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Menos celular e mais amigos: dicas para um 2020 mais leve

Veja os conselhos de especialistas em saúde mental para quem deseja um ano novo com menos estresse

Por Maria Clara Vieira - 31 dez 2019, 12h20

A poucas horas de 2020, há quem ainda não tenha feito sua lista de desejos, objetivos e hábitos a serem cultivados a partir de 1º de janeiro. No país mais ansioso do mundo – de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 5,8% dos brasileiros sofre com o problema -, um ano novo mais leve é sempre uma boa pedida. VEJA ouviu três especialistas em saúde mental para elaborar uma lista de dicas práticas que podem ajudar nesse sentido – vale ressaltar, entretanto, que nada substitui o trabalho de um profissional. Confira os principais conselhos:

Estabeleça prioridades

A prática de estabelecer metas para o ano que se inicia é clichê, mas funciona. O importante é que os objetivos sejam poucos, estejam elencados de acordo com sua importância e sejam mensuráveis. Ter clareza quanto ao que se considera mais relevante pode ajudar a lidar uma das preocupações mais comuns nos consultórios: a vida profissional. “O trabalho nada mais é um do que um tempo delimitado do dia, ao qual se deve dedicar atenção absoluta”, diz a psiquiatra Anny Mattos, da Universidade Federal de São Paulo.

Quando se trata de produtividade, quem entende do assunto garante que, mais do que gerenciar o tempo, o segredo é aprender a dedicar a atenção. “Priorize as tarefas que importam, não importa quanto tempo levem, e muito mais terá sido feito ao final do dia”, garante o psicólogo organizacional Adam Grant, da Universidade de Wharton.

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Crie intervalos de “desconexão”

Que atire a primeira pedra quem, em 2019, não reclamou do excesso de mensagens no WhatsApp (e mesmo assim levantou no meio da noite para checar o celular), gastou muito mais tempo do que pretendia rolando a tela do Instagram ou, simplesmente, se sentiu ansioso com uma avalanche de notificações e notícias logo ao acordar. “A maioria das pessoas se perde junto com a multiplicidade de demandas e obrigações cotidianas”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, da Universidade de São Paulo.

Criar períodos diários de desconexão completa é uma receita para aliviar o cérebro da sensação de sobrecarga e ansiedade. A hora das refeições é uma boa pedida; a hora de dormir é essencial. “Levar o telefone para cama faz com que o sono fique entrecortado, impedindo que o cérebro atinja fases importantes de recuperação e de consolidação da memória recente”, explica o especialista.

Gaste tempo com pessoas

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A mais longa pesquisa científica já realizada na história – um estudo feito pela Universidade de Harvard há quase 80 anos, acompanhando a vida de quase 300 homens e seus descendentes – não dá margem para dúvidas: o principal denominador comum às pessoas mais felizes do mundo é a qualidade de suas relações, sejam elas familiares, amorosas ou entre amigos.

“Lembro sempre que nós, seres humanos, somos movidos a gente. Isso é quase parte das minhas receitas”, diz a psiquiatra Fátima Vasconcelos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para quem não sabe por onde começar, a dica é simples. “Separe tempo para atividades supérfluas como ir ao cinema, ver séries e sair para jantar. Além de ser uma desculpa para estar com as pessoas, esses afazeres rendem assunto para fazer novas amizades e fugir dos temas espinhosos com família e amigos”, diz a médica.

Faça um trabalho voluntário

As principais pesquisas sobre felicidade já publicadas no mundo são unânimes ao afirmar que ter uma religião é, sim, um fator preditivo para uma vida mais leve. A razão para isso é, contudo, bastante científica: além de atividades em grupo, que fomentam relacionamentos, grupos religiosos conferem ao fiel um “senso de propósito” essencial para enfrentar as dificuldades. “Muitas pessoas se desequilibram emocionalmente por não terem esse norte”, explica Nabuco.

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Quem não tem fé, entretanto, pode reproduzir o efeito em outras searas. “Recomendo a meus pacientes que trabalhem em alguma ONG ou façam algum trabalho que ajude outras pessoas dentro do possível. Isso nos faz sentir útil para o próximo e a relativizar os próprios problemas”, diz Fátima.

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