean Gorinchteyn, o próprio Dr. Dimas Covas [diretor do Butantan], eu descarto qualquer tipo de conduta de má fé. É apenas uma questão de divergência de entendimento. E o que a gente está falando aqui são milhares de doses, quando na realidade já distribuímos mais de 200 milhões de doses de vacina. Ou seja, todo esse questionamento é por um motivo fútil porque é um percentual mínimo em relação ao que o governo federal já distribuiu”, concluiu o ministro. 

Alteração do prazo da segunda dose

Queiroga também criticou os estados que estão reduzindo o intervalo entre as doses da vacina da Pfizer antes de uma orientação formal do Ministério da Saúde a esse respeito. Ele voltou a afirmar que a pasta avalia a redução do período entre as duas injeções de 12 semanas, para 21 dias, conforme consta na bula. Mas qualquer decisão a esse respeito só será tomada após a conclusão da aplicação da primeira dose em todos os adultos, prevista para setembro.

Apesar da declaração do ministro, o governo do estado de São Paulo afirmou nesta quarta-feira, 18, que irá adotar o novo intervalo na campanha de vacinação estadual.

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