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EUA retiram aprovação do Avastin para o câncer de mama

Segundo o FDA, agência reguladora americana, não há comprovação de que a droga prolongue a vida dos pacientes. Além disso, efeitos colaterais são graves

Por Da Redação - 18 nov 2011, 18h17

A agência reguladora de medicamentos americana (FDA – Food and Drugs Administration) retirou nesta sexta-feira a autorização do uso da droga Avastin (bevacizumabe) para tratar o câncer de mama em estágio avançado. Segundo o órgão, não há comprovação de que o medicamento seja capaz de prolongar a vida dos pacientes com a doença. Além disso, a droga apresenta efeitos colaterais graves, como trombose e hipertensão.

“Está claro que mulheres que tomam o Avastin para câncer de mama metastático correm o risco de sofrer sérios efeitos colaterais. Não há provas de que o remédio possa retardar o crescimento do tumor, justificando tais riscos”, afirmou o órgão. A droga continuará sendo prescrita para o combate de outros tipos de câncer, como colorretal, pulmonar, renal e cerebral.

Opinião do especialista

Auro del Giglioprofessor titular de oncologia e hematologia da Faculdade da Fundação ABC

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“A medicação é cara, tóxica e não compensa. Ela tem uma taxa de resposta maior, mas não aumenta a sobrevida. Neste caso, o mais importante é a duração da resposta, que efetivamente vai estender a vida da paciente. No entanto, a droga é eficaz no tratamento do câncer de intestino e de alguns tipos de tumores no cérebro e nos rins.”

Em junho deste ano, um painel de especialistas americanos votou de forma unânime pela retirada da liberação de uso do medicamento Avastin para o tratamento do câncer de mama. Em dezembro de 2010, o FDA já havia afirmado que o Avastin não deveria ser usado no tratamento do câncer de mama por não dar sobrevida às pacientes. Uma pesquisa mostrou que o remédio impedia o crescimento do câncer por no máximo três meses.

Brasil – A decisão do órgão americano de retirar a indicação do uso para câncer de mama não traz reflexos imediatos no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que, por enquanto, nenhuma revisão da recomendação brasileira será feita. A ideia é apenas reforçar o monitoramento de eventuais reações adversas do medicamento. Nesta tarde, técnicos da Anvisa analisavam a decisão do FDA, adotada depois da análise de estudos apresentados pela fabricante, Roche.

No Brasil, a Anvisa já havia, em dezembro, solicitado que a indústria farmacêutica alterasse a bula do remédio. A determinação era a de que os descritivos passassem a indicar o uso da droga associada ao paclitaxel, um antineoplásico da família de drogas quimioterápicas que impedem o crescimento celular por meio do bloqueio da divisão celular, os taxanos. Na época, a Anvisa também recomendou para que a bula desaconselhasse a associação do Avastatin com outro taxano, o docetaxe.

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Farmacêutica – Em nota, a Roche afirmou que a decisão está limitada apenas ao mercado americano. “A Roche reitera que Avastin continua como uma alternativa válida para médicos e pacientes que lutam contra o câncer de mama metastático, uma doença grave que tem poucas possibilidades de tratamento. O grupo reafirma a eficácia e o perfil de segurança do medicamento para as pacientes com câncer de mama.”

(Com Agência Estado)

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