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Especialistas não recomendam dose de reforço para a população em geral

Uma revisão feita por um grupo internacional de cientistas, incluindo da OMS e FDA, concluiu os imunizantes continuam altamente eficazes contra casos graves

Por Giulia Vidale Atualizado em 13 set 2021, 20h17 - Publicado em 13 set 2021, 19h37

As evidência disponíveis até o momento mostram que ainda não há necessidade da vacinação de reforço contra Covid-19 para a população em geral. Mesmo contra a variante delta, identificada pela primeira vez na Índia, a eficácia da vacina contra casos graves da doença permanece alta. A conclusão é de uma revisão feita por um grupo internacional de cientistas, incluindo alguns da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, publicada nesta segunda-feira, 13, na revista científica The Lancet.

Os especialistas ressaltam ainda que mesmo que a eficácia das vacinas contra casos leves ou transmissão da doença caia com o tempo, as pessoas não vacinadas são a principal causa de transmissão da doença. Além disso, outros estudos mostram que em países com altas taxas de vacinação, como Estados Unidos e Reino Unido, a maior parte das hospitalizações e mortes atuais ocorre entre não vacinados ou em pessoas que ainda não receberam completaram o esquema de imunização.

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“Tomados como um todo, os estudos atualmente disponíveis não fornecem evidências confiáveis ​​de redução substancial da proteção contra doenças graves, que é o objetivo principal da vacinação.  Mesmo que algum ganho possa ser obtido com o reforço, isso não superará os benefícios de fornecer proteção inicial aos não vacinados. Se as vacinas forem implantadas onde fariam mais bem, elas poderiam acelerar o fim da pandemia, inibindo a evolução posterior das variantes ”, disse a autora principal Ana-Maria Henao-Restrepo, da OMS.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram evidências atualmente disponíveis de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais publicados em periódicos científicos e plataformas que reúnem artigos pré-publicação, ou seja, antes de sua revisão por pares. Os estudos observacionais mostram que as vacinas permanecem altamente eficazes contra doenças graves causadas por todas as principais variantes virais.

A vacinação teve, em média, 95% de eficácia contra doenças graves, tanto causadas pela variante delta (Índia) quanto pela variante alfa (identificada pela primeira no Reino Unido), e mais de 80% de eficácia na proteção contra qualquer infecção por essas variantes. Em todos os tipos de vacina, a eficácia foi maior contra casos graves do que contra quadros leves.

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Os autores observam que, mesmo que os níveis de anticorpos em indivíduos vacinados diminuam com o tempo, isso não significa uma redução na eficácia das vacinas contra doenças graves. Uma das hipóteses para explicar essa associação é que  a proteção contra doenças graves é mediada não apenas por respostas de anticorpos, que podem ter vida relativamente curta para algumas vacinas, mas também por respostas de memória e imunidade mediada por células, que geralmente têm vida mais longa.

A medida que a vacinação avança, os casos de Covid-19 em pessoas vacinadas se tornarão cada vez mais comuns. Mas isso não significa que as vacinas não estão funcionando. Simplesmente, isso já é esperado com o aumento da proporção de pessoas vacinadas.

Mesmo que surjam novas variantes que podem escapar das vacinas, eles acreditam que é mais provável que isso aconteça a partir de cepas que já se tornaram amplamente prevalentes. Portanto, a eficácia de doses de reforço com novas versões das vacinas, desenvolvidas especificamente para essas novas variantes, deve ser mais eficaz do que reforços com as vacinas atuais, em uma estratégia semelhante à da gripe, cuja vacina é atualizada anualmente, de acordo com as cepas circulantes.

“As vacinas disponíveis atualmente são seguras, eficazes e salvam vidas. Embora a ideia de reduzir ainda mais o número de casos de Covid-19, aumentando a imunidade em pessoas vacinadas, seja atraente, qualquer decisão de fazê-lo deve ser baseada em evidências e considerar os benefícios e riscos para os indivíduos e a sociedade. Essas decisões de alto risco devem ser baseadas em evidências robustas e discussões científicas internacionais ”, finaliza a co-autora, Soumya Swaminathan, cientista chefe da OMS.

No Brasil, o governo federal anunciou o início da aplicação da dose de reforço em idosos com mais de 70 anos e pessoas com imunossupressão a partir do dia 15 de setembro. Entretanto, alguns estados como São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, já começaram a aplicar as doses extra na população vulnerável. Ainda não há previsão para expansão da vacinação de reforço para toda a população.

Confira o avanço da vacinação no Brasil:

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