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Covaxin tem 80,6% de eficácia, apontam dados preliminares

Resultados da fase 3 foi divulgados pela Bharat Biotech mostraram que efeitos adversos graves ocorreram em níveis baixos e foram semelhantes nos dois grupos

Por Giulia Vidale Atualizado em 4 mar 2021, 15h34 - Publicado em 3 mar 2021, 12h33

O laboratório indiano Bharat Biotech anunciou nesta quarta-feira, 3, que a vacina contra a Covid-19 Covaxin tem 80,6% de eficácia, segundo dados preliminares da fase 3 de testes clínicos. Estes resultados foram obtidos após a análise inicial de 43 casos confirmados, 36 deles no grupo que recebeu o placebo e outros 7 entre os que receberam a vacina.

O estudo, realizado na Índia, contou com a participação de 25.800 voluntários com idade entre 18 e 98 anos, sendo 2.433 participantes com mais de 60 anos e 4.500 pessoas com comorbidades. A eficácia foi avaliada em casos sintomáticos (leve, moderado ou grave) confirmados por PCR pelo menos 14 dias após a injeção da segunda dose.

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“Hoje é um marco importante na descoberta de vacinas, para a ciência e nossa luta contra o coronavírus. […] A Covaxin demonstra tendência de alta eficácia clínica contra a Covid-19, mas também significativa imunogenicidade contra as variantes rapidamente emergentes”, disse Krishna Ella, presidente da Bharat Biotech.

Em comunicado, a empresa afirmou que uma análise do Instituto Nacional de Virologia indica que os anticorpos induzidos pela vacina podem neutralizar a variante do Reino Unido e outras cepas heterólogas. A análise preliminar também mostrou que eventos adversos graves e que precisaram de atendimento médico “ocorreram em níveis baixos” e ocorreram de forma semelhante entre participantes do grupo vacina e placebo.

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A Bharat Biotech espera compartilhar mais detalhes dos resultados do ensaio à medida que dados adicionais se tornem
acessível. Uma análise provisória adicional está planejada para 87 casos, e a análise final é planejada
para 130 casos. Todos os dados da segunda análise intermediária e final serão compartilhados por meio de servidores de pré-publicação, bem como submetidos a um periódico revisado por pares para publicação.

O estudo, conduzido em parceria com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica, órgão de pesquisa médica do governo, irá continuar até que sejam confirmados 130 casos da doença entre os voluntários. Antes do resultado final, está prevista uma segunda análise preliminar quando 87 casos foram registrados.

O imunizante teve seu uso aprovado na Índia em janeiro, antes da divulgação de resultados da eficácia nos testes clínicos, o que gerou controvérsia entre especialistas e receio pela população. Para tentar aumentar a confiança na vacina, recentemente, políticos do país, incluindo o primeiro-ministro Narendra Modi, receberam o imunizante publicamente.

Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou a assinatura de um acordo com a Precisa Medicamentos, representante do Bharat Biotech no Brasil, para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin. “As primeiras 8 milhões de doses do imunizante devem começar a chegar já no mês de março, em dois lotes de 4 milhões a serem entregues entre 20 e 30 dias após a assinatura do contrato”, informou a pasta em comunicado. O investimento foi de 1,6 bilhão de reais.

No entanto, o uso da vacina ainda não está autorizado pela Anvisa e a Precisa Medicamentos é investigada por vender testes de Covid-19 superfaturados ao governo do Distrito Federal após uma licitação fraudada.

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