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Paralisação da CoronaVac provoca desfalque de 7 milhões de doses em maio

Além disso, o ritmo da vacinação caiu 29% nas duas primeiras semanas do mês, em comparação com o mesmo período de abril

Por Giulia Vidale Atualizado em 18 Maio 2021, 12h54 - Publicado em 17 Maio 2021, 18h09

A paralisação da produção da CoronaVac devido à falta de matéria-prima, o ingrediente farmacêutico ativo (IFA), irá reduzir em 17% a quantidade de vacinas contra o novo coronavírus disponíveis no Brasil em maio. De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, estava prevista a entrega de 12 milhões de doses da CoronaVac ao Programa Nacional de Vacinação (PNI) neste mês, mas diante da falta do IFA, só será possível entregar “pouco mais de 5 milhões de doses”. O que corresponde a 7 milhões de doses a menos.

Nesta segunda-feira, 17, completa-se quatro meses desde o início da campanha de imunização contra a Covid-19 no Brasil. Após um aumento considerável em abril, o ritmo voltou a cair. Nos primeiros 16 dias de maio, a média de doses administradas diariamente caiu 28,9% em comparação com o mesmo período do mês anterior, segundo levantamento realizado por VEJA com base em dados do Ministério da Saúde. Entre 1° e 16 de abril, foram cerca de 628.714 injeções por dia. No mesmo período deste mês foram, em média, 447.542 vacinas administradas diariamente.

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Doses previstas

Para este mês também são esperadas — de acordo com o Ministério da Saúde — 20,5 milhões de doses da vacina de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, fornecidas pela Fiocruz; 3,9 milhões de doses de Oxford-Astrazeneca entregues pelo consórcio Covax Facility; 842,4 mil doses da Pfizer-BioNTech entregues pelo consórcio Covax Facility e mais 2,5 milhões de doses da Pfizer-BioNTech entregues pela própria farmacêutica.

Nesta última versão da projeção de entregas de vacinas Covid-19 do Ministério da Saúde, divulgada no dia 12 de maio, já estava prevista a entrega de apenas 5 milhões de doses da Coronavac em maio, totalizando 32,9 milhões de vacinas. Mas se for considerado a projeção inicial do Butantan, divulgada pelo diretor Dimas Covas, eram esperadas 39,9 milhões de doses para o país no mês de maio.

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Até o momento, esse é o único atraso em vista. A Fiocruz, maior fornecedora do mês, com 20,5 milhões de doses, já anunciou que tem em estoque todo o material necessário para produzir as vacinas prometidas até o fim deste mês. Esta semana, haverá uma paralisação da produção até a chegada de um novo lote de IFA, previsto para sábado, 22, mas isso não irá afetar as entregas do mês de maio, de acordo com a fundação.

As doses da AstaZeneca enviadas pelo Covax Facility já chegaram ao país. A Pfizer entregou 1,2 milhão de doses, com novas entregas previstas para os dias 19 e 26 de maio. O Butantan também já finalizou a entrega de 5,1 milhões de doses disponíveis para este mês. A produção deverá ser retomada no dia 26 de maio, quando é esperada a chegada de um novo lote, com 4.000 litros de IFA. A quantidade é suficiente para a produção de 7 milhões de doses, mas as entregas só devem ocorrer em junho.

A CoronaVac corresponde hoje a 69% das doses aplicadas no Brasil. As vacinas disponíveis atualmente são destinadas à aplicação da segunda dose, que está em atraso em diversas cidades brasileiras. Nesta segunda-feira, 17, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 6,4 milhões de vacinas contra a Covid-19 aos estados, sendo 4,7 milhões da Fiocruz, 1,08 milhões do Butantan e 647 mil da Pfizer.

“Nessa distribuição, as doses do Butantan são destinadas à aplicação da segunda dose, de acordo com as solicitações apresentadas por 12 estados. Outras 15 unidades federativas que não possuíam mais pendências para conclusão do esquema vacinal da CoronaVac foram atendidos com doses da Astrazeneca/Fiocruz para compensação”, disse a pasta, em nota.

Confira o andamento da vacinação contra Covid-19 no Brasil:

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