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Gases dos motores a diesel são cancerígenos, diz OMS

Organização coloca substância na mesma lista do amianto e arsênico

Os gases de combustão dos motores a diesel passaram a fazer parte da lista dos elementos considerados cancerígenos para o homem pelo Centro Internacional de Pesquisa do Câncer (CIPC), uma agência da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde 1988, o CIPC classificava as emissões dos motores a diesel como gases provavelmente cancerígenos para o homem (grupo 2A). Desta vez, baseada em evidências científicas recentes, a entidade decidiu mudar a classificação da substância para o grupo 1 (gases cancerígenos para o homem). Na mesma lista, estão substâncias como o amianto, arsênico, gás mostarda, álcool e tabaco.

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Desde 1971, os pesquisadores avaliaram mais de 900 agentes, dos quais 400 foram classificados como cancerígenos ou potencialmente cancerígenos para o homem.

Opinião do especialista

Luiz Fernando Ferraz da Silva

Professor do Departamento de Patologia e pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

“Essa é uma classificação de substâncias feita regularmente pela OMS. Antes, o diesel estava numa classe de substâncias sobre as quais havia a suspeita de relação com o câncer. Agora, existem evidências científicas de sua relação com alguns tipos de câncer – ele passa a figurar na mesma lista que o cigarro. Os estudos mais importantes ligam o diesel ao câncer de pulmão e ao de bexiga. Também existem trabalhos menores que mostram uma relação com o câncer de intestino.

“Tecnicamente, essa é uma mensagem para abrirmos os olhos em relação a esse produto. A associação com o câncer é apenas mais um dos fatores agravantes decorrentes dos subprodutos do diesel. Ele também está ligado a doenças cardiovasculares e respiratórias. Nossa esperança é que isso sensibilize os formadores de politicas públicas para buscar outras fontes energéticas.

“A qualidade do diesel varia de país para país. O Brasil, infelizmente, não tem o diesel mais limpo do mundo. Não entramos num padrão de qualidade como o da Europa, por exemplo. Isso só agrava nosso problema. Principalmente quando vivemos em cidades grandes, com diversos veículos movidos a diesel, como a maior parte de nossos ônibus e caminhões.

“Isso vem num momento feliz, no inicio de uma conferência mundial para discutir o meio ambiente [a Rio+20], e coloca a saúde dentro da pauta ambiental. Normalmente os temas ambientais discutidos são aquecimento global, aumento de nível dos oceanos, mas não discutimos o impacto disso sobre a saúde. Na verdade, o homem esta numa situação pivô, ele é a vitima e o algoz desse problema.”