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Diagnóstico precoce de cânceres de mama e próstata cresce no Brasil

Com a identificação do câncer cada vez mais cedo, melhoram as condições de tratamento e a sobrevida dos pacientes

O diagnóstico dos cânceres de mama e de próstata é feito de maneira cada vez mais precoce no Brasil. É o que aponta um levantamento inédito feito pelo hospital A. C. Camargo, em São Paulo. De acordo com os dados do estudo, de 1970 para 2007 as taxas do diagnóstico precoce do câncer de mama pularam de 20% para 80%. O câncer de próstata, que tinha um índice de diagnóstico tardio de 80% no começo da década de 1980, agora é diagnosticado em fase inicial em 77% dos pacientes com a doença. A descoberta do câncer em fases iniciais resultou em melhores condições de tratamento e no aumento na sobrevida dos pacientes. No câncer de mama, por exemplo, a cura, que era de apenas 40% em meados de 1970, pulou para os 90%.

Segundo o AC Camargo, o aumento do diagnóstico precoce dos cânceres se deve a dois fatores: avanços da medicina e informações sobre prevenção e tratamento. Com a descoberta da doença em fases iniciais, o tratamento é feito com terapias menos complexas, há menor necessidade de intervenções cirúrgicas e menores riscos de metástases (quando o câncer se espalha para outros órgãos).

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Mama e próstata – Para o levantamento sobre o câncer de mama, o hospital usou dados de 2.657 mulheres e 14 homens atendidos entre 2000 e 2007. Do total, 79,18% diagnosticaram a doença ainda em estágio inicial – o que resultou em uma sobrevida de 80% a 97%. Por outro lado, quando diagnosticado em um estágio já mais agressivo (5,28% dos casos), com metástase para órgãos como fígado, pulmão e pele, a sobrevida do paciente dentro de cinco anos caiu para 6%. “Quando o diagnóstico é precoce, geralmente o tratamento é menos agressivo, menos complexo e tem menos efeitos colaterais”, diz Maria do Socorro, diretora de Mastologia do A.C. Camargo.

De acordo om o levantamento do hospital, o câncer de próstata segue a mesma tendência: com o diagnóstico precoce, a sobrevida também aumenta. Dos 2.738 pacientes analisados, 77,06% descobriam o câncer em fases mais iniciais – desses, 98% estavam vivos depois de cinco anos do diagnóstico. O diagnóstico tardio, por sua vez, feito em 22,94% dos pacientes, resultou em sobrevida de 44% dentro dos cinco anos. Para o câncer de pênis a sobrevida cai de 80% no diagnóstico precoce para 33% quando ele é feito em fases tardias da doença.

Outro câncer que vem seguindo a mesma tendência é o melanoma (câncer de pele). Dos 1.064 pacientes atendidos pelo A.C. Camargo entre 2000 e 2007, 883 foram diagnosticados em fases iniciais da doença. Para esses pacientes, a taxa de sobrevida em cinco anos foi de 87%. Nos 29 casos em que o câncer foi identificado na fase avançada, a sobrevida despencou para 8%. Já o câncer de tireoide vem atingindo uma taxa de diagnóstico precoce de 90%, com chance de cura próxima de 100% para esses pacientes.

Na contramão – No caminho inverso, os cânceres de estômago, fígado e pâncreas continuam a ser diagnosticados em fases mais tardias da doença. No levantamento do hospital, 66,4% dos casos de câncer de estômago foram identificados em fases avançadas da doença, com sobrevida de apenas 14% nos casos mais severos. Para o câncer de esôfago, os números são de 69,1%, com sobrevida no pior caso de apenas 3%. Nos cânceres de fígado e pâncreas, os diagnósticos precoces são de 76,3% e 80,0%, com sobrevidas de 9% e de 3%, respectivamente.