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Estudo espanhol deve revolucionar medicina regenerativa

Células-tronco do cólon foram cultivadas em laboratório pela primeira vez

Por Da Redação 5 set 2011, 11h48

Cientistas espanhóis conseguiram, pela primeira vez, identificar e cultivar em laboratório células-tronco do cólon humano. O feito da equipe do Laboratório de Câncer Colorretal do Instituto para Pesquisa em Biomedicina, em Barcelona, está sendo considerado um avanço crucial para a medicina regenerativa. A pesquisa foi publicada no periódico Nature Medicine.

Glossário

  1. Células-tronco: Também chamadas de células-mãe, podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Dada essa versatilidade, vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes

Durante a vida, as células-tronco se regeneram normalmente em camadas internas do intestino, em uma periodicidade semanal. Por décadas, os cientistas detinham evidências da existência dessas células, mas sua identidade era uma incógnita. Coordenados por Eduard Betlle, os pesquisadores conseguiram, então, descobrir a localização precisa dessas células no cólon humano e desenvolveram métodos que permitiam seu isolamento e expansão in vitro.

Para cultivar células fora do corpo, é preciso, geralmente, que se forneça uma mistura exata de nutrientes, fatores de crescimento e hormônios. Segundo os pesquisadores, manter culturas de células-tronco adultas humanas vinha sendo uma missão dura até agora. Mas Batlle e sua equipe conseguiram estabelecer condições para manter as células-tronco do cólon humano (CoSCs, sigla em inglês) vivas fora do corpo. “Essa é a primeira vez que foi possível fazer crescer CoSCs no laboratório e derivar linhagens de células-tronco intestinais em condições definidas em um ambiente de laboratório”, explica Peter Jung, primeiro autor do estudo.

Parceria – A pesquisa foi possível graças a uma estreita colaboração entre a equipe de Batlle e o grupo liderado por Hans Clevers, do Instituto Hubretcht, pela University Medical Center Utrecht, na Holanda, e por María Blasco A., do Espanhol National Cancer Research Centre, em Madrid. “Durante anos, cientistas de todo o mundo têm tentado aumentar o tecido intestinal de laboratório e testar diferentes condições, usando diferentes meios nutritivos. Mas como a grande maioria das células nesse tecido está em um estado diferenciado em que não proliferam, sobrevivem apenas por alguns dias”, explica Jung.

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Segundo o pesquisador, o objetivo do estudo foi o de encontrar uma maneira de identificar e selecionar as CoSCs individuais e cultivá-las, mantendo seu estado indiferenciado e proliferativo em condições de laboratório. “Assim, seríamos capazes de fazer um modelo de como elas crescem, em número, e se diferenciam em células epiteliais intestinais normais, dentro do laboratório”, diz Jung.

Modelo de pesquisa – Com a descoberta, a comunidade científica tem agora uma “receita” de como isolar CoSCs e derivá-las em linhas estáveis, que têm a capacidade de crescer de maneira indiferenciada por meses. De acordo com Jung, agora é possível manter as células-tronco em uma placa por até cinco meses ou induzi-las a diferenciar-se artificialmente, como elas já fazem dentro do corpo.

“Essa conquista abre uma nova área de pesquisa com potencial para provocar um enorme avanço na medicina regenerativa”, diz Jung. A medicina regenerativa, ou a ideia de reparar o corpo através do desenvolvimento de novos tecidos e órgãos, envolve o crescimento de novas células de pacientes em tecidos e órgãos em um laboratório. No entanto, o principal elemento para que a medicina regenerativa se torne uma realidade, são as células-tronco adultas, que estão apenas começando a ser compreendidas.

“Agora que as orientações para o cultivo e manutenção de células-tronco no laboratório parecem estar definidas, temos uma plataforma ideal que poderia ajudar a comunidade científica a determinar as bases moleculares da proliferação celular e diferenciação gastrointestinal”, diz Jung. Segundo o especialista, suspeita-se ainda que as alterações na biologia de CoSCs estão na origem de várias doenças que afetam o trato gastrointestinal, tais como câncer colorretal ou doença de Crohn, uma doença auto-imune e inflamatória.

Clique nas perguntas abaixo para saber mais sobre o câncer de intestino:

*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

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