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Como emagrecer sem cirurgia

Cinco histórias de brasileiros que, com esforço e disciplina, mudaram hábitos e conseguiram perder até 70 quilos

Por Fernanda Bassette - 24 jan 2019, 18h56

Não é de hoje que o mundo inteiro está mais gordo e que muitas pessoas buscam todo tipo de recurso para emagrecer — seja por meio de dietas da moda, de reeducação alimentar, com ajuda de remédios ou até mesmo por meio de uma cirurgia. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que 1,9 bilhão de adultos no mundo estavam com sobrepeso — com o índice de massa corporal (IMC), que avalia o peso da pessoa em relação à altura, entre 25 e 30. Destes, 600 milhões estão obesos (IMC maior do que 30). No Brasil, a situação também assusta: 57% da população adulta está acima do peso e, nos últimos 35 anos, a prevalência de obesidade subiu de 5,4% para 21% dos habitantes, segundo os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde e publicada em 2015.

Especialistas atribuem esse aumento do sobrepeso a mudanças no padrão alimentar das pessoas, que nos últimos 40 anos trocaram a comida natural pela industrializada e ultraprocessada, rica em sódio e gorduras saturadas adicionados para que ela dure mais. Soma-se a isso o aumento do sedentarismo — as pessoas não andam mais como antigamente e são poucas as que se exercitam com regularidade.

Estudo realizado em 2017 pelo Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em camundongos apontou que a alteração no padrão alimentar tem consequência direta na região cerebral que regula a fome: a alta ingestão de gordura saturada gera uma inflamação no hipotálamo, descontrolando a sensação de saciedade. A pesquisa demonstrou, porém, que o problema pode ser revertido, caso a pessoa volte a se alimentar adequadamente.

“A obesidade é um problema mundial e não exclusivo do Brasil. Saímos da época em que a desnutrição era o mais preocupante e chegamos ao extremo oposto: hoje nosso maior problema é o excesso de peso. E isso tudo aconteceu por um conjunto de fatores, entre eles, essa mudança no padrão de alimentação e menor prática de exercícios”, explica a médica endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). “E importante: não existe obesidade saudável.”

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Novas tecnologias

Na busca de um instrumento que ajude os pacientes na perda de peso, desde julho do ano passado a endocrinologista Andrea Samara Audi está realizando uma pesquisa no Departamento de Obesidade do Hospital das Clinicas de São Paulo para avaliar a eficácia do uso de um aplicativo (FatSecret) como auxiliar no emagrecimento de adolescentes obesos.

Ao todo, sessenta jovens entre 13 e 17 anos serão acompanhados por seis meses — metade deles vai seguir uma dieta tradicional e fazer um diário das ingestões em papel e a outra metade seguirá a mesma dieta, mas as informações de consumo serão incluídas no aplicativo. Até agora, a médica só avaliou metade da amostra, mas, extraoficialmente, já consegue observar benefícios maiores em quem usa aplicativo.

“O que tenho observado é que o resultado é bem individual. Mas, quem usa o aplicativo corretamente consegue enxergar no fim do mês onde foi que errou, o que comeu a mais que interferiu no resultado. O aplicativo é uma ferramenta ótima de apoio”, explica. A principal diferença, diz, é que diferente do papel, o aplicativo apresenta as calorias ingeridas e as quantidades de gordura e carboidrato. “Ele calcula metas e ajuda o paciente”, afirma Audi.

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Efeito sanfona

A grande dificuldade de quem quer emagrecer é evitar o famoso efeito sanfona — aquele emagrece e engorda, sem conseguir manter o peso adequado por muito tempo. Existe explicação científica para isso.

Segundo Melo, após a perda de peso, ocorre um mecanismo fisiológico e hormonal em que o próprio organismo busca repor as calorias perdidas, como se fosse se proteger. “O corpo vai se defender dessa perda de gordura. O hormônio da fome (grelina), por exemplo, fica mais alto quanto mais a pessoa emagrece. Esse é um fenômeno fisiológico muito forte e complexo”, explica a endocrinologista.

Outra coisa que acontece no corpo de quem perde peso é uma menor sensibilidade ao hormônio leptina, responsável pela sensação de saciedade. “Assim, quanto mais perde peso, menos a pessoa se sente saciada. O organismo faz de tudo para ‘sobreviver’”, explica o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Até hoje a ciência não descobriu um gene que estivesse ligado ao aumento de peso e à obesidade. Não significa, entretanto, que a genética não esteja envolvida no ganho de peso. O que se sabe é que as pessoas respondem de formas diferentes à mesma dieta — para alguns, funciona a de baixo teor de gorduras, para outros, a que corta carboidratos ou mesmo o jejum por horas ininterruptas — e que restringir parte da alimentação é sempre a primeira opção de quem quer perder os quilos extras. Segundo Ribas Filho, a maioria dos estudos mostram que diferentes dietas produzem os mesmos resultados — sem diferenças significativas na perda de peso, desde que a ingestão calórica seja igual ao se comparar uma com a outra.

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De acordo com Melo, entre 10% e 20% das pessoas que precisam perder peso conseguem fazê-lo apenas com mudanças no estilo de vida, sem auxílio de remédios ou da cirurgia. Porém, disciplina para o resto da vida, mas em especial nos cinco primeiros anos após a perda dos quilos, é o segredo para manter o peso. “A evidência científica é que qualquer pessoa que fizer uma dieta hipocalórica vai perder peso. E que, em dois a quatro anos recuperou 80% do peso. E em cinco anos, 100% ou mais do peso se não fizer a manutenção adequada”, diz Ribas Filho.

Para manter-se no peso, é preciso seguir regras bem básicas: tomar café da manhã; aumentar a ingestão de frutas e vegetais; praticar atividade física regularmente e monitorar o peso frequentemente. Para quem quer perder peso, recomenda-se 70% de exercícios aeróbicos e 30% de musculação. Já para manter-se no peso, a orientação é praticar 70% de musculação e 30% de exercícios aeróbicos. “A musculação ajuda a criar massa magra e aumenta o gasto energético”, diz Ribas Filho.

“A tendência é recuperar o peso perdido ao longo dos anos. Mas, seguindo essas regras à risca, é possível manter o corpo desejado”, afirma Melo.

Benefícios do emagrecimento: o que muda no corpo, por dentro e por fora

O processo de emagrecimento saudável requer associar uma alimentação saudável com a prática de exercícios físicos. As mudanças no corpo são evidentes: há uma melhora na pele, cabelo, unhas e, claro, redução da barriga. As principais transformações, porém, são invisíveis. Conheça os detalhes no infográfico abaixo, deslizando o dedo ou mouse para a direita e esquerda. Para mais informações sobre cada uma das melhorias, clique aqui.

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Casos de sucesso

VEJA conversou com cinco brasileiros que conseguiram vencer as dificuldades da perda de peso sem auxílio de remédios e cirurgia — são pessoas que, à sua maneira e seguindo diferentes recursos, conseguiram alcançar o peso desejado e agora lutam para conseguir manter-se nele. Deslize o dedo ou o mouse sobre as imagens para ver o antes e o depois de cada um deles.

‘Emagreci 49 quilos usando apenas o peso do meu próprio corpo’

Com desejo de perder peso, a corretora de imóveis Andressa Alves França Lopes, de 25 anos, já havia tentado emagrecer frequentando a academia, mas não viu resultados satisfatórios depois de um mês de atividades. Descobriu então uma nova técnica: 21 minutos de exercícios usando o peso do próprio corpo, sem ajuda de nenhum objeto ou aparelho. Além de treinos adaptados para cada perfil de pessoa, o método ainda contava com uma plataforma digital, com acesso a vídeos no YouTube e dicas pelo WhatsApp. Resultado: 49 quilos a menos. Leia história completa.


‘Unir aplicativo com a orientação profissional foi essencial’

O técnico de enfermagem Carlos Henrique Lemos Arruda, de 36 anos, estava com a cirurgia de redução de estômago marcada, mas desistiu dias antes. Decidido a perder peso, seguiu as orientações do convênio médico e as associou ao uso de um aplicativo no celular. O resultado: 70 quilos a menos. Atualmente, participa de um grupo de corrida de rua, faz musculação e cuida rigorosamente da dieta. Já conseguiu correr meia maratona (21 quilômetros) e uma São Silvestre. Está se preparando para correr uma maratona completa (42 quilômetros) em 2019. Leia a história completa.


‘Quando eu ia em encontros de família, levava minha marmita com refeições prontas para não cair em tentação’

Para enxugar 30 quilos e vencer uma depressão, a empresária Ani Patrícia Pereira Silva, de 48 anos, seguiu à risca uma dieta à base de proteínas e com exclusão do consumo de carboidratos. No começo do regime, sempre feito com acompanhamento profissional, Ani recebia sachês com um pó que, misturado com água, se transformava em uma refeição. Ao longo dos meses, os “carboidratos bons”, como frutas e pães integrais, foram voltando à dieta gradualmente. Há mais de um ano Ani está com o peso estável, em 75 quilos. Leia a história completa.

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‘Fui o último colocado (na corrida), mas não desisti. Se eu desistisse ali, eu desistiria de tudo’

Carlos César Pereira Gomes, de 32 anos, quase perdeu o pai para um infarto. Foi quando se deu conta de que estava gordo demais — chegou a pesar 193 quilos — e precisava tomar uma atitude para não seguir o mesmo caminho. Porém, tinha vergonha de ir à academia. Encontrou a solução em um grupo de corrida de rua. Começou caminhando e, com o tempo, foi ganhando fôlego e velocidade. Perdeu 61 quilos e se matriculou na faculdade de educação física para ajudar pessoas com o mesmo problema que ele teve. Leia a história completa.


‘(Criar uma conta no Instagram) Foi a coisa mais importante que eu fiz’

A professora Bruna Cristino Monte, de 27 anos, conseguiu sair do manequim 54 para o 44 durante seu processo de emagrecimento. Filha dos donos da cantina da escola, a professora conta que nunca se preocupou com a alimentação e chegou a pesar 131 quilos. Decidida a cuidar da saúde e ter qualidade de vida, Bruna associou a reeducação alimentar ao uso da bicicleta para ir ao trabalho, deixando o transporte público de lado. Mas o incentivo para continuar perdendo peso veio das redes sociais, onde hoje ela contabiliza 167.000 seguidores. Leia a história completa.

TESTE: Você está disposto a mudar seus hábitos para emagrecer?

Você trocaria um pão francês por duas fatias de melão? Deixaria de usar o elevador para subir três lances de escada? Sim ou não? Faça o teste e avalie a sua determinação para transformar hábitos e perder peso.

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