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Consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama

Pesquisa indica que mesmo a ingestão de apenas uma dose por dia já é o suficiente para expor as mulheres a uma maior chance de desenvolver a doença

Basta uma dose de bebida alcoólica por dia para aumentar o risco das mulheres desenvolverem câncer de mama em 5%. A conclusão é de uma revisão de 113 estudos feita por pesquisadores da Alemanha, França e Itália, publicada nesta quinta-feira no periódico Alcohol and Alcoholism. Para mulheres que bebem mais – três ou mais doses por dia – o risco de contrair a doença aumenta em 50%.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Epidemiology and Pathophysiology of Alcohol and Breast Cancer: Update 2012

Onde foi divulgada: periódico Alcohol and Alcoholism

Quem fez: Helmut K. Seitz, Claudio Pelucchi, Vincenzo Bagnardi, Carlo La Vecchia

Instituição: Universidade de Heidelberg (Alemanha), Universidade de Milão (Itália), Instituto Internacional de Prevenção e Pesquisa (Lyon, França)

Dados de amostragem: 113 estudos sobre a relação entre o baixo consumo de álcool e o câncer de mama

Resultado: Mesmo em pequenas doses, o álcool aumenta a chance das mulheres desenvolverem câncer de mama.

“Os resultados indicam que mulheres com elevado risco de desenvolver câncer de mama (como as que têm casos na família) devem evitar bebidas alcoólicas ou consumi-las apenas ocasionalmente”, afirmaram os pesquisadores.

Segundo o estudo, a relação entre álcool e câncer de mama foi estabelecida pela primeira vez na década de 1980. Acredita-se que o álcool aumente os níveis do hormônio estrogênio, aumentando o risco de câncer de mama. Pesquisas já demonstraram que o álcool está associado a cânceres conhecidos como “receptores positivos de estrogênio”, que necessitam do hormônio para crescer.

Para os pesquisadores, 2% dos casos de câncer de mama na Europa e na América do Norte estão relacionados com o baixo consumo de álcool, e 50.000 casos em todo o mundo se devem ao consumo pesado.

No Brasil, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), serão registrados 52.680 novos casos em 2012. Em 2008, ano com as últimas estatísticas disponíveis, morrem 11.969 mulheres em decorrência do câncer de mama.

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Não é para você

Apesar de a bebida alcoólica, com moderação, proporcionar benefícios para a saúde, ela não é indicada para todos. Existem pessoas que não devem ingerir quantidade alguma de álcool, já que os prejuízos são muito maiores do que as vantagens. Sinal vermelho para quem tem os seguintes problemas:

Doença hepática alcoólica: é a inflamação no fígado causada pelo uso crônico do álcool. Principal metabolizador do álcool no organismo, o fígado é lesionado com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Cirrose hepática: o álcool destrói as células do fígado e é o responsável por causar cirrose, quadro de destruição avançada do órgão. Pessoas com esse problema já têm o fígado prejudicado e a ingestão só induziria a piora dele.

Triglicérides aumentado: o triglicérides é uma gordura tão prejudicial quanto o colesterol, já que forma placas que entopem as artérias, podendo causar infarto e derrame cerebral. O álcool aumenta essa taxa. Portanto, quem já tiver a condição deve manter-se longe das bebidas alcoólicas.

Pancreatite: a doença é um processo inflamatório do pâncreas, que é o órgão responsável por produzir insulina e também enzimas necessárias para a digestão. O consumo exagerado de álcool é uma das causas dessa doença, e sua ingestão pode provocar muita dor, danificar o processo de digestão e os níveis de insulina, principal problema do diabetes.

Úlcera: é uma ferida no estômago. Portanto, qualquer irritante gástrico, como o álcool, irá piorar o problema e aumentar a dor.

Insuficiência cardíaca: por ser tóxico, o álcool piora a atividade do músculo cardíaco. Quem já sofre desse problema deve evitar bebidas alcoólicas para que a atividade de circulação do sangue não piore.

Arritmia cardíaca: de modo geral, ele afeta o ritmo dos batimentos cardíacos. A bebida alcoólica induz e piora a arritmia.

Redobre a atenção

Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco.Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um.

Problemas psiquiátricos: o álcool muda o comportamento das pessoas e pode alterar o efeito da medicação. É arriscada, portanto, a ingestão de bebida alcoólica por aqueles que já têm esse tipo de problema.

Gastrite: é uma fase anterior à úlcera e quem sofre desse problema deve tomar cuidado com a quantidade de bebida alcoólica ingerida. Como pode ser curada e controlada, é permitido o consumo álcool moderado, mas sempre com autorização de um médico.

Diabetes: Todos os diabéticos devem ficar atentos ao consumo de álcool. A quantidade permitida dessa ingestão depende do grau do problema, dos remédios e do organismo da pessoa. Recomenda-se, se for beber, optar por fazê-lo antes ou durante as refeições para evitar a hipoglicemia.