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Estudos analisam eficácia de mistura de doses contra a Covid-19

Resultados apontam para completa imunização contra o novo coronavírus; esquema pode acelerar programa de vacinação dos países

Por Matheus Deccache Atualizado em 7 jun 2021, 15h58 - Publicado em 7 jun 2021, 15h49

A possibilidade de misturar doses de diferentes farmacêuticas vem sendo discutida há algum tempo. Com a descoberta de novas variantes e as constantes limitações de fornecimento, a ideia de receber a primeira dose da AstraZeneca e a segunda da Pfizer, por exemplo, tem ganhado força. 

Existem atualmente uma série de estudos em andamento sobre o assunto e, recentemente, dados de testes com misturas e combinações foram publicados na Espanha e no Reino Unido. Apesar do avanço, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não recomenda a mescla de doses pelo fato de não ter evidências de sua eficácia.  

Um dos principais fatores positivos para a mescla de doses é a flexibilização dos programas de vacinação. Uma vez que o imunizante de determinada farmacêutica tenha acabado, não seria necessário travar todo o calendário para esperar a chegada de novas remessas, e sim substituí-lo por outro. Caso determinada vacina seja menos eficaz do que a outra, um esquema de compensação pode ser feito garantir a melhor imunização.  

Alguns países, principalmente na Europa, já estão adotando o plano de vacinação mista, principalmente devido aos efeitos colaterais raros causados pela vacina da AstraZeneca. Espanha, Alemanha, França, Suécia, Noruega e Dinamarca são algumas das nações que têm recomendado que a segunda dose seja um dos imunizantes que usa a tecnologia RNA, como a Pfizer, mesmo tendo recebido a primeira dose do laboratório anglo-sueco.  

Um estudo feito no Reino Unido e publicado na revista científica Lancet selecionou aleatoriamente 830 adultos com mais de 50 anos para receber uma dose da Pfizer e outra dose da AstraZeneca. Foi observado que o grupo apresentou maior probabilidade de apresentar sintomas colaterais leves como fadiga, dor de cabeça, dores musculares na região da aplicação, febre, entre outros. 

No entanto, essas reações se deram em um curto período de tempo e não foram registrados problemas maiores de segurança. Outro estudo, este realizado na Espanha e ainda não revisado por pares, concluiu que a maioria dos efeitos colaterais foram leves e rápidos, além de não diferir dos efeitos colaterais vistos naqueles que tomaram as duas doses da mesma vacina.  

Ainda de acordo com o estudo espanhol, aqueles que receberam a primeira dose da AstraZeneca e a segunda da Pfizer apresentaram níveis de anticorpos superiores após duas semanas, abrindo a possibilidade dessa combinação ser mais forte do que duas doses da empesa anglo-sueca. Apesar dos resultados promissores, ainda não há dados que comprovem totalmente a eficácia do esquema misto, mesmo com a resposta imune semelhante.  

A possibilidade de misturar diferentes imunizantes ganhou força na Europa após os casos raros de trombose e de miocardite, esta segunda principalmente em jovens. Dessa maneira, o governo espanhol permitiu aos menores de 60 anos a escolha de seguir com a AstraZeneca na segunda dose ou receber a vacina da Pfizer. Apesar das incertezas, descobertas recentes no Reino Unido indicam que ambos os imunizantes são eficazes contra as variantes que circulam pelo país.  

Desde o início da pandemia, o mundo já registrou mais de 173 milhões de casos do novo coronavírus, totalizando 3,73 milhões de mortes. No Brasil, um dos países mais atingidos, 16,9 milhões de casos foram reportados com mais de 473 mil mortes. 

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