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Estagnação de vacinação contra a Covid-19 preocupa o país

Boletim da Fiocruz mostra que cobertura vacinal e curva de dose de reforço pararam de crescer. Casos positivos e óbitos registram aumento

Por Simone Blanes Atualizado em 19 Maio 2022, 16h49 - Publicado em 19 Maio 2022, 14h50

A estagnação do crescimento da cobertura vacinal na população adulta e a desaceleração da curva de aplicações das doses de reforço são motivos de preocupação apontados pelo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgado nesta quinta-feira, 19. O relatório mostra que a cobertura para o esquema vacinal completo é de 80% no Brasil, entre adultos com mais de 25 anos, mas a terceira dose entre os grupos mais jovens segue abaixo da média considerada satisfatória.

“É importante reconhecer que a ampliação da vacinação, priorizando especialmente regiões com baixa cobertura e doses de reforço em grupos populacionais mais vulneráveis, pode reduzir ainda mais os impactos da pandemia sobre a mortalidade e as internações”, afirmam os pesquisadores do Observatório.

Segundo o boletim, a cobertura vacinal é de 63,9% na faixa etária de 55 a 59 anos, 57,9% na de 50 a 54 anos, 52,8% de 45 a 49 anos. O percentual diminui gradualmente: a partir de 40 a 44 anos é de 49,8%, de 35 a 39 anos é de 44,7%, de 30 a 34 anos é de 40,3%, de 25 a 29 anos é de 35,5%, de 20 a 24 anos é de 30,4% e de 18 a 19 anos é de 25,2%.

Referente às Semanas Epidemiológicas (SE) 18 e 19, período de 24 de abril a 14 de maio, a análise indica que, em relação à quarta dose, na faixa etária de 80 anos e mais é de 17,7%, de 75 a 79 anos é de 12,4%, de 70 a 74 anos é de 12%, de 65 a 69 anos é de 6,4% e de 60 a 64 anos é de 3,4%.

O estudo aponta ainda que 14 estados apresentam mais de 80% da população vacinada com a primeira dose e 18 apresentam mais de 70% com a segunda dose. Os que mais se destacam por uma alta cobertura vacinal é São Paulo e Piauí. Em relação à terceira dose, nas faixas etárias acima de 65 anos, a cobertura está acima de 80%. A quarta dose dos imunizantes foi aplicada em 17% da população com mais de 80 anos. Nas crianças entre 5 e 11 anos, 60% tomaram a primeira dose e 32% estão com esquema vacinal completo.

Mesmo assim, o boletim alerta que, diante da falta do uso de máscaras como medida de proteção coletiva e a não obrigatoriedade do passaporte vacinal, a discussão sobre a vacinação torna-se ainda mais importante, uma vez que essa estratégia se tem colocado atualmente como o único recurso de proteção contra a Covid-19 no país. “O cenário atual ainda é motivo de preocupação. A ocorrência de internações tem sido consistentemente maior entre idosos, quando comparados aos adultos. Além disso, o surgimento de novas variantes, que podem escapar da imunidade produzida pelas vacinas existentes, constitui uma preocupação permanente”, explicam.

De acordo com a análise da Fiocruz, nas últimas três Semanas Epidemiológicas (SE), que correspondem ao período de 24 de abril a 14 de maio, foram registrados cerca de 16 mil casos e 100 mortes diárias, ou seja, uma taxa de letalidade de 0,7%, os menores valores estáveis desde o início da pandemia, em março de 2020.

 

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