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Com vergonha da academia, jovem perde 61 quilos com prática de corrida

Após o susto de ver o pai obeso infartar, Carlos Gomes, 32, começou a correr para emagrecer; mudança o incentivou a se matricular em educação física

Por Fernanda Bassette - Atualizado em 7 fev 2019, 12h56 - Publicado em 24 jan 2019, 18h56

Foi preciso quase perder o pai para um infarto do coração para que o técnico em instrumentação e estudante de educação física Carlos César Pereira Gomes, hoje com 32 anos, percebesse o quanto estava acima do peso e que, se não se cuidasse, corria o risco de seguir o mesmo caminho do pai.

“Gordinho” desde criança, conta que a comida em sua casa nunca foi vista como problema. Ao contrário, muitas vezes era oferecida pelos seus pais como recompensa por algo. “A imagem do gordinho feliz sempre me perseguiu. Eu participava de todas as rodas, mas meus amigos é que ficavam com meninas. Eu não ficava com ninguém. Chegava em casa e me deprimia”, lembra.

O ápice do excesso de peso chegou entre os 24 e 25 anos, durante a primeira graduação. Com 1,96 metros, ele pesava 193 quilos. Carlos conta que além de estudar, trabalhava próximo de uma sorveteria, o que resumia os seus almoços em taças e mais taças de sorvete. Por falta de tempo, ele não jantava, pois ia direto para a faculdade. Quando voltava para casa, comia lanches de hambúrguer industrializado, com muita mussarela e maionese. Isso sem contar os copos de cerveja e de café com leite com muito açúcar. “Comprava caixas de 36 hambúrgueres e durava dois, três dias. Mussarela eu comprava de peça”, diz.

O pai de Carlos, também obeso, infartou aos 55 anos pesando 150 quilos. Passou por uma cirurgia para implantar um marcapasso no coração, o que requer cuidados até hoje. O susto e o estresse fizeram Carlos engordar ainda mais. Até que, ao acompanhar o pai em uma consulta de retorno ao cardiologista, ouviu que se não emagrecesse poderia sofrer a mesma coisa.

Preocupado e com medo, Carlos decidiu cuidar da saúde. Começou procurando um amigo, que também era obeso e que havia conseguido emagrecer. Soube que a corrida havia sido a principal aliada do colega na busca pelo emagrecimento saudável.

O excesso de peso era tanto, que Carlos tinha vergonha de procurar uma academia. Então, foi atrás de um grupo de corrida e começou os treinos caminhando, já que não tinha preparo físico nenhum para correr. Por conta própria e por não ter dinheiro para pagar uma nutricionista, passou a cuidar da alimentação sozinho, reduzindo a ingestão de pães, massas e sorvete, cortando a cerveja, o açúcar, o refrigerante. Além disso, passou a incluir salada nas refeições.

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Com três meses de caminhada, já havia perdido 24 quilos e já se sentia apto a correr. Foi convidado a participar de uma corrida de sete quilômetros. “Mesmo sem preparo total, eu aceitei. Fui o último colocado, mas não desisti durante a prova. Se eu desistisse ali, eu desistiria de tudo. Isso me deu um gás”, conta.

Com seis meses de corrida e caminhada, Carlos decidiu procurar uma academia longe de casa — ainda precisava emagrecer e não queria ser reconhecido por ninguém. Fez musculação para ganhar força e massa magra.

Ao longo de quase cinco anos, Carlos já eliminou 61 quilos, mas ainda não atingiu seu objetivo — quer perder pelo menos mais 15 quilos e correr a maratona de São Silvestre. “Ainda não estou no peso ideal, mas vou chegar lá aos poucos. Nada se compara à saúde que conquistei. Não tomo mais remédio para pressão, durmo a noite toda. Isso é maravilhoso.”

Atualmente ele corre duas vezes por semana e faz musculação nos outros três. Também prestou vestibular e hoje estuda educação física. “Acabei me apaixonando pela prática de esportes e decidi estudar para poder ajudar pessoas que enfrentam as mesmas dificuldades que eu”, afirma.

Deslize o dedo ou mouse para ver o antes e o depois de Carlos:

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