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Defesa atribui denúncia contra médica a inimizades dentro de hospital em Curitiba

Segundo Elias Mattar Assad, não há provas de crime contra a vida no inquérito que investiga Virginia Soares de Souza, presa nesta-terça-feira por suspeita de participar da morte de pacientes do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba

Responsável pela defesa de Virgínia Soares de Souza, o advogado Elias Mattar Assad afirma que não há provas para a acusação de homicídio contra a médica e, por enquanto, atribui a denúncia contra ela a inimizades dentro do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba. Virgínia foi presa nesta terça-feira, por suspeita de participar da morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Assad considera, porém, que a prisão temporária da médica foi precipitada. “Essas acusações não vão se firmar. Elas não estão provadas e não há como prová-las. A prova do crime contra a vida não existe”, disse o advogado em entrevista ao site de VEJA.

Assad diz que pode apenas olhar rapidamente, na manhã desta quarta-feira, o inquérito do caso. Ele afirma que, nas certidões de óbitos e nos laudos do Instituto Médico Legal (IML) sobre pacientes que morreram na UTI do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, as causas das mortes são tidas como “comuns”, e não sugerem que tenham sido provocadas por alguém. O advogado pretende ter acesso a uma cópia do inquérito e pedir a revogação da prisão temporária da médica.

O senhor teve acesso ao inquérito da investigação na manhã desta quarta-feira. O que interpretou dele? Os advogados criminalistas trabalham com duas perguntas: qual é a acusação e quais são as provas. A primeira resposta, nesse caso, é crime contra a vida. Mas, para a segunda pergunta, não há provas. Eu olhei rapidamente o inquérito. Nele, há certidões de óbito de pessoas que passaram pela UTI do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e morreram. As causas dessas mortes são broncopneumonia, politraumatismo craniano decorrente de acidente de trânsito, além de mortes entre pacientes idosos. São causas comuns, que acontecem todos os dias em pessoas que vão para a UTI e não resistem. Os laudos do IML dizem a mesma coisa. Ou seja, não há nada dizendo que as mortes ocorreram por asfixia mecânica ou foram provocadas por alguém. Essas acusações não vão se firmar. Elas não estão provadas e não há como prová-las. A prova do crime contra a vida não existe.

A que o senhor deve as acusações contra a doutora Virginia Soares de Souza? O Hospital Universitário Evangélico de Curitiba está passando por uma crise financeira séria e por uma transição de diretoria. Lá, é possível observar uma divisão entre funcionários novos e antigos. São dois grupos distintos e muito antagônicos. Notei que a primeira denúncia anônima contra a doutora Virgínia pode ter relação com essa divisão. Os motivos que levaram à acusação vão ser esclarecidos, mas por enquanto eu a atribuo às inimizades da médica. Depois de primeira denúncia, houve uma paranoia generalizada. Agora tem gente dizendo que um familiar que morreu em 1997 na UTI do hospital pode ter sido vítima. Há uma insegurança da população devido a uma investigação que não obedeceu aos parâmetros. Normalmente, primeiro há a denúncia, as provas são recolhidas, investiga-se, o acusado é interrogado e somente depois emite-se um relatório para ver se há necessidade de prisão. Nesse caso foi diferente. Primeiro houve a denúncia e depois, o pedido de prisão. Achei precipitado e acabou causando um estado de insegurança no Paraná.

Quais serão os próximos passos da defesa? Pretendo conseguir uma cópia do inquérito, que me foi negada. Pude apenas olhar o inquérito, mas não ter acesso a uma cópia. Vou pedir a revogação da prisão temporária da doutora Virginia Soares de Souza com o argumento de que ela não é necessária, já que a médica tem residência fixa, nunca se recusou a comparecer perante a autoridade pública e já foi interrogada.