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Doente de amor: conheça os efeitos colaterais de estar apaixonado

A sensação de estar apaixonado pode causar obsessão, pensamentos suicidas, problemas em aceitar a rejeição, causar vício e aumentar os níveis de stress

Por Redação - Atualizado em 15 fev 2019, 19h47 - Publicado em 15 fev 2019, 18h51

Para a maioria das pessoas, estar apaixonado é sinônimo de felicidade e plenitude. Além disso, estar em um relacionamento romântico pode trazer inúmeros benefícios para a saúde – comprovados pela ciência -, como diminuição da pressão arterial, alívio do stress e da ansiedade, redução de dores e melhoria da saúde cardiovascular. No entanto, existem aspectos do romance – nem tão famosos e apreciados – que podem ter efeitos físicos e psicológicos prejudiciais, incluindo aumentar os níveis de stress, induzir pensamentos suicidas (que podem ou não culminar em morte) e causar vício.

Para explicar melhor essas associações, o site especializado Medical News Today preparou uma lista com as três principais consequências negativas do amor. Confira.

1. Amor e stress

Se por um lado, pesquisadores afirmam que o amor ajuda a reduzir os níveis de stress – o que de fato faz -, estudos mostram que dependendo da fase do relacionamento, os níveis de cortisol, também chamado de hormônio do stress, podem estar elevados.

Estar apaixonado desencadeia a liberação de uma série de substâncias químicas no cérebro, incluindo a ocitocina, chamada de hormônio do amor, que costuma ser liberada durante o sexo ou toque físico. Essa substância tem efeito calmante, mas especialistas dizem que os níveis de ocitocina só começam a subir de forma considerável (a ponto de trazer benefícios à saúde) depois do primeiro ano de namoro. Portanto, outros hormônios atuam no início do namoro, principalmente o cortisol, pelo menos é o que indica um estudo de 2004.

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De acordo com o resultado, indivíduos que estão apaixonados a menos de seis meses apresentam altos níveis de stress, que só declinam e voltam aos níveis normais depois que o relacionamento se prolonga. Segundo os pesquisadores, esse aumento nada mais é do que uma reação normal do corpo durante o início do contato social, fase em que estamos sempre tentando agradar.

No entanto, como o cortisol circula pelo corpo por quase um ano, ele pode deixar suas marcas no organismo. Altos níveis de cortisol podem prejudicar o sistema imunológico, aumentando o risco de infecções. Além disso, em excesso, esse hormônio pode elevar a probabilidade de desenvolver hipertensão e diabetes tipo 2, assim como prejudicar a função cerebral e até mesmo reduzir o volume do cérebro.

2. Amor e vício

Além da ocitocina e do cortisol, outra substância poderosa é liberada quando estamos apaixonados: a dopamina, também chamada de hormônio do prazer, já que só é liberada quando a pessoa se envolve em atividades que considera prazerosa. No entanto, essa substância tem a capacidade de provocar vícios.

Uma pesquisa de 2010 mostrou que esse vício pode surgir porque o amor ativa áreas do cérebro associadas à dependência de cocaína, ganhos e perdas (como durante apostas), desejo, motivação e regulação emocional. “A ativação de áreas envolvidas no vício em cocaína pode ajudar a explicar comportamentos obsessivos associados à rejeição no amor”, disseram os pesquisadores.

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De acordo com Helen Fisher, principal autora da pesquisa, esses comportamentos danosos incluem mudanças de humor, obsessão, dependência emocional, perda de autocontrole, desejo intenso, mudanças de personalidade e distorção da realidade. Diante desses sintomas, alguns especialistas sugeriram incluir o vício em amor no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais junto com outros vícios comportamentais, como dependência sexual, vício em comprar, vício em trabalho ou em aparelhos tecnológicos, por exemplo. No entanto, a proposta não foi aceita.

Apesar de ser uma preocupação, outros cientistas acreditam que estar “viciado” em alguém não é uma doença e pode ser explicado como resultado de uma capacidade fundamental do ser humano que, às vezes, é exercida em excesso. Ainda assim, eles acreditam que se o excesso de amor for prejudicial deve, sim, ser tratado da mesma forma que qualquer outro vício. “Pessoas cujas vidas são impactadas negativamente pelo amor devem receber oportunidades de apoio e tratamento semelhantes às que oferecemos a dependentes químicos”, explicaram em artigo

3. Amor e limerência

De acordo com a psicóloga Dorothy Tennov, autora do livro “Amor e Limerência: a experiência de estar apaixonado (1979)”, apaixonado pode causar sentimento de limerência – caracterizado por um desejo romântico associado à necessidade intensa, avassaladora e obsessiva de ter esse sentimento correspondido. Para a especialista, o amor nem sempre gera limerência e a limerência nem sempre está relacionada ao amor. 

Em seu livro, Dorothy descreve alguns sinais típicos de quem está em estado de limerência, como:

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  • Pensamento intrusivo a respeito do objeto de desejo;  
  • Intenso desejo de reciprocidade; 
  • Realizar ações com base na possibilidade de que o objeto de desejo possa retribuir os sentimentos;
  • Incapacidade de ter sentimentos de limerência em relação a mais de uma pessoa por vez;
  • Medo exagerado da rejeição; 
  • Timidez excessiva e incômoda na presença do objeto de limerência;
  • Percepção de que quanto mais difícil é se livrar da sensação, mais intensa ela se torna; 
  • Dor no “coração” (região no centro do peito) quando a incerteza da reciprocidade é forte;
  • Sensação de andar no ar quando a reciprocidade parece evidente;
  • Intensificação do sentimento e deslocamento de toda atenção para o objeto de limerência ao ponto de outras atividades ou preocupações perderam a importância; e  
  • Enfatizar as qualidades do objeto de limerência enquanto ignora intencionalmente os defeitos.

Segundo Dorothy, há aspectos negativos da limerência que não recebem a devida atenção, mas podem ter graves consequências, como a criação de situações em que o indivíduo provoca uma lesão em si mesmo para receber a atenção do objeto de limerência, suicídio em que um bilhete é deixado diretamente para o objeto de limerência, além de homicídios cometidos em prol do objeto de limerência.

Outro aspecto negativo da limerência é autodepreciação, especialmente em casos em que a pessoa percebe a própria obsessão e tenta – em vão – se livrar do sentimento. Para quem se percebe vivendo esse sentimento, a recomendação é escrever um diário, focar nos defeitos da outra pessoa ou procurar um terapeuta.

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